Uso de inteligência artificial é tema de debate realizado com alunos do ensino médio, em Manaus
Segundo o professor de geografia e coordenador do debate, Renato Velas, o evento trabalha a tríade: ciências humanas e sociais aplicada ao novo Ensino Médio
A Inteligência Artificial (IA) esteve na mesa de debates no auditório do Centro Educacional Adalberto Vale (CEAV), localizado na avenida Via Láctea, no conjunto Morada do Sol, bairro Aleixo, zona Centro-Sul, nesta quarta-feira (1º). Dez alunos do ensino médio se dividiram em dois grupos e apresentaram os argumentos a favor e contra a regulamentação da inovação tecnológica que ganhou repercussão nos últimos anos devido à utilização, principalmente no que concerne manipulação de imagens.
Do lado favorável pela regulamentação da IA estavam os alunos Mario Jorge, 17 anos, Nilton Augusto, 16 anos, e as alunas Iana Gabrielle, 16 anos e Alice Breves, 15 anos. No grupo desfavorável à regulamentação, estavam as alunas Letícia Sales, 15 anos, Pietra Leal, 17 anos, Maria Laura Leal, 16 anos, ao lado dos alunos Ignácio Rodrigues, 16 anos, e André Lins, 16 anos. Segundo o professor de geografia e coordenador do debate, Renato Velas, o evento trabalha a tríade: ciências humanas e sociais aplicada ao novo Ensino Médio.
“A proposta é trazer algo diferente que enriqueça a gama de conhecimento dos alunos a partir de uma nova dinâmica. Na atividade de hoje trouxemos algo que é do cotidiano dos alunos já que eles usam o Chat GPT e outras IAs para que possam ter noção dos impactos dessa nova tecnologia pode causar nas vidas de cada um. Eles trabalham com isso de forma cotidiano. A nossa orientação é passar como trabalhar a IA com responsabilidade e principalmente com ética”, detalhou o educador.
Docente há 13 anos no CEAV, Renato Velas, pontua que a instituição escolar sempre apresenta propostas inovadoras e dinâmicas de como repassar conteúdo aos alunos. “Um evento como esse não é formado somente por duas equipes debatedoras, mas tem todo um staff que cuida de toda parte estrutural. Temos um comitê de mídias e de imprensa. Os alunos vão buscando àquelas áreas que tem mais afinidade com eles para atuar. O debate não é somente troca de ideias, mas toda uma estrutura, que direciona os alunos para atividades que possuem mais aptidão”, disse.
Preparação
O estudante do 2ª ano C, Nilton Augusto, 16 anos, que compôs a equipe pró-regulamentação da IA, argumentou que a equipe dele acredita que essa tecnologia pode trazer benefícios incalculáveis. “E nós precisamos mensurar isso. Nós sempre vamos procurar o regulamento, uma vez que não vamos impedir que a IA cresça, mas sim limitá-la a crescer longe do nosso controle e de uma forma que não cause prejuízos”, declarou o adolescente.
Sobre a preparação da equipe, Nilton explicou que a equipe esteve reunida durante as semanas de preparação. “No sétimo tempo nos reuníamos na aula do professor Velas. A gente se juntava e debatia entre a gente, buscar argumentos para hoje estar aqui e promover esse debate. Como aluno acho necessário e importante para o nosso entendimento. É um assunto bem atual a IA e é um diálogo necessário que devemos ter”, declarou o aluno.
Maria Laura Leal, 16 anos, aluna do 2º ano A, integrante da equipe defende a não regulamentação da IA, declarou que um dos pontos argumentativos preparados será as limitações das atividades. “Posso até fazer uma associação: no período do Iluminismo que a igreja católica não deixava a circulação de ideias científicas, então, imagine se tivesse conseguido realmente proibir essa circulação, acredito que o mundo seria diferente. Se limitamos a (IA) estaríamos parando a evolução humana”, explicou.
A equipe também se mostrou bem preparada para o debate. “Nesse grupo ficamos elaborando argumentos com base em artigos judiciais, notícias, takes de vídeo interessantes sobre o assunto. Ontem mesmo antes do debate, devido ao nervosismo, nos reunimos como forma de apoio. Isso é muito importante, sabe? Que independente de tudo a equipe estará lá”, disse. “Eu acho interessante esse evento pois mostra aos alunos novas experiências ligadas as nossas futuras profissões”, complementou.
Debates
O comercial da Volkswagen que utilizou a IA para trazer de “volta a vida” a cantora Elis Regina, que faleceu aos 36 anos em janeiro de 1982 por overdose, utiliza uma técnica chamada de DeepFake, no qual montagens realistas são feitas com rostos de pessoas. No vídeo da campanha Elis faz um dueto com a própria filha, a cantora e compositora Maria Rita, 46 anos. As duas cantam Como Nosso Pais de Belchior. Criado em comemoração aos 70 anos da fabricante de veículos no Brasil, o comercial gerou uma grande repercussão na internet e também no ramo publicitário.
A ideia para o tema surgiu a partir de uma discussão acerca dessa campanha publicitária em uma Aula da Trilha de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, ministrada pelo professor Renato Velas. A partir do vídeo com as duas cantoras emergiu o questionamento: É ético utilizar a inteligência artificial para “ressuscitar pessoas”? Com o auditório lotado de alunos do ensino médio, as duas equipes argumentaram e contra-argumentaram sobre os princípios éticos e a regularização do IA.
O delegado de Polícia Civil e professor universitário, Fernando Bezerra, foi o responsável por ouvir as argumentações de prós e contras. “Acho que esse tipo de evento é extremamente salutar para o jovem nesse instante da formação. Haja vista que estão iniciando os primeiros passos na área de humanas e precisam ter consciência social, política e jurídica. Aqui vamos avaliar pontos como: conhecimentos básicos do Direito que devem integrar a estrutura da cidadania e democracia”, disse.
Ficou a cargo de Bezerra a missão de atribuir pontos nos argumentos e perfomance dos alunos durante o debate. “Eles estavam bem preparados. O nosso propósito é avaliar aquilo que foi apresentado e os melhores argumentos. Não significa dizer que vamos definir um vencedor, pois acho que todos vão ganhar, afinal, a proposta é uma integração humanística. Mas, avaliar sim aqueles que tiveram melhor desempenho naquele momento frente ao publico e demais debatedores”, finalizou.