Mostra mineira exibe curta do Amazonas
"A preservação audiovisual brasileira é importante porque nos ajuda a entender quem somos", diz cineasta amazonense Henrique Amud, responsável por dirigir o filme selecionado para ser exibido na Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOp)
“Até o pior filme brasileiro nos diz mais que o melhor filme estrangeiro”. É com esta frase do historiador Paulo Emílio Salles Gomes que se encerra o filme de curta-metragem “sanc_pc1317_03_01_a_1 – versão 2”. Dirigida pelo cineasta amazonense Henrique Amud, de 38 anos, a obra cinematográfica em questão será exibida na Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOp), que inicia nesta quarta-feira (21), finalizando na segunda-feira, em 26 de junho.
A partir de sua 18ª edição, o CineOp objetiva fortalecer a perspectiva de que o cinema é um patrimônio histórico e oferece uma programação na qual constam centenas de filmes distribuídos em nove categorias: “Contemporânea”, “Homenagem”, “Preservação”, “Histórica”, “Educação”, “Valores”, “Mostrinha” e “Cine-Escola”.A produção audiovisual amazonense, conforme a curadoria do evento, pertence à modalidade “Contemporânea” e propõe uma reflexão a respeito da preservação de arquivos fílmicos no Brasil.
O curta-metragem surgiu em meio às inquietudes do diretor Henrique Amud, que trabalha, igualmente, como pesquisador de imagens de arquivo. Ao procurar, diariamente, inúmeras imagens em acervos ao redor do Brasil, Henrique se deparava com arquivos imagéticos, fílmicos e sonoros em processo de deterioração devido à má preservação e métodos precários de armazenamento.

O cineasta Henrique Amud e seu pseudônimo Hakaima Sadamitsu assinam a direção da obra cinematográfica (Foto: Divulgação)
“O que muita gente pensa que é inutilizável ou ‘lixo’, eu enxergo como algo belo. O ‘sanc_pc1317_03_01_a_1 – versão 2’ é realizado a partir desse princípio, e ele é uma homenagem aos acervos nacionais que estão inacessíveis. Existem restos da história brasileira guardados em amontoados de arquivos antigos e gastos. É preciso reconhecer a importância de a gente não perder a nossa memória e não deixar o que está no passado ser esquecido, porque se isso acontece, a gente se esquece da nossa cultura e da nossa história política. A preservação audiovisual brasileira é importante porque nos ajuda a entender quem somos desde lá atrás”, aponta o artista, natural de Manaus.
Acompanhado de textos difusos e manifestações sonoras abstratas, o filme “sanc_pc1317_03_01_a_1 – versão 2” possui, também, em seus créditos finais referentes à trilha, a presença de um pseudônimo de Henrique, Hakaima Sadamitsu. O cineasta recorre a Hakaima quando deseja lançar discos de música experimental.
Quando questionado a respeito da sinopse da obra, que se baseia na frase “o resto é ruído”, Henrique se apodera das subjetividades instrumentistas de Hakaima e de referências da literatura clássica de William Shakespeare.
“A sinopse ‘o resto é ruído’ é uma brincadeira com a frase de Hamlet, ‘o resto é silêncio.’ O filme é extremamente ruidoso, tanto visualmente, como em termos sonoros. Ruído é o mapa para encontrar esse filme, para ele ser feito e a razão de ele existir. Ele é um filme experimental, com o intuito de, realmente, experimentar, não só no que se relaciona à imagem e som, mas também ao público, na sala de cinema. É sobre como o ruído e a reação a ele é pessoal”.

A montagem de imagens fílmicas é de caráter experimental e pretende despertar experiências e sentimentos individuais nos espectadores (Foto: Divulgação)
O produto audiovisual se difere de convencionalidades em variados aspectos, principalmente no que diz respeito ao título. “O título do filme é proveniente da junção de nomes de arquivos que encontrei no período da pandemia. Além disso, ele tem uma versão produzida por completo na cidade de Manaus. Recriei parte do filme no Rio de Janeiro, para o meu trabalho de conclusão de curso, amplificando e fornecendo direcionamento político, um discurso de resgate de memória. O produto final corresponde a uma versão 2, de 2023, apresentada na Mostra Tiradentes e, agora, no CineOP”, afirma o diretor.
Saiba mais sobre o CineOp
A 18ª edição CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto acontece de modo gratuito e híbrido. As exibições das centenas de obras cinematográficas serão realizadas no Centro de Artes e Convenções e na Praça Tiradentes, no município de Ouro Preto (MG). Porém, além das sessões presenciais, existe a possibilidade de assistir a filmes na plataforma do evento: cineop.com.br.