Festival LABVERDE apresenta: O Amanhã é Agora
Totalmente online e gratuito, o evento celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente com shows, dança, mostras de arte e fotografia, performances e palestras que transitam entre o passado profundo e o futuro próximo da Amazônia
Com o tema O Amanhã é Hoje, a segunda edição do Festival LABVERDE une arte, natureza, ciência e saberes ancestrais produzidos na (e a partir da) Amazônia, entre os dias 02 a 05 de junho. Totalmente online e gratuita, a programação celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente (05 de junho) com shows, dança, mostras de arte e fotografia, performances e palestras, transmitidos pelo Youtube do Festival.
Uma fina linha entre passado e futuro conecta os trabalhos artísticos selecionados para integrar o Festival. Colagens para retratar o genocídio indígena diante de doenças e epidemias. Um vídeo em homenagem à árvore mais antiga da Amazônia e seu lento processo de extinção. Uma dança ao ar livre, para refletir sobre a destruição. Um ensaio fotográfico que convida a pensar sobre novas possibilidades para a Amazônia. Desenhos mostram o que uma espécie de formiga tem a ensinar sobre a interdependência homem-floresta.
A programação conta com nomes como o músico e produtor musical Nelson D (AM), a multiartista Aura (PE), o artista antropófago Denilson Baniwa (AM), a artista visual Moara Tupinambá (PA), a cantora e compositora Anne Jezini (AM), a fotógrafa da Amazônia Negra Marcela Bonfim (SP), a cantora e primeira jornalista indigena formada no Estado do Amazonas Djuena Tikuna (AM) e o escritor e professor indígena Daniel Munduruku (PA).
A curadoria é assinada pela curadora de arte, especialista em políticas culturais e idealizadora do festival, Lilian Fraiji. De acordo com Lilian, a proposta do evento é fazer um passeio entre a memória, o presente, o que se pode prever para um futuro próximo, e o que se deseja ver e ter no horizonte longínquo da floresta. “A situação de pandemia, a disputa de terra, a opressão dos povos indígenas e as queimadas que castigam a natureza e afetam o país econômica e politicamente, tornam ainda mais urgente a tarefa de imaginar o futuro e propor caminhos para as diversidades humana e não humana da Amazônia.”, avalia Lilian.
PROGRAMAÇÂO
02/06 (QUARTA-FEIRA)
19h – Iara
Artista: Invisible Flock
19h30 – Amazônia Tempo Profundo
Palestrantes: Daniel Munduruku e Carolina Levis
Mediação: Lilian Fraiji
20h30 – Nelson D (show)
03/06 (QUINTA-FEIRA)
19h – Taoca
Artista: Renata Cruz
19h30 – Subverter o presente e resistir ao tempo
Palestrantes: Mario Cohn-Haft e Denilson Baniwa
Mediação: Lucy Souza
20h30 – Performance artística
Artista: Aura
04/06 (SEXTA-FEIRA)
19h- Yuíre
artista: Moara Tupinambá
19h30 – Pandemias, epidemias, doenças tropicais e o ciclo de eterno retorno
Palestrantes: João Paulo Barreto e Márcia Castro
Mediação: Rita Mesquita
20h30 – Fantasmas da Floresta
Artistas: Iara Costa e Marcus Maeder
05/06 (SÁBADO)
19h – Ver o Tempo
Fotógrafos: Alberto César Araújo, Bruno Kelly, Marcela Bonfim, Paula Sampaio e Rogério Assis.
