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Acessórios de encanto e beleza: Rafaela Souza é referência na moda artesanal amazônica

Mesmo com um dom artístico reconhecido nacionalmente, Potyra quer mais representatividade da mulher figurinista nos bois de Parintins

Publicado em 01/06/2025 às 12h31
Acessórios de encanto e beleza: Rafaela Souza é referência na moda artesanal amazônica
Foto: Jeiza Russo/ A Crítica

Na mitologia indígena, as lágrimas da indígena Potira derramadas devido à partida do esposo, Itagibá, para a guerra, se transformam em diamantes ao tocar o caudaloso rio. Nas mãos da figurinista e design parintinense Rafaela Souza, 41 anos, proprietária do Potyra Ateliê, as pedrarias lapidadas como diamante tomam forma em acessórios exclusivos de encanto e beleza, que fazem da artista uma referência na moda artesanal amazônica. Além do boi-bumbá, Potyra também brilha no Carnaval.

Antes de conquistar o Amazonas, Potyra ganhou destaque no Carnaval do Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP) sendo premiada pela Revista Plumas e Paetês Cultural por diversos anos. A figurinista foi descoberta pelo carnavalesco Cristiano Bara, em 2015 e no ano seguinte já despontava no Carnaval carioca, na Beija Flor de Nilópolis, com as benções do então presidente Luiz Fernando Ribeiro do Carmo, o Laíla, que morreu aos 78 anos, em 19 de junho de 2021 no Rio de Janeiro (RJ).

“Eu fui para o Rio de Janeiro como a primeira mulher figurinista de Parintins. Fiz a ala das passistas que, na época, o enredo foi ‘Iracema’. Fiz toda a ala na técnica de macramê, com (pedra) de açaí e jarina”, disse.

Foram confeccionadas 1.250 peças com as pedrarias típicas amazonenses e fibras de tucum. Após passagem na Beija Flor de Nilópolis, a arte de Potyra ganhou a ponta-aérea e desembarcou no Carnaval paulistano nas escolas X9, Vai-vai, Vila Maria e Gaviões da Fiel.

Artistas nacionais também já utilizaram os acessórios confeccionados pela parintinense como a apresentadora Luciana Gimenez, o cantor Johnny Hooker e o cantor Caio Prado. A partir dessa visibilidade veio o convite para retornar ao Boi Garantido, gestão do presidente Antônio Andrade.

Quase item

Potyra quase se tornou Porta-Estandarte do Boi Garantido nos anos 2000. Ela foi dançarina do grupo de dança Garantido Show de 1997 até 2000, e o convite feito pelo presidente, Antônio Andrade, não foi à frente devido à questões de bastidores e também pela gravidez do primogênito. O item 5 foi ocupado por Lilian Linhares, que anos depois, se tornaria Cunhã-Poranga. “Não era para ser. Deus tinha outros planos com outra forma para eu brilhar no boi-bumbá. Em 2022 eu fui convidada pelo presidente Antônio Andrade para fazer parte novamente do Boi Garantido”, disse.

A estreia de Potyra na arena foi no vestido de Valentina Coimbra, no ano de 2022, também estreante no item Sinhazinha da Fazenda daquele ano. A figurinista guarda com muito carinho o vestido. Potyra tem como referência artistas como Paulo Rojas e Tarcísio Gonzaga. “(Rojas) fazia vestidos de sinhás extraordinários. Ele foi um dos que revolucionou o festival”, disse. Os acessórios de Potyra são feitos com a mescla do luxo e o rústico e as pedrarias utilizadas despertam atenção e são a verdadeira assinatura da figurinista autodidata.

Figurinistas na arena

Mesmo com um dom artístico reconhecido nacionalmente, Potyra quer mais representatividade da mulher figurinista nos bois de Parintins nas três noites de festival. “É uma barreira por ser mulher. São homens figurinistas. Falam tanto em representatividade, mas me tiraram do quadro de figurinistas, com a desculpa que o boi não teria dinheiro para pagar. Enquanto um figurinista recebe absurdos. Dava para dividir os figurinos e ter uma mulher como figurinista de ponta”, declarou.

Potyra frisa que contratualmente não existem mulheres no quadro de figurinistas dos dois bumbás.

“Se você pega a foto dos artistas, dos contratados, são apenas homens. Não tem mulheres. Tiraram do quadro as únicas mulheres que existiam no quadro de figurinistas. Não tem figurinistas no Boi Garantido e nem no Boi Caprichoso. Mulheres fazem parte da equipe, como costureiras, artistas de galpão, mas de ponta não tem. Essa barreira tem que ser quebrada”, completou.