Amazonenses representam o Brasil em exposição de arte na França
Quadrinista Romahs Mascarenhas e o artista visual Emerson Munduruku expõe obras em Arles, a cidade que respira Van Gogh no sul da França, no próximo mês
Arles, a cidade que respira Van Gogh no sul da França, vai ganhar oxigenação amazonense. Isso porque o evento “Des Livres et Vous” (“Os livros e vocês”), da associação Arles en Prémices, contará com a exposição de dois artistas locais: o quadrinista Romahs Mascarenhas e o artista visual Emerson Munduruku. A exibição acontece nos dias 04 e 05 de março.
Como o próprio nome já diz, a literatura e os livros estarão no centro das atividades oferecidas durante o evento. Os artistas da região são os únicos brasileiros convidados para participar da edição.
Mascarenhas – que há nove anos trabalha como roteirista dos Estúdios Maurício de Sousa – criando historinhas para a Turma da Mônica – participará com gravuras em homenagem à relação de Manaus com a arquitetura francesa, a partir da Belle Époque. Não à toa, o projeto leva o nome de “Paris des Tropiques”, que em português significa Paris dos Trópicos, como era conhecida a capital amazonense na era da borracha.
O quadrinista afirma estar honrado com o convite, especialmente por representar a união dos dois povos. “Estou muito feliz por fazer o elo entre a cultura da França e o povo brasileiro nas imagens que exibirei. É um sonho realizado exibir meu trabalho em Arles, onde meu ídolo Van Gogh viveu”, ressalta. A cidade francesa foi o esconderijo do pintor holandês.
Drag Monstra
Já o performer Emerson Munduruku contará com imagens de seu alter ego, Uýra, na exposição “Des Livres et Vous”. Trata-se de uma “drag monstra” – como ele assim caracteriza – vivida por ele desde 2016. “Ela é meu canal de comunicação com a sociedade. Utilizando materiais orgânicos da floresta, crio Uýra, que nasce inspirada na biodiversidade amazônica e em saberes ancestrais, especialmente indígenas. Com Uýra, denuncio violências aos sistemas vivos e também exalto as forças e belezas de cada um”, explica.
Indígena do povo Munduruku, Emerson mora em Manaus desde os cinco anos e coordena há dois o projeto de arte-educação “Incenturita”, na Fundação Amazonas Sustentável (FAS).