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Festival Afro Amazônico abre espaço para comunidade LGBTI+ em Manaus

Tradicional evento de final de ano, que remonta à tradição de mais de 60 anos, acontece de 28 a 31 deste mês na Praia da Ponta Negra

Publicado em 17/12/2019 às 11h50 · Atualizado em 10/03/2022 às 21h16
Festival Afro Amazônico abre espaço para comunidade LGBTI+ em Manaus
Foto: Arquivo/A Crítica

As areias e águas da praia da Ponta Negra serão o palco natural, de 28 a 31 deste mês, de mais um Festival Afro Amazônico de Yemanjá 2019, evento que é organizado pela Articulação Amazônica de Povos Tradicionais de Matriz Africana (Aratrama) com realização da Associação de Desenvolvimento Sócio-Cultural Toy Badé.

Tradicional, este ano ele passará a contar com um dia a mais, passando de três para quatro dias e sendo ainda mais diverso: além do sincretismo religioso, das músicas e atividades relacionadas ao povo negro, que faz o convite para todas as raças e credos, a comunidade LGBTi+ também foi abraçada e novamente contará com um espaço próprio com direito a DJs e muita animação.

O coordenador geral da Aratrama, pai Alberto Jorge, detalhou que o evento será dividido em quatro subeventos. A abertura do Festival Afro Amazônico de Yemanjá será com o “Pré-Rèveillon da Diversidade”, com a ampliação do espaço destinado aos LGBTs, com áreas para esporte LGBTi+, apresentação de DJS e brincadeiras no palco sem perder o espaço da sacralidade. Tudo a partir de 15h.

“Vamos ter a presença das iniciativas ‘Vale dos Homossexuais’, ‘Tá Boa Bonita’ e ‘Miga Sua Louca’ pra ‘varar’ a madrugada e amanhecer o domingo. Alguns nos acusam de organizar uma ‘parada LGBT da macumba’. Por outro lado, a reação da parcela LGBT está sendo muito positiva por meio das redes sociais, numa adesão fantástica. Será um espaço 0800, com qualidade de som e segurança onde não haverá preocupação com homofobia, agressões e tudo mais, numa área fechada e com empresa de segurança contratada. A iniciativa é um fato inédito”, disse alberto Jorge.

Mais

No dia 29 é a vez do “Pré-Reveillon da Cultura Negra”, com roda de candomblé e, após, demonstrações de capoeira e maculelê e apresentação de escolas de samba, grupos de pagode e hip hop, além da presença de artistas e de outras expressões da cultura negra. “Yemanjá vai abraçar todos os seus filhos, e nesse dia a parte da sacralidade não será atingida pois o palco será deslocado, dividindo o espaço sagrado do profano”, destaca o coordenador da entidade Aratrama.

Já no dia 30, véspera de Rèveillon, acontece a “Noite da Ancestralidade”, com as tradicionais oferendas e homenagens dos terreiros às suas divindades. “É quando há o maior fluxo de terreiros fazendo suas oferendas e obrigações. E será apenas e tão somente com apresentações de palco voltadas à sacralidade”, destaca o coordenador-geral da Aratrama.

E no dia 31, último dia do ano, a partir das 20h entra em cena o “Rèveillon da Diversidade”, abarcando todas as culturas e religiões num grande congraçamento em prol da paz entre os povos e oferecendo uma programação diversificada. O Festival conta com apoio da Prefeitura e Governo do Estado e será dotado de praça de alimentação e preços acessíveis, informa a organização do evento.

Desmonização

Alberto destaca que fazer oferendas e obrigações na praia da Ponta Negra em finais de ano é uma tradição que existe há mais de 60 anos naquela área da capital amazonense.

Segundo ele, eventos como o Festival Afro Yemanjá ajudam no processo atual de desmonização da cultura afro, “na retirada da imagem de demônio, que não somos aberrações”.