Com show e musical, Cella Bártholo celebra retorno ao Amazonas
Cantora amazonense fala sobre os seus planos na ‘Paris dos Trópicos’ e na ‘Ilha da Magia’; ela se apresenta na Festa dos Visitantes no dia 26 de junho e traz o musical 'República Lee' a Manaus nos dias 12 e 13 de julho
A cantora amazonense Cella Bártholo não vê a hora de regressar para o seu “Norte”. Uma das atrações da Festa dos Visitantes no dia 26 de junho, a partir das 19h30 no Bumbódromo de Parintins, ela, que mora no Rio de Janeiro (RJ), fala ao BEM VIVER TV sobre esta que será a sua primeira vez na Ilha Tupinambarana, sobre o que gosta de fazer (e de comer) quando está no Amazonas, e sobre o musical “República Lee”, que aborda a vida e obra da cantora Rita Lee, a ser apresentado no Teatro Amazonas nos dias 12 e 13 de julho.
Como será o show que você vai fazer na Festa dos Visitantes? (Em termos de figurino, cenografia, dançarinos, repertório e etc.).
O tema central desse show, que a gente está criando exclusivamente pra Festa dos Visitantes, é ‘Encantaria Amazônica’. Eu sou muito apaixonada por esse termo, da encantaria, porque mostra um pouco da magia da floresta, da magia da nossa cultura. E a gente vai estar na Ilha da Magia, né? Então, nada melhor do que a gente usar esse momento para reverenciar as grandes divas pop e a música amazonense mesmo. No repertório vai ter desde Dona Onete a Carrapicho, de Marina Sena a Vanessa da Mata. Vai ser um show para todo mundo curtir, cantar junto, suar, pular. E a gente já aqueceu os motores para os três dias de festival. Vai ser um show com banda completa. E com bailarinas também, então a gente está ensaiando muito para que seja um show digno do maior festival do Norte. Tô muito feliz, acho que vai ser um show que vai dividir águas na minha carreira. Que vai mostrar esse lado como uma diva pop amazonense que eu sou. Acho que as pessoas podem esperar bastante energia pra dançar junto também.
Como é sua relação com o boi-bumbá desde pequena?
Minha relação com o boi-bumbá começou na escola, na verdade. Eu lembro que a minha escola apoiava muito a arte e a cultura. Eu sempre fui completamente envolvida com música e com teatro, desde a barriga da minha mãe, com a minha família. Só que na escola eu descobri o boi-bumbá porque teve uma apresentação de festa junina e eu fui escolhida, acho que eu tinha seis, sete anos, para ser a Cunhã-Poranga. E eu fiquei muito encantada com as cores, com a sonoridade, de como os cantores das toadas cantavam aquilo com aquela voz potente, aquela força, aquela coisa que se conectava com os sons da natureza e as danças tribais também. E a partir dali eu fui tendo esse estudo maior, né? Mesmo pequenininha, eu lembro de cantar. Não sou Garantido nem Caprichoso, não sou, sou ‘Garanchoso’. Nunca escolhi um dos bois, né? Mas eu sou completamente encantada pela beleza dos dois, pela beleza da torcida. E isso ficou muito guardado em mim, assim, desde que eu fui a Cunhã-Poranga, na minha festa junina, quando eu tinha seis anos.
Já esteve em Parintins antes? Se sim, como foi?
Nunca estive em Parintins, acredita? A primeira vez que eu vou já vai sendo com esse convite maravilhoso de fazer um show na Festa dos Visitantes. Sempre foi um desejo muito grande, tanto que antes de ser convidada eu já estava me preparando para ir a Parintins este ano. Eu ia no ano passado também, só que acabei entrando num trabalho, que foi o ‘República Lee’, que estreou em São Paulo ano passado, então eu não consegui estar. Já estava me preparando para ir esse ano quando recebi o convite, então é uma emoção muito grande de viver esse festival dessa forma. Me sinto muito honrada, muito grata e eu acho que vai ser mágico. Só pelos vídeos que eu vejo, pelo estudo que a gente faz, dá pra ver que é mágico. Lá deve ser uma energia muito potente, então estou bem animada para ir.
Você está prestes a vir para Manaus com o seu musical sobre a Rita Lee. Como se sente apresentando esse trabalho para os seus conterrâneos amazonenses?
