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A Crítica
Educação

Simpósio Científico transforma realidade de alunos na Zona Leste de Manaus

Com apoio da FAPEAM e participação de universidades e centros de pesquisa, o evento aproximou a ciência da comunidade escolar em área de vulnerabilidade social

Publicado em 30/10/2025 às 20h14
Simpósio Científico transforma realidade de alunos na Zona Leste de Manaus
Foto: Daniel Brandão

A Escola Estadual Roderick de Castello Branco, localizada no bairro São José Operário, Zona Leste de Manaus, realizou, entre os dias 29 e 31 de outubro, o II Simpósio Científico Roderick de Castello Branco. Com o tema “Ciência que transforma realidades locais”, o evento reuniu estudantes, professores, pesquisadores e instituições de ensino e pesquisa em uma iniciativa que busca aproximar a ciência da comunidade escolar.

Situada em uma área considerada de zona vermelha, marcada por altos índices de violência e vulnerabilidade social, a escola atende alunos que, em sua maioria, dificilmente teriam acesso a experiências como visitas técnicas, oficinas científicas e contato direto com pesquisadores. O simpósio surge como uma resposta concreta à exclusão histórica dessas comunidades, oferecendo oportunidades reais de transformação por meio da educação.

O evento contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) e a participação de instituições como a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o Instituto Federal do Amazonas (Ifam), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e o Sebrae.

A diretora da escola, Roseane Vargas, celebrou o envolvimento da comunidade escolar. “O simpósio é um divisor de águas para nossa escola. Com o apoio da FAPEAM, conseguimos oferecer oficinas, minicursos e palestras que aproximam nossos alunos do campo científico e os fazem pensar no futuro”, afirmou.

O projeto nasceu da iniciativa do professor de Química Cássio Oliveira, que transformou uma feira cultural em um evento científico reconhecido. “O simpósio é uma história de resiliência. Mesmo sem financiamento na primeira edição, realizamos o evento com apoio de amigos e professores. Persisti e, neste ano, fomos contemplados pela FAPEAM. Isso nos permitiu ampliar as atividades e levar os alunos a visitas técnicas em locais como o Museu da Amazônia e o Bosque da Ciência”, relatou.

Além das palestras e apresentações de banners científicos, o evento ofereceu oficinas práticas, como a de fabricação de sabão e de hidratante à base de babosa, ministradas pela professora Gilvania Colares. “Queremos mostrar aos alunos como a ciência pode ser aplicada no dia a dia, inclusive como fonte de renda e de preservação ambiental”, explicou.

A professora Natécia Suelen destacou a importância da troca de conhecimento com universidades. “Nosso objetivo é despertar nos alunos o interesse pela pesquisa, trazendo professores universitários para compartilhar suas experiências”, disse.

Ex-alunos da escola também marcaram presença, como Aline Vitória, hoje estudante de Química na Ufam. “É gratificante voltar e mostrar como a ciência mudou minha vida. O conhecimento abre portas”, afirmou. Já Luiz Davi, aluno de Ciências Biológicas, reforçou: “O simpósio aproxima os alunos da pesquisa e da comunidade científica”.

O evento também contou com uma oficina de redação voltada para vestibulares e concursos, ministrada pelo professor Licon Varela. A escola mantém há mais de dez anos o projeto “Todos na Universidade”, que prepara os alunos para os exames, com foco especial na redação.

Apesar das limitações estruturais, como a ausência de auditório e de acesso à internet, a escola se destaca pela força de sua equipe. “O que nos move é a paixão pelo que fazemos”, concluiu o professor Cássio Oliveira.