Felipe Goifman lança livro sobre a imigração de judeus marroquinos para a Amazônia
Lançado recentemente no Rio de Janeiro, o “Hakitia - Amazônia Hebraica” é o terceiro de uma série de cinco livros
A história da imigração judaica para o Brasil está documentada numa série de livros e filmes do escritor, fotógrafo e documentarista mineiro Felipe Goifman. Lançado recentemente no Rio de Janeiro, o “Hakitia – Amazônia Hebraica” é o terceiro de uma série de cinco livros, e trata da imigração de judeus marroquinos para a Amazônia – que completa dois séculos. A obra será vendida nas grandes capitais como RJ, São Paulo, Belo Horizonte, Belém e Manaus. Paralelo ao livro, o documentarista também produziu o curta-metragem “Amazônia Hebraica – O Rio dos Cohen”. O filme está disponível no canal do Youtube (Felipe Goifman).
Esse é o oitavo livro escrito por Felipe, sendo o terceiro com temas judaicos. “Já tenho um sobre o Rio [de Janeiro], Pernambuco… Cada um, em uma época. Eu tento contar a história do Brasil a partir da imigração judaica, que passa pela inquisição em Portugal, todo o período colonial, e a imigração livre que começa na Amazônia. E, de Belém, eles vão subindo, passando por Santarém, Óbidos, Parintins, Manaus e todas as outras cidades importantes da Amazônia”, resume Felipe, acerca do assunto da obra, que conta com 180 páginas.
O livro traz uma diversidade em fotografias, e textos curtos. “Eu tento dar um panorama geral em forma de crônica. Me esforcei muito pra fazer um texto leve, não acadêmico, que leve o leitor a sensação de estar na Amazônia. Eu conto toda a saga da imigração judaico-marroquina, mas é claro que os momentos fundamentais são quando ela se inicia, e os motivos que levam a essa imigração; e o auge da borracha, que aí cresce muito né!? Esse é o momento crucial da imigração, porque além dos sonhos da floresta, das chamadas drogas do sertão, de todos esses produtos, a borracha se tornou um grande ‘commodities’ do início da era do automóvel. Até piratearem a borracha pra Malásia”, destaca Goifman.
Viagens pela Amazônia
Para que fosse possível escrever o livro e produzir o curta-metragem, Felipe veio à Amazônia quatro vezes. Foram, no total, 80 dias numa imersão pela região amazônica. “Além do trabalho de campo, tem muita pesquisa. Eu fiz um filme em paralelo, e a partir dos depoimentos que eu colhi pra fazer esse filme, vou criando o texto”, explica ele.
“[As viagens] me lembram Julio Verne, mas no entanto a Amazônia parece um barco infinito construído de verde. Uma natureza que pulsa tão forte dentro da gente, que quando saímos da floresta, sentimos o efeito inverso de ficarmos mareados sem a presença do mato, da água, dos ruídos, cheiros e do balançar sem fim dessa terra, meio navio, meio ilha, essência vital nesse nosso planeta em risco”, complementa.
Sobre Felipe
Felipe Goifman virou fotógrafo profissional ao participar, em 1987, de uma exposição na Funarte chamada “10 jovens da fotografia brasileira” (junto com Marcelo Tabach, Masao Goto Filho e tantos outros). O trabalho era sobre os judeus do Bom Retiro em SP. A partir desse dia, ele passou a mergulhar na cultura brasileira, fazendo livros sobre a Ilha do Mel, o Rio de Janeiro, Maranhão, até começar a pesquisa sobre a imigração dos judeus para o Rio e o trabalho sobre a formação da comunidade judaica carioca e as sinagogas da cidade em 2008.
Destaque
Os próximos projetos são sobre os judeus do sul (Rio Grange do Sul, Paraná e Santa Catarina, além de Argentina e Uruguai), uma imigração que começou a partir das colônias agrícolas que o Barão Hirsch financiou em Santa Maria (RS) e em Moses Ville (Argentina) para ajudar os judeus a fugirem dos ‘pogroms’ (perseguições) da Europa Central. E também sobre a imigração para São Paulo.