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Inscrições para evento voltado ao fomento da cadeia produtiva do setor audiovisual estão abertas

Mercado Audiovisual do Norte (Matapi) retorna ao formato presencial na próxima semana, entre os dias 21 e 24 de novembro, no Teatro Gebes Medeiros, Centro

Publicado em 16/11/2023 às 15h41
Inscrições para evento voltado ao fomento da cadeia produtiva do setor audiovisual estão abertas
Foto: Divulgação

“A Amazônia foi e ainda é muito registrada a partir de lentes estrangeiras”. Quem afirma é Clemilson Farias, um dos organizadores do Mercado Audiovisual do Norte (Matapi), evento voltado ao fomento da cadeia produtiva do setor, na região, que retorna ao formato presencial na próxima semana, entre os dias 21 e 24 de novembro, no Teatro Gebes Medeiros, Centro. 

Em sua 6ª edição, o Matapi contará com uma extensa programação de atividades, além da presença da secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura (MinC), Joelma Gonzaga. As inscrições seguem abertas, gratuitamente, pelo link matapimercadoaudiovisual.com.br.

Desde que iniciou a sua jornada, o evento tem como objetivo principal não somente contribuir na capacitação dos empreendedores amazônidas para a realidade do mercado audiovisual, mas também estreitar conexões entre as cadeias produtivas e promover a circulação dos produtos amazônicos em outras janelas de exibição. 

“Precisamos recuperar a nossa autoestima, pois há ainda muita gente que duvida dos seus próprios projetos, do quão potentes eles podem ser. Devemos fortalecer todas essas narrativas, dando ferramentas e instrumentalização, pensando na diversidade de histórias que são possíveis ser contadas e reverberadas”, completou Carlos Barbosa, também organizador.

De acordo com Clemilson, a Amazônia segue como o terceiro destino de filmagens estrangeiras produzidas no Brasil, estando atrás, somente, de Rio de Janeiro e São Paulo. “A Amazônia foi e ainda é muito registrada a partir de lentes estrangeiras. Um dos nossos grandes desafios, no momento, é viabilizar a produção e veiculação das nossas histórias contadas por nós mesmos. Neste sentido, temos de ampliar e fortalecer as nossas redes internas dentro das Amazônias, nós temos que nos conhecer e nos fortalecer”, explicou Farias.

OBSTÁCULOS

São grandes as barreiras que os produtores de audiovisual da Região Norte enfrentam, diariamente, para tirar do papel os seus projetos. Porém, segundo Clemilson, esse é um percurso que deve ser iniciado de maneira interna, por meio do fortalecimento do mercado audiovisual amazônico.

“Na Amazônia e na Região Norte, podemos dizer que não temos mercados de audiovisual/criativos construídos enquanto uma indústria estabelecida. No entanto, isso não significa dizer que não temos mercados e produções sendo feitas, muita coisa acontecendo. Um dos grandes desafios que temos é o fortalecimento de nosso mercado de forma produtiva e articulada em uma grande cadeia produtiva”, ressaltou o organizador do evento.

Para Carlos, esse cenário reforça a importância do Matapi para a cadeia produtiva nortista. “Desde a nossa primeira edição, buscamos nos dedicar ao diálogo constante com o setor audiovisual não somente da Região Norte, mas também realizando consultorias e estando em espaços e eventos de outros estados do Brasil, sendo convidados por organizações para apresentar dados sobre o mercado da região, para diálogos de conexão e para atividades de formação como oficinas e palestras”, pontuou Barbosa.

EDITAIS

Nesta luta pelo fortalecimento da cadeia produtiva do audiovisual nortista e pela retomada das narrativas amazônicas, duas ferramentas surgem como importantes aliadas para os produtores locais: os editais públicos e as novas políticas de incentivo à Cultura.

“Os editais públicos são fundamentais para a manutenção da cadeia produtiva do audiovisual e para a geração de talentos. São eles as portas de entrada para a profissionalização dos agentes e para a compreensão do mercado”, afirmou Barbosa.

Conforme Clemilson, no nosso atual modelo de produção audiovisual brasileiro, os incentivos públicos são primordiais para viabilização das produções. “No caso da grande maioria das empresas da Região Norte, que são pequenas e independentes, sem a política de editais, estaríamos quase que inviabilizados de produzir, pois a cultura do incentivo privado aqui ainda é muito tímida”, completou o organizador.