Manaus sáb, 31 out
A Crítica
Entretenimento

Homenageando a força e espiritualidade dos orixás, Reino Unido entra na avenida impactando o público

Com o enredo “Êpahey, Reino Unido! Mojubá, Gbogbo Orixá!”, a agremiação presta uma homenagem às divindades das religiões de matriz africana

Publicado em 02/03/2025 às 05h39 · Atualizado em 02/03/2025 às 06h16
Homenageando a força e espiritualidade dos orixás, Reino Unido entra na avenida impactando o público
Foto: Paulo Bindá/A CRÍTICA

Nascido de um terreiro, o Grêmio Recreativo Escola de Samba (GRES) Reino Unido da Liberdade invade a avenida do Sambódromo  às 4h23 deste domingo (2), trazendo a espiritualidade e a força dos orixás. Com o enredo “Êpahey, Reino Unido! Mojubá, Gbogbo Orixá!”, a agremiação presta uma homenagem às divindades das religiões de matriz africana, celebrando sua origem, representatividade e fé. 

A escola, que tem a sua quadra instalada no bairro Morro da Liberdade, na zona sul de Manaus, traz para a avenida o batuque e o axé de seus ancestrais. A agremiação é a penúltima a entrar na avenida e promete emocionar o público com um desfile repleto de simbolismo.  


Foto: Paulo Bindá 

A Comissão de Frente vem saudando Exu, o senhor das comunicações, das encruzilhadas, interpretado pelo ator Demerson D’álvaro, convidado especial da Reino Unido este ano. Exu vem abrindo caminhos em uma “viagem” que começa na África e termina no coração da escola Reino Unido. 

O presidente da agremiação, Rangel Magalhães, destaca a conexão entre a Reino Unido da Liberdade e suas raízes africanas. 


Foto: Jeiza Russo 

“O Morro da Liberdade é uma pequena África dentro do Amazônia, a gente tem um terreiro de mãe Zulmira, então temos toda uma história de samba afro. Então, é isso que a gente está trazendo e agora com uma obrigação maior que é a de Exu abrir os caminhos para os orixás”, disse Rangel. 

Na concentração, a bateria “Furiosa”, um dos grandes orgulhos da comunidade, já dá o tom do desfile. No comando da ala rítmica, a rainha de bateria Geórgia Varela e a madrinha da Furiosa, Jéssica Viana, expressam a emoção de carregar essa tradição. 


Foto: Jorge Alberto ()

 

Geórgia não conteve as lágrimas e ainda na concentração já se emocionava com a sua escola do coração. “Muita coisa passa na minha cabeça, uma história aqui que eu construí vários anos com a nossa bateria. Essa escola que é a coroa da minha vida, então, passa um filme enorme e hoje só desejo que a minha escola brilhe, que a gente faça um campeonato grandioso como a gente sempre fez” disse Geórgia, emocionada.

O intérprete oficial da escola, Carlos Endryl, o Canarinho, com a voz já aquecida entoa o samba-enredo que ecoa pelo Sambódromo, exaltando os orixás e convocando a força espiritual da escola. Na arquibancada, a torcida canta junto e balança suas bandeiras, ao ver sua escola de samba entrar na avenida. 


Foto: Jeiza Russo 

 

“Ê Laroyê, Ê Mojubá, Alujá vai ressoar para a ancestralidade. África. Exuberante África. Tua nobreza única deságua na imensidão de Yemanjá. Forjado a ferro e fogo, Ogum, Ogunhê, o ouro de Mãe Oxum. Ora Yê Yê Ô. Atotô Obaluaê. Ervas de Ossain, Ossanhê. O rei de Oyó. É justiça e poder. Kaô Xangô, Kaô Kabecilê”, cantam os apaixonados pela escola do Morro.  

Com esse enredo poderoso e a energia contagiante de sua comunidade, o Reino Unido da Liberdade entra na avenida com garra para lutar pelo título do Carnaval 2025.