Artes amazonenses ganharão nova vitrine em 2013
Programada para o segundo semestre, Bienal Amazônica I alimenta expectativas de criadores locais
Este ano tem tudo para ser especialmente proveitoso para as artes plásticas locais. No segundo semestre, a Secretaria de Estado de Cultura (SEC) vai realizar a Bienal Amazônica I, primeiro evento de grande porte dedicado à arte contemporânea produzida em solo amazonense.
Depois do sucesso que foi a Pré-Bienal, realizada entre março e abril do ano passado, que expôs no Centro Cultural dos Povos da Amazônia mais de 200 obras locais, além de trabalhos de Di Cavalcanti e Burle Marx, as expectativas dos criadores do cenário local de arte são as melhores possíveis.
O artista visual Manausmacaco comemora as oportunidades que surgiram após a Pré-Bienal: ele recebeu convites para uma exposição individual, na Galeria do Largo, e outra coletiva, com curadoria de Romaric Büel. Esta, que reúne a arte contemporânea amazonense e já passou por Brasília e Recife, chegará a Fortaleza no dia 2 de fevereiro.
“Há tempos não tínhamos tantas possibilidades nas artes plásticas como agora. Foi o que me fez voltar a produzir. Alguns trabalhos eu levei mais de 10 anos para mostrar por falta de oportunidade profissional”, contou.
Preparação
Apesar de o formato e a curadoria da Bienal ainda não estarem definidos, artistas como Manausmacaco já estão se preparando para a possibilidade de serem escalados para o evento. “A produção de muitos criadores vem pegando carona nas exposições promovidas pela SEC. Agora, continuamos produzindo e investindo com foco nas possibilidades da ‘Amazônica I’”, complementou.
Turenko Beça, que participou da Pré-Bienal, também já está pesquisando elementos para uma nova produção. “É para o caso de ser convidado. Nunca se sabe, né?”, brincou. “A Bienal vem numa hora ótima, para marcar de vez. Além de ter esse caráter de revelação de talentos, o evento é bacana porque mostra gerações diferentes trabalhando juntas”.
Andamento
Em entrevista à reportagem, o titular da SEC, Robério Braga, afirmou não poder adiantar nada sobre a Amazônica I, mas garantiu que a secretaria vem trabalhando no projeto desde o ano passado. “As coisas estão tratadas, mas não contratadas. Há um cronograma interno que estamos executando e que deve ser concluído entre agosto e setembro, com a realização do evento”, declarou ele.
Falta de informações
Para o artista plástico Roberto Evangelista, que ainda vê os criadores locais muito à margem dos fluxos artísticos do restante do País, a escolha da curadoria do evento é fundamental. “Tem que ser um curador de renome, que esteja enfronhado no processo artístico nacional e internacional”.
Por outro lado, Otoni Mesquita se queixou da falta de conversa da organização com os artistas. “Não somos convidados a participar de qualquer coisa, há um problema sério de comunicação. Além disso, se a proposta é que seja uma exposição regional, seria interessante que os curadores tivessem algum contato com a produção local”, declarou.
De acordo com o secretário Robério Braga, como parte da organização da Bienal, será cumprido um calendário de reuniões com todos os segmentos artísticos, não só o de artes visuais.