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Banca do Largo reabre dois meses após a partida de Joaquim Melo

Três filhos irão tocar os projetos culturais e o legado na literatura amazonense deixados pelo pai

Publicado em 02/04/2023 às 16h44
Banca do Largo reabre dois meses após a partida de Joaquim Melo
Foto: Paulo Bindá

No lado esquerdo do Teatro Amazonas, no Largo São Sebastião, está situada a Banca do Largo. Lugar que abriga e comercializa livros de autores amazonenses ou que retratam em histórias e contos a vivência amazônida. O criador do espaço, Joaquim Melo, morreu de infarto após 12 dias internado em um hospital particular da cidade devido a complicações cardíacas em decorrência de um infarto. Ele tinha 64 anos e capitaneava o lugar desde 2006.

A porta da Banca do Largo foi reaberta após dois meses da partida do fundador. A advogada Helena Vital de Melo, 35 anos, filha de Joaquim, dividirá os trabalhos na banca com a irmã Carmelita Vital. Já Moisés Vital, estará a frente do Tacacá na Bossa. Projeto de música no Largo São Sebastião, realizado toda quarta-feira a partir das 20h, idealizado no ano de 2015 também por Joaquim Melo. O evento, segundo Helena, está com previsão de retorno para o dia 12 de abril.

“Ele abriu muito espaço para a cultura aqui no Amazonas e dava abertura para pequenos autores, para os meninos do quadrinhos, idealizou o Tacacá na Bossa. E vamos tentar dar continuidade ao trabalho dele. E a gente vai continuar com o trabalho que ele começou, vendendo os livros de história do Amazonas e livros raros. Vamos seguir com os lançamentos, inclusive, tem um previsto para ocorrer no próximo dia 6 de abril”, disse Helena. 

O livro lançado será o Fio D’Água do autor carioca Daniel Massa pela 7Letras que, segundo Helena, o último verso é dedicado à Banca do Largo. O lançamento em Manaus estava previsto para ocorrer em janeiro, mas em virtude da morte de Joaquim, foi remanejado para o mês de abril. Nas palavras de Massa, o obra narra a história de dois personagens, avó e neto, que saem de São Gabriel da Cachoeira e chegam até Manaus.

“Todos os capítulos são escritos em versos e ambientados em espaços como o bodozal, a Feira da Panair, Alvorada… No último capítulo do livro, há o desfecho da história em que Manaus se torna uma cidade submersa por conta da chuva e do rio Negro. Ali menciono os prédios da Ponta Negra, o Teatro Municipal e a Banca do Largo de Joaquim Melo”, pontuou o autor. 

O início de tudo


Joaquim Melo foi o criador do espaço, ainda nos idos dos anos 2004 e 2005 (Paulo Bindá)

A Banca do Largo era apenas uma revistaria. O sonho de Joaquim era ser dono de um sebo-livraria. No site (bancadolargo.com) Joaquim deixou escrito como começou a adquirir os livros para o lugar. Segundo relato tudo começou em meados de 2004 e 2005 durante um programa de pós-graduação da Ufam, o livro À Margem da História, de Euclides da Cunha, foi relacionado como obrigatória e depois retirado devido os discentes não encontrarem a obra. 

“Como sou estudioso da Amazônia, tendo, inclusive, cursado o curso de especialização em História e Historiografia da Amazônia, da Universidade Federal do Amazonas, possuindo uma biblioteca especializada na área, decidi trabalhar com esse nicho de mercado, e fui levando os livros pra Banca do Largo, até se transformar no que é hoje. Posso dizer que, a Banca do Largo é uma das melhores livrarias especializadas em Amazônia, tendo clientes espalhados pelo Brasil e em vários países do mundo”, escreveu Joaquim.

Justa homenagem

Na Semana Nacional do Quadrinho realizado em Manaus nos dias 28, 29 e 30 de janeiro deste ano, Joaquim Melo foi homenageado e agora dá nome a um prêmio concedido às melhore histórias. “A Semana do Quadrinho começou em 2019, ela era só uma feira de artistas e foi feito ali no Largo, no espaço onde era feito o Tacacá na Bossa, que o Joaquim coordenava. Esse ano, infelizmente a gente perdeu o Joaquim e resolvemos fazer uma homenagem a ele”, disse organizador, o produtor cultural e roteirista amazonense Evaldo Vasconcelos. 

Helena garante que esse evento também continuará a ser realizado. “A semana de quadrinhos vai permanecer. Os lançamentos de livro também. E continuar garimpando os livros com temática amazônica para fomentar o nosso acervo”, pontuou a jovem. “Existe um projeto de tombamento da banca que está tramitando pela Assembleia Legislativa do Amazonas e quando ocorrer vamos colocar ‘Banca do Largo Joaquim Melo’, mas a assembleia precisa aprovar”, adiantou.