19h30 – Sonhos Coletivos e a Expansão do Amanhã
Palestrantes: Charles Clement e Paulina Chamorro
Mediação: Flávia Delgado Santana
20h30 – Show de encerramento
Artistas: Anne Jezini e Djuena Tikuna
Queimadas, desmatamento, especulação do agronegócio e de mineradoras, o genocídio dos povos originários
Talvez este seja o tempo mais oportuno para abrirmos as janelas do conhecimento e vislumbrar novos horizontes para além da matriz do pensamento cartesiano, iluminista, eurocentrista. Deixando para trás o conceito da centralidade humana, que se apresenta cada vez mais falido, ultrapassado. O pensamento contemporâneo, o conhecimento que nos coloca no presente e no futuro é múltiplo, pautado justamente na fusão do saber ancestral e científico, em que os povos originários e o homem ocidental dividem o centro com os não humanos, com a Natureza.
Imerso no conceito da sustentabilidade e da coexistência, o Labverde propõe através da conexão entre Arte, Natureza e Ciência um novo olhar e uma nova proposta para se pensar o mundo. Em meio à floresta Amazônica, tal proposta vem sendo elaborada desde o início da criação do programa em parceria com o Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), juntamente com pensadores, pesquisadores, cientistas, artistas e ativistas. A partir de uma vivência profunda e sensível busca-se estabelecer pontes entre a ciência e os saberes ancestrais para entender os impactos sofridos na Amazônia nos últimos anos e todas as mudanças e colapsos ambientais em todo o planeta.
Nesta segunda edição do Festival Lavberde – ‘O Amanhã é Agora’ -, a curadora Lilian Fraiji reúne um time de profissionais atuantes na questão ambiental para debater soluções acerca de temáticas urgentes como ‘O passado profundo da Amazônia e as variadas dimensões temporais da vida, a integração de saberes enquanto resiliência do tempo presente, o impacto da pandemia e das doenças tropicais no colapso da Amazônia, o futuro da Floresta enquanto construção coletiva. A cada encontro, diálogos vão se construindo a partir de diferentes modelos de conhecimento, dos ambientes formais e informais. Daniel Munduruku (filósofo), Carolina Lévis (bióloga), Lilian Fraiji (curadora), Mario Cohn-Haft (ecólogo), Denilson Baniwa (artista), Lucy Souza (paleontóloga), João Paulo Barreto (antropólogo), Márcia Castro (demógrafa), Rita Mesquita (ecóloga), Charles Clement (agrônomo), Paulina Chamorro (comunicadora de ciência) e Flávia Delgado Santana (ecóloga) compartilham seus saberes, moldados a partir de suas lutas e práticas pessoais, em busca de uma nova forma de compreender e de se relacionar com o mundo.
“O encontro entre os saberes das diversas áreas é como o funcionamento da própria floresta, uma interconexão constante. Esse entendimento da coexistência de saberes e modos de viver que a floresta nos ensina entendendo que se apresenta como a possibilidade de seguirmos vivendo por aqui . Por isso acredito que quebrarmos as barreiras entre os saberes, a monocultura do conhecimento, as especialidades que conversam apenas entre si, é uma ação urgente tanto para gerar conhecimento como para sua divulgação”, comenta a artista Renata Cruz, que apresentará a obra TAOCA, no dia 03, às 19h.
O Festival conta com o apoio do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e tem o patrocínio da Serrapilheira, instituto voltado para a produção de conhecimento e divulgação da ciência no Brasil, Programa Pontes de fomento à cultura, uma parceria entre o Oi Futuro e o British Council para promover novas alternativas de incentivo às residências e festivais brasileiros, e programa Coincidência pro-Helvetia Suíça.
Sobre Lilian Fraiji
À frente do projeto, Lilian Fraiji tem uma relação peculiar com a floresta. Cresceu em Manaus, em contato próximo com a natureza, mergulhando no rio, e internalizando os saberes dos povos originários, ao mesmo tempo que recebeu influências da cultura contemporânea. Lilian é especialista em Gestão e Políticas Culturais pela Universidade de Barcelona e Mestre em Curadoria e Práticas Culturais pela Universidade Ramon Llull, na Espanha. Foi curadora de exposições de arte envolvendo temas relacionados à ecologia, incluindo “Paisagens Invisíveis” (Galeria Stand4 NYC), “Como falar com as árvores” (Galeria Z42-RJ) e “Irreversível”(Paiol da Cultura Manaus).
