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Diretor e elenco falam sobre ‘O Último Azul’

Novo filme de Gabriel Mascaro teve pré-estreia em Manaus, na última semana

Publicado em 01/09/2025 às 16h56
Diretor e elenco falam sobre ‘O Último Azul’
Foto: Junio Matos/A Crítica

A espera acabou: na última quinta-feira (28), os cinemas de todo o Brasil receberam a estreia do aguardado “O Último Azul”, novo filme de Gabriel Mascaro (“Boi Neon” e “Divino Amor”) que venceu o Urso de Prata, no Festival de Berlim, e conta, em seu elenco, com diversos atores amazonenses, como Adanilo, Rosa Malagueta, Wallace Abreu e Júlia Kahane.

Filmado em Manacapuru, Novo Airão e Manaus, o longa teve, na última semana, uma pré-estreia com parte da equipe e estrelas de “O Último Azul”, na Rede Cinepólis – e, é claro, o A CRÍTICA foi convidado para conferir o superevento.

Na trama, um Brasil distópico possui uma política de exílio forçado contra seus idoso. A ideia é permitir que os jovens possam produzir sem se preocupar com os mais velhos, assim, o governo transfere esse grupo para colônias habitacionais onde eles possam “desfrutar” de seus últimos dias de vida. É aí que entra em cena Tereza, uma mulher de 77 anos que mora numa cidade industrializada na Amazônia.

Quando chega sua hora e ela recebe um chamado do governo para abandonar sua casa, a idosa busca realizar seu último desejo e embarca numa viagem pelos rios e afluentes da região, sem imaginar que isso mudará a sua vida para sempre.

Conforme Gabriel Mascaro, a Amazônia serve não somente como cenário para o longa, mas também surge como uma espécie de personagem. “A escolha pela Amazônia foi natural, quando comecei a ter o desenvolvimento do argumento. É um filme sobre o embate entre o estado desenvolvimentista, que, em nome da produtividade, vai isolar e alienar o idoso na sociedade, para que os jovens possam produzir mais, sem se preocupar com os mais velhos. E aí, o filme começa, na verdade, com uma linha de produção de carne de jacaré”, revelou o diretor à equipe do BEM VIVER TV.

“O que eu tento é mostrar, no primeiro momento, a Amazônia que foge um pouco do imaginário idealizado dela [da Amazônia], seja da pobreza ou do cenário idealizado que se constrói sobre a região. Tento mostrar uma Amazônia mais complexa”, acrescentou Mascaro.

A história de “O Último Azul” teve como ponto de partida a avó do diretor, que, aos 80 anos, ressignificou o luto ao começar a pintar. “Vivi com ela durante muito tempo e, em um momento da vida que meu avô morre, minha avó começa a pintar, ressignifica a vida por completo. Aquilo me inspira como centelha para começar a pensar nesse filme”, revelou.

Ele comenta que a avó não quis assistir ao longa por meio de link, no Festival de Berlim, e preferiu esperar a estreia nos cinemas nacionais para conferi-lo. “Tivemos uma estreia em Recife e ela conseguiu assistir na tela grande. É uma alegria muito grande poder, finalmente, mostrar a ela”, concluiu.

Protagonista

Apesar de ambientado em uma distopia, “O Último Azul” lida com diversos temas bastante recorrentes em nossa sociedade, como o envelhecimento, a liberdade e a resistência. Intérprete da protagonista Tereza, Denise Weinberg falou sobre o desafio de dar vida à trajetória da nossa heroína.

“Quando li o roteiro, eu disse para o Gabriel: ‘Quero fazer, quero fazer’. Porque é um tema muito importante e que estou no meio [dele]. Como dizem hoje em dia, tenho lugar de fala”, brincou Weinberg.

De acordo com ela, o filme irá gerar muitas discussões e ajudar a aliviar muitas famílias. “O Gabriel [Mascaro] tem um olhar extremamente generoso com o envelhecimento, pois o filme é inspirado na avó dele”, completou a intérprete de Tereza.

Quando questionada se havia levado alguma característica sua para a personagem, a atriz não titubeou: “Tudo! Eu venho do teatro, venho de construção de personagem. Eu empresto coisas a ela e a Tereza me empresta coisas também, é uma rodovia de mão dupla. E a criação com o Gabriel foi extremamente interessante”.

Emoção

Um dos destaques de “O Último Azul”, Adanilo interpreta Ludemir, um homem que vive à beira do rio e ajuda Tereza em sua jornada, enquanto lida com seus próprios desafios. Durante a pré-estreia, ele se mostrou extremamente feliz com o fato do filme ter lotado, em plena terça-feira (26), duas sessões.

“É muito importante sermos reconhecidos aqui em Manaus. Principalmente porque, durante muito tempo, estivemos carentes dessa representatividade no audiovisual brasileiro. A gente espera que a nossa arte esteja difundida da mesma forma como a arte dos outros estados do Brasil”, frisou o ator.

“Estamos vivendo um novo momento do audiovisual brasileiro, com a conquista de ‘Ainda Estou Aqui’ no Oscar, fomos para Berlim também e vencemos o Urso de Prata, ‘O Agente Secreto’ saiu vencedor de Cannes… Agora, com um filme feito aqui, com tantos artistas daqui, é muito bonito e emocionante que a gente seja reconhecido aqui também”, finalizou Adanilo.