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Finalista no Prêmio Jabuti Acadêmico

Hadna Abreu está entre os cinco selecionados em uma das premiações mais importantes do país com o livro ‘Ariá’​

Publicado em 27/07/2025 às 21h00
Finalista no Prêmio Jabuti Acadêmico
Foto: Divulgação

A ilustradora amazonense Hadna Abreu está entre os cinco finalistas do Prêmio Jabuti Acadêmico 2025, uma das principais premiações literárias do país, organizada pela Câmara Brasileira do Livro. Ela concorre na categoria Ilustração com a obra Ariá: um alimento de memória afetiva, escrita por Eli Minev-Benzecry, que reúne elementos da cultura alimentar amazônica com forte apelo visual e simbólico.

O evento de premiação será realizado no dia 5 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, e Hadna já confirmou presença. Ela estará acompanhada da Dra. Noemia Kazue, pesquisadora de cogumelos da Amazônia pelo INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), com quem mantém uma parceria de trabalho como ilustradora há mais de dez anos.

Noemia, além de ser uma das principais incentivadoras da trajetória da artista, também é uma das organizadoras do livro e responsável pela inscrição no prêmio.

“Ela manteve a inscrição em segredo, eu não sabia de nada, então foi uma surpresa. Só descobri quando já estava entre os semifinalistas, ou seja, entre as dez ilustrações selecionadas. Foi um susto, eu realmente não esperava esse reconhecimento pelo meu trabalho. Estar entre os semifinalistas já era enorme pra mim, porque é uma competição muito acirrada, com trabalhos incríveis vindo de todas as partes do Brasil”, recorda a ilustradora.

Sobre o livro

Segundo Hadna, o que torna a obra especial é a forma como ela se conecta aos povos amazônicos e ao território. O livro foi criado a partir da sensibilidade do autor Eli Minev-Benzecry em homenagear a avó por meio do ariá, reunindo registros históricos, narrativas indígenas e usos do alimento em diferentes contextos, inclusive na culinária brasileira.


O livro foi criado a partir da sensibilidade do autor Eli Minev-Benzecry em homenagear a avó por meio do ariá, reunindo registros históricos, narrativas indígenas e usos do alimento em diferentes contextos, inclusive na culinária brasileira (Divulgação)

 

“O livro, acima de tudo, fala de território, da nossa casa”, destaca. Para ilustrar, ela precisou ouvir, pesquisar e buscar referências visuais quase inexistentes. “Eu e toda a equipe fomos montando um quebra-cabeça, onde, em meio às inúmeras tentativas, íamos chegando a um resultado que melhor representasse os objetos, as cenas, formas e cores”, explica.

Processo ilustrativo

O processo de ilustração para Ariá foi uma verdadeira imersão cultural e artística. Para Hadna, um dos maiores desafios foi absorver as diferentes narrativas e formas de conhecimento presentes nas conversas com a equipe liderada pela Dra. Noemia, que une pesquisa científica e saberes indígenas.

Para traduzir tudo isso em imagens, a artista optou por um estilo rústico, com cores terrosas e textura de lápis, inspirado nos esboços de Sílvio Barreto, um dos autores do livro.


A obra é escrita por Eli Minev-Benzecry (Divulgação)

 

Esse traço trouxe personalidade e profundidade às ilustrações, que foram criadas com muita emoção e atenção aos detalhes, refletindo o cuidado com a cultura e a memória afetiva do ariá.

“Ele fez alguns esboços dos objetos e me deu como referência. Foi daí que tive a ideia de trazer o traço rústico de lápis para dar textura e personalidade às ilustrações. Todas as ilustrações me emocionaram. Conforme tomavam forma, trabalhávamos os finos detalhes, corrigindo e alterando até ficar satisfatório e original”, destaca a ilustradora, que valoriza o tempo precioso dedicado ao processo.

“Um dos maiores desafios para o ilustrador é o tempo, que sempre é muito apertado para o quanto queremos entregar. Em uma ilustração do ariá maduro para a colheita, fiquei mais de uma semana lapidando a planta até que ficasse ideal para o livro. É um trabalho que exige paciência, escuta e responsabilidade na entrega”, complementa.

Arte e ciência

Com mais de dez anos unindo arte e ciência, Hadna vê na ilustração uma conexão única entre documentos científicos e o público. Segundo ela, “a informação da imagem colabora para uma melhor compreensão, aproxima o leitor e traz detalhes que nem mesmo a fotografia é capaz de destacar”. Esse diálogo entre ciência e cultura sempre foi parte fundamental do seu trabalho, fazendo da ilustração uma ferramenta essencial para divulgar conhecimento e expressar a cultura no mundo.

Expectativas e sonho

Ser finalista é motivo de muito orgulho para Hadna, que já se vê como uma campeã.

“Gosto de pensar que já ganhei o prêmio por estar entre os cinco selecionados. Houve critérios e tenho certeza que foi uma competição de alto nível. Então, já sou vencedora”.

Apesar disso, o sonho de trazer o Jabuti para a Amazônia permanece vivo.

“Acho que precisamos nos permitir sonhar, e de tanto sonhar, realizar. Vou aproveitar este momento e abraçar toda a energia positiva que tenho recebido por amigos e incentivadores do meu trabalho nas redes sociais, isso me move e isso eu já garanti.” Para ela, essa conquista vai além do pessoal: “Somos um povo cheio de talentos, de vida e riquezas. Se esse Jabuti vier, a floresta vai vibrar”.