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Educação

Programa Prosseguir irá conceder 30 bolsas de estudos para jovens universitários negros do Amazonas

As pessoas contempladas irão receber apoio financeiro de R$ 700 mensais, aulas de inglês e encontros formativos duas vezes ao mês, além de fazer parte de uma rede de jovens negros das outras regiões onde o programa está implantado

Publicado em 07/05/2023 às 20h46
Programa Prosseguir irá conceder 30 bolsas de estudos para jovens universitários negros do Amazonas
Foto: Reprodução

O Programa Prosseguir irá conceder 30 bolsas de estudos para jovens negros universitários do Amazonas. As inscrições vão até o dia 24 de maio no site https://prosseguir.ceert.org.br . As pessoas contempladas irão receber apoio financeiro de R$ 700 mensais, aulas de inglês e encontros formativos duas vezes ao mês, além de fazer parte de uma rede de jovens negros das outras regiões onde o programa está implantado. 

Nesta edição exclusiva para a região Norte, o programa irá conceder também 30 bolsas de estudo para jovens negros/as do estado do Pará, totalizando 60 bolsas de estudos para a região Norte. Devolvido pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), o programa tem como objetivo apoiar a permanência com êxito desses jovens na universidade, além do desenvolvimento pessoal e capacidades de liderança. 

Ao A CRÍTICA, o diretor executivo do Ceert, Daniel Teixeira, destacou que o programa visa evidenciar e desenvolver futuras lideranças negras nas universidades sejam elas públicas ou privadas, com foco na permanência com êxito na graduação, e também a ponte qualificada com o mundo do trabalho.  

“São desenvolvidas habilidades de liderança, aquilo que é chamado também no mundo do trabalho de habilidades socioemocionais, com vistas também a uma entrada qualificada nesse universo do trabalho.  O programa tem encontros formativos duas vezes ao mês, aos sábados, em geral das 9h30 às 12h30, em que são desenvolvidas essas capacidades, além de uma bolsa de R$ 700 mensais. E soma-se a isso o inglês que também é desenvolvido ao longo do programa”, destacou. 

Daniel explica que os critérios para ser aprovado são avaliados mediante ficha de inscrição, depois a redação, e o vídeo que é pedido também, e tudo é referente a oportunidade em participar do programa. “O intuito é desenvolver essas capacidades ligadas ao pleno desenvolvimento da pessoa, mas sobretudo ao antirracismo, a capacidade de liderança, como é que isso pode mudar de forma positiva a futura trajetória dessa pessoa que participa do processo seletivo”, detalhou. 

Pela primeira vez na região Norte, iniciativa vai contar com a parceria da Universidade Federal do Pará (UFPA), de universidades amazonenses e de organizações que atuam nessas regiões, como o Centro de Estudos e Defesa do Negro no Pará (Cedenpa), além do apoio do Mover – Movimento pela Equidade Racial. O programa visa apoiar a formação universitária e empregabilidade de jovens negros matriculados/as em universidades públicas e particulares.  

Segundo Daniel Teixeira, o programa também estimulará o interesse pela bioeconomia e empregos relacionados à sustentabilidade e ao meio ambiente, vocação da região em relação ao Brasil e ao mundo. “A escolha dos dois estados é estratégica para que a juventude negra participe de forma qualificada nos projetos sobre bioeconomia para a região”. 

O Amazonas possui 21 instituições de ensino superior, e o Pará, 35. Os jovens constituem o maior grupo populacional de ambas os estados. No Brasil, apenas 18% de jovens negros/as de 18 a 24 anos estão cursando uma universidade, segundo o estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em 2020. Entre os jovens brancos o número sobe para 36%.  

Soma-se à desigualdade nas condições de acesso e permanência desta juventude no ensino superior, uma persistente desigualdade racial também no mercado de trabalho. No Amazonas, quase 200 mil pessoas estão desempregadas e mais de mil trabalham na informalidade. Na capital do estado, havia 440 mil pessoas subutilizadas no mercado de trabalho no quarto trimestre de 2022. Já no Pará, são quase 350 mil desocupados e outros mil na informalidade (Fonte: IBGE/Pnad).  

Segundo Teixeira, o programa tem um grande potencial para contribuir com a redução das condições de precariedade de trabalho para profissionais negras e negros.

“O desemprego e a subutilização da força de trabalho negra é muito grande em todo o país. Na região Norte, onde a população negra chega a representar mais de 70% dos habitantes, as desigualdades são ainda mais flagrantes”. 

“Essas turmas que vão se iniciar no segundo semestre de 2023, com enfoque na região norte do país, região metropolitana de Manaus e região metropolitana de Belém, essas turmas terão o seu ciclo até o final de 2024. Então, enquanto este ciclo estiver funcionando as pessoas que participam do programa recebem a bolsa de R$ 700 mensais. Mas, a gente pretende lançar outros ciclos na sequência, quem estiver já participando poderá se candidatar pra uma renovação, é um novo processo seletivo, mas em princípio o que a gente está fazendo como ciclo agora vai até o final de 2024”, completou. 

Sobre o Programa Prosseguir 

Desde 2019, o Prosseguir vem impactando positivamente a vida de centenas de jovens negros em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Além da bolsa que garante o apoio financeiro ao estudante, o programa também atua com formação em liderança, projetos de vida, mentoria, curso de inglês, diálogos sobre a pauta racial e a formação de uma rede de apoio aos universitários/as. Desde sua primeira edição, o programa recebeu mais de 8.500 inscrições e foram oferecidas 250 vagas. Saiba mais em: https://prosseguir.ceert.org.br.  

As inscrições para o Programa Prosseguir para a região Norte estarão abertas a partir de 24 de abril no site: https://prosseguir.ceert.org.br. A divulgação da seleção e início do programa estão marcadas para julho de 2023.  

Sobre o Ceert 

Organização sem fins lucrativos, que desde 1990, defende os direitos da população negra, em particular da juventude e das mulheres negras. Elabora e implementa programa de promoção da equidade racial e de gênero em instituições públicas e privadas. Sua atuação se dá por meio de projetos nas áreas de trabalho, educação, justiça racial e juventude.