Sobre o LABVERDE
Arte, Natureza e Ciência são objeto de estudo dos participantes do programa, que embarcam em uma imersão em reservas ambientais dentro da maior biodiversidade do mundo: a Amazônia. O LABVERDE é um convite à desconstrução, ao auto-desconhecimento na busca por um novo entendimento, um novo pensar de mundo a partir de uma vivência profunda dentro da floresta.
O ano era 2013 e ali começava o retorno da curadora de arte e especialista em políticas culturais Lilian Fraiji para sua casa, para a sua infância, num reencontro com aquele que havia sido o quintal onde se formou entre rios, árvores milenares, seres minúsculos, cobras e pássaros. Foi a partir de um edital da FUNARTE que Lilian desenhou o Labverde – Projeto de Imersão Artística na Amazônia, unindo a sua paixão pela arte e o seu desejo de adentrar o mundo da Ecologia e Ciência. O programa surgiu como uma rede multidisciplinar para desenvolver o pensamento crítico sobre a natureza e a ecologia, a partir da experimentação de linguagens, onde a floresta é o grande laboratório vivo para a pesquisa de artistas, cientistas, ativistas da natureza e outros agentes do conhecimento.
Com um programa desenvolvido em colaboração com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), a idealizadora conta também com uma rede de profissionais de áreas diversas – arquitetura e urbanismo, biologia, botânica, ecologia e música – para a elaboração das jornadas, que visam oferecer aos participantes diferentes perspectivas da Floresta Amazônica entre expedições, rodas de conversas e intervenções artísticas.
Em 2015, depois de Lilian Fraiji receber o convite para apresentar o Labverde entre quinze curadores de arte, em Nova Iorque, despertou o interesse de um público estrangeiro, cada vez mais curioso sobre a Amazônia para além do imaginário amplamente divulgado até então. Internacionaliza o programa e passa a receber o apoio de instituições parceiras como a UAL (University of the Arts London), GALA e Pro Helvetia (Swiss Art Council), além das brasileiras Serrapilheira e Arte Laguna. Desde a sua criação, o Labverde já recebeu cerca de 110 artistas de diversos países.
“O programa acabou se tornando uma referência em Ecologia no mundo. Muitas pessoas vêm nos procurar e estamos pautando essa discussão aqui dentro no Brasil. A Amazônia sempre foi marginal e eu me nego a aceitar isso. Acho que estamos no centro do mundo. Se toda essa discussão em torno do meio ambiente está acontecendo, nós é quem temos condições de dizer qual é o novo modelo possível de viver. Estamos pautando cultura, conhecimentos sobre Ecologia e Meio Ambiente”, diz Lilian.
“Dimensões diferentes do conhecimento, que se dão a partir de uma observação atenta sobre o funcionamento da floresta, sobre como essa biodiversidade se mantém e se fomenta, da relação com o ambiente natural e com os não humanos, da intuição que vai se revelando a partir da observação. Entender a coexistência como parte importante do processo poético e de pesquisa de linguagem. É isso o que tentamos transmitir no Labverde”, completa a curadora.
Natureza é Cultura, e de uma convivência íntima com ela descobre-se um outro tempo. A natureza humana e não humana em plena conexão. A floresta como laboratório, na busca de compreender o meio ambiente pensando em possíveis futuros. O programa Labverde acontece anualmente. A edição de 2021 foi adiada para 2022 em decorrência da Covid-19. A documentação dos encontros anteriores (2013 / 2016 / 2017 / 2018 e 2019) está disponível no site.
Festival LABVERDE: https://www.labverdefestival.com/
Programa LABVERDE: https://pt.labverde.com/
Instagram: https://www.instagram.com/labverde/
Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCuh-6niPmWD5c72wYdGr7ag/feature