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Documentário da cantora amazonense Karine Aguiar será exibido em turnê pela Itália

Primeira sessão de exibição do projeto da amazonense será neste sábado (11), no Parco Gallo em Brescia

Publicado em 11/06/2022 às 18h05
Documentário da cantora amazonense Karine Aguiar será exibido em turnê pela Itália
Foto: Divulgação

Um concerto gravado no icônico cartão postal da cidade de Manaus – o Teatro Amazonas – e que tem como argumento fundamental a defesa da Amazônia e do meio ambiente, vem sendo assistido em muitas partes do mundo, inclusive na Itália. O documentário musical chamado “Jungle Jazz: uma sinfonia amazônica”, da cantora, compositora e pesquisadora amazonense Karine Aguiar, foi lançado em fevereiro deste ano em seu canal no Youtube. E, desde então, começou a despertar interesse no público italiano para a exibição em formato “Meet and Greet” com a presença da artista e do maestro italiano Antonio Giacometti – responsável pelos arranjos feitos para as orquestras do projeto.

Diante da repercussão, o documentário terá sessões de exibições na Europa – a começar pela Itália. A primeira será neste sábado (11), às 18h, no Parco Gallo, em Brescia. A próxima será no dia 1 de julho na cidade de Modena. “Como estou indo agora em julho a Manaus para um concerto no Festival Amazonas Jazz e também para defender meu doutorado, devo ficar três meses no Brasil e retomaremos a ‘turnê’ de exibição desse filme em novembro, começando pela região de Veneto na Itália. Também já temos convites para exibir na França”, revela Karine.

As exibições com a presença de Karine e Giacometti terão um momento de discussão com a plateia, em formato de mesa redonda, onde as pessoas poderão satisfazer todas as suas curiosidades. “O italiano e o europeu em geral têm muito essa apreciação pelo processo de produção da arte e, nesse caso, a curiosidade é ainda maior por ser um concerto gravado no coração da floresta amazônica, com uma orquestra e um coro de jovens músicos amazonenses e mais os mestres da tradição oral, que viajaram de barco desde Maués até Manaus para cantarem no palco do Teatro Amazonas comigo e contarem suas histórias ao público presente”, comenta Aguiar.

O documentárioSegundo a artista, o projeto inicialmente foi pensado para ser seu 1° DVD. “Mas acabou tomando a forma de um documentário musical, pois não segue a narrativa tradicional de um show/concerto gravado”, explica ela. A idealização de um DVD fora do formato tradicional surge com o cineasta amazonense Henrique Saunier Michiles – o diretor geral do projeto. 

“Percebemos que havia um lastro de informações extra-musicais muito importantes que não poderia ser negligenciado, como por exemplo, a minha trajetória enquanto pesquisadora e os tantos anos de colaboração que estabeleço com os mestres da tradição oral do Gambá de Maués. Esse filme é também parte da minha pesquisa de Doutorado em Ecomusicologia pela UNICAMP (que estou prestes a defender) e traz uma reflexão sobre as contradições entre floresta e cidade, o rural e o urbano, o local e o global na Amazônia”, ressalta Aguiar. 

Causas ambientais

Karine entende que seu envolvimento nas ações do Earth Day (Dia da Terra) na Itália foi o que acabou despertando o interesse das pessoas em relação ao documentário. “Sobre o processo de produção, dentre outras coisas, por exemplo, como eu e o maestro Giacometti nos conhecemos sendo ele um italiano e eu uma artista da Amazônia, sobre a minha relação com as populações ribeirinhas, indígenas e quilombolas”, diz ela. 

Mais de 100 profissionais amazonenses estiveram envolvidos neste projeto, que foi possível graças ao edital Prêmio Manaus de Conexões Culturais da Manauscult e o apoio irrestrito da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa. “Além desses dois apoios que foram o esteio desse projeto, tive também a colaboração generosa da Rede Calderaro de Comunicação e do IDESAM, que é uma ONG de apoio socioambiental à proteção da floresta e de suas populações originárias, que tem realizado um trabalho seríssimo aqui no nosso Estado e, especialmente, em Maués”, destaca a cantora.

O filme também mostra as belezas naturais do Estado. “Isso deixa as pessoas com a maior vontade de vir conhecer nosso Amazonas. É também uma ode a tudo o que temos de mais bonito, principalmente, uma ode ao nosso povo que tem tanto pra ensinar pro mundo. É um material que, naturalmente, mostra Manaus e o Amazonas pro mundo a partir do nosso olhar como artistas locais e do nosso protagonismo também, pontua.

A situação de perigo crescente na qual se encontram a Amazônia e as populações originárias tem sido motivo de muita preocupação na Europa, diz Karine. “Com nosso projeto da sinfonia amazônica, as pessoas têm sentido um despertar ainda maior para esse tema. A arte tem esse ‘soft power’ que nenhum outro instrumento discursivo tem e é capaz de criar grandes revoluções”.

Projetos futuros

Karine Aguiar vive atualmente na Itália. No momento, a artista se dedica à finalização do doutorado em Ecomusicologia pela UNICAMP, onde desenvolveu uma pesquisa que trata da relação entre meio ambiente, música e cultura nos grupos do Gambá de Maués.

Em junho, a cantora participa da International Society for Music Education Conference, apresentando um paper sobre suas pesquisas com o Gambá de Maués e, logo menos, também vai sair um capítulo que ela escreveu em parceria com a University Of Plymouth, no Reino Unido, também sobre as pesquisas em Maués.

Em julho, ela volta a Manaus para fazer um show no Amazonas Green Jazz Festival no dia 23/7, e para cumprir outros compromissos da agenda.