Eu acho que esse sonho de levar um projeto idealizado por mim, com as músicas da Rita Lee, que é a minha maior inspiração, comigo estando no elenco junto com artistas que eu admiro demais, que estão muito animados para conhecer Manaus, conhecer o Teatro Amazonas, é um sonho que eu nem sei se eu imaginaria, se eu sonharia nessa vida de tão emocionante e perfeito que é. Mas vai acontecer e eu tô muito orgulhosa, porque o Teatro Amazonas foi um dos primeiros teatros em que eu pisei e que eu me apresentei na minha vida. Estar voltando lá agora dessa forma, para mim, é uma forma de retribuir ao meu estado, à minha cidade, todo esse impulso que eu sempre tive de cultura, de inspiração. Eu acho que vai ser muito emocionante, eu acho que o público vai refletir, vai rir, vai se divertir, vai se emocionar, vai chorar. Espero que quem for assistir saia pelo menos um pouco mudado do teatro, porque eu acho que é isso que a arte faz. Ela muda, ela ressignifica e Rita Lee, com suas letras e com suas canções e com sua história de vida, é uma inspiração imensa para todo mundo, mas principalmente para quem é artista, então… é isso. Muita emoção e eu não vejo a hora de chegar os dias 12 e 13 de julho.
O que você mais gosta de fazer quando está em Manaus? Quais lugares gosta de visitar e o que gosta de comer?
A primeira coisa que eu faço quando chego em Manaus é visitar a minha família, principalmente os meus avós. que são minha saudade diária, meus pais, meus tios, minha família. Só que logo depois disso, eu confesso que eu vou direto pra culinária, que é uma das minhas maiores saudades também, porque não tem jeito. Aqui no eixo Rio-São Paulo tem até alguns restaurantes que são de chefes muito bons, que fazem a nossa culinária, mas não tem nada igual você comer um tambaqui frito em Manaus, você comer um x-caboquinho em Manaus, tem um gosto diferente. As primeiras coisas que eu faço são isso, visitar minha família e já comer tudo que eu posso, que eu sinto saudade. Açaí, tambaqui, peixe frito, tacacá. Tudo isso é a primeira coisa que eu faço, porque eu realmente sinto muita falta.
Já tem algum roteiro programático dos lugares nos quais você vai levar seu elenco pra visitar? Se sim, quais?
Já sim, temos um roteiro em mente. Eu quero muito que eles visitem o Rio Negro, o Encontro das Águas, para mim é um dos pontos turísticos mais emocionantes do nosso Amazonas. Ver os botos também e levar eles nos pontos de culinária local para que eles possam conhecer e se deliciar com a nossa cultura, com a nossa culinária, que, modéstia à parte, para mim é uma das melhores do Brasil, se não do mundo, mas é porque vem muito do meu coração, né? Vem da minha raiz, mas eu tenho certeza que eles vão amar também.
Você fez uma música exaltando suas raízes chamada ‘Meu Norte’. Para você, qual a melhor parte de ser amazonense?
Essa pergunta até me emociona, porque, assim como eu digo na música ‘Meu Norte’, tem uma frase que eu amo, que é assim: ‘Se eu sei meu norte, a sorte me ajuda’. Essa frase fala muito sobre você ter para onde voltar, não importa onde eu esteja no mundo, meu coração é de lá. Meu coração é de Manaus, sabe? Meu coração é da floresta, é desse encanto. Por isso que eu falo tanto da encantaria, porque eu realmente acredito que o amazonense é um povo encantado. Tem uma coisa diferente ali, tem um ‘molho’, tem uma felicidade, um encanto com a vida, um encanto com as pessoas. A forma que a gente trata as pessoas é diferente, e a forma que a gente segue os nossos sonhos também. Então a gente tem raízes, a gente tem ancestralidade, a gente tem uma cultura riquíssima que deve e precisa ser celebrada, além de resistir. É muita felicidade para mim, eu tenho muito orgulho. E agora com esses dois projetos, com o show e com a ‘República Lee’, poder estar voltando para minha terra e fincando as raízes lá, é uma emoção muito grande. Eu daqui desse lado tenho trabalhado muito para poder entregar o meu melhor possível de volta para minha terra, para o meu Amazonas e é isso: muita felicidade, muita emoção e vamos que vamos!