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Lembranças de outros carnavais

Foliões amazonenses relembram inesquecíveis momentos vividos em carnavais passados

Publicado em 20/02/2023 às 16h48
Lembranças de outros carnavais
Fotos: Arquivo pessoal

Os tradicionais bailes de carnaval que marcaram época na capital amazonense, entre as décadas de 1970 e 1980, deixaram saudades no coração daqueles que viveram momentos de muita alegria em cada um deles. O tempo passou, muita coisa mudou, mas as lembranças de histórias que marcaram a vida de tantos foliões permanecem.  

“Como não amar o Carnaval?” Quem pergunta é a empresária amazonense, Dodora Cavalcante, 62, uma eterna apaixonada pela temporada momesca. “Eu amo a alegria dessa época!”, diz ela, que quando jovem tinha uma relação ainda mais intensa com os dias de folia. “Eu estava em todos os bailes da cidade: Baile do Havaí, segunda-feira gorda de Carnaval, sábado no Ideal Clube. Depois de casada, frequentava as festinhas nas casas de amigos e os bailes infantis com as minhas meninas. Hoje, vendo carnaval no Bandeirão e decoro os bailes de Manaus. Ou seja, sempre estive super envolvida com essa festa que eu adoro”, comenta. 

Dodora guarda lembranças que marcaram a vida dela para sempre. “Minha mãe e meu pai não gostavam de carnaval, e quem nos levava para a maioria dos bailes eram os meus tios, já falecidos, Rene e Alfredo Ferreira Pedras. Sempre íamos a blocos, eu, minhas irmãs, primas e algumas amigas. Todas sempre com a mesma fantasia. E o melhor de tudo era escolher o modelo da fantasia, comprar os tecidos, provar na costureira e nos arrumarmos no dia da festa juntas. Momentos felizes que são inesquecíveis para mim”, recorda a empresária. 

Os bailes

Assim como Dodora, o amazonense Juca Semem, 60, também recorda os saudosos momentos vividos no Carnaval de Manaus nas décadas de 70 e 80. “Os bailes do Ideal Clube, Rio Negro, Atlético Clube e o Havaí do Olímpico foram bailes de muita emoção, muita alegria e uma reunião de amigos que se amavam, quase todos se conheciam. O baile de gala da segunda-feira gorda era o mais esperado. Tinha sereno para o público ver todos de black tie passarem na passarela”, relembra.

Juca também recorda que naquela geração, nem todo mundo tinha smoking e gravata borboleta. Mas, para entrar no baile do Rio Negro, tinha que estar devidamente trajado. O que eles faziam? “Uns entravam primeiro, iam pelo gradil e entregavam a gravata pra gente poder entrar. O Rio Negro era o mais esperado. E o que mais misturava classe de A a Z era justamente o baile do Havaí do Olímpico, lá dava gente de todo nível social e gerações. E, realmente, nós não temos mais esses bailes. Isso é triste. Hoje eu resgatei um público com o Bola Preta. A saudade era tão grande que eu mandei buscar o Bola Preta pra comemorar 100 anos em Manaus. E, hoje, a Feijoada do Bola Preta é um baile que traz a geração das décadas de 70 e 80”, celebra Juca. 

Memórias

A empresária amazonense, Adriana Cordeiro, 50, passou a infância e a juventude na Rua da Escola de Samba Balaku Blaku e recorda com carinho tudo que viveu naquela época. “Eu adorava assistir os ensaios na rua, reunia toda a vizinhança. Nossas mães (minha e dos meus colegas da rua Isabel) colocavam as cadeiras na calçada e ficavam ali reunidas e cuidando dos filhos. Foi uma época maravilhosa e muito divertida”, recorda. 

O pai de Adriana nunca permitiu que ela desfilasse na avenida, mas isso não era motivo de tristeza. “Eu ficava tão feliz de ver os meus vizinhos se arrumando e indo para o dia do desfile, que eu esperava – quando a escola desfilava cedo – o ônibus da escola voltar. Era uma festa de alegria e emoção. Esse ano fui convidada pra desfilar na Escola Reino Unido e, se Deus quiser, vou realizar esse sonho! Já fui no Carnaval do Recife, Olinda, Rio de Janeiro e Veneza. Sempre viajo nesse período”, celebra a empresária.