Após passar por quatro comunidades, projeto ‘Cine Bodó’ encerra nesta sexta (21)
A programação terá uma roda de conversa com o tema “Outras narrativas do audiovisual. Contando nossa história”, na ocasião serão exibidos todos os filmes produzidos durante as oficinas de cinema nas comunidades
Após 15 dias de atividades de formação em quatro comunidades da periferia de Manaus, o Projeto Cine Bodó encerra as suas atividades nesta sexta-feira (21). A atividade acontece a partir das 19h, no Palácio da Justiça, localizada no Centro da capital. Durante a programação será realizada uma roda de conversa com o tema “Outras narrativas do audiovisual. Contando nossa história”, na ocasião serão exibidos todos os filmes produzidos durante as oficinas de cinema nas comunidades.
O projeto, iniciado em 2015, tem concepção e produção da gestora cultural e artista audiovisual Keila Serruya, e da diretora de cinema Dheik Praia. A proposta do projeto parte de três pilares, que visa fomentar formação, exibição e rodas de conversa, além de trazer pessoas para o diálogo acerca da importância de se recortar a realidade com consciência, independentemente dos seus meios e possibilidades.
Uma das idealizadoras do projeto, Keila Serruya, explica como é importante que cada jovem e adolescente que tem acesso às oficinas se torne o protagonista de sua história. “Eles se veem como um indivíduo capaz de também produzir narrativas e isso é muito importante, que são esses jovens falando em primeira pessoa, os jovens de periferia também tem direito de falar e o audiovisual é uma ferramenta de mudança, uma ferramenta de construir cidadania”, disse.
Para Dheik Praia, o objetivo da quarta edição é construir pontes. “Antes de tudo pensar território, particularidades, ferramentas, possibilidades, formas de encontrar e de perceber as narrativas do outro”, afirma.
Neste ano, quatro bairros receberam as oficinas de formação, a comunidade da Sharp, no bairro Armando Mendes, zona leste, foi a primeira a receber a mostra. Em seguida foi a comunidade indígena Parque das Tribos, zona oeste, depois foi a vez do bairro Redenção, também na zona oeste, e por último chegou ao bairro Monte das Oliveiras, na zona norte de Manaus.
De acordo com Rojefferson Moraes, agitador cultural e mobilizador no bairro Monte das Oliveiras, último local a receber as oficinas, o Cine Bodó na comunidade possibilitou a movimentação da juventude. “Tudo foi feito por eles. Eles quem pensaram e criaram a história gravada, logo está sendo inserido a percepção deles com outro olhar e traduzindo a realidade por meio do audiovisual.”, disse.