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‘Mother’s Baby’ explora o lado inquietante da maternidade

Diretora Johanna Moder comenta thriller psicológico exibido na Berlinale e inspirado em experiências pessoais

Publicado em 08/03/2026 às 00h43
‘Mother’s Baby’ explora o lado inquietante da maternidade
Foto: Divulgação/Autoral Filmes

O thriller psicológico Mother’s Baby, dirigido pela cineasta austríaca Johanna Moder, já está em cartaz nos cinemas brasileiro. Em entrevista concedida a reportagem de A CRÍTICA, a diretora comentou as origens pessoais da história e as escolhas narrativas que moldaram o filme.

Na trama, Julia, uma maestra de quarenta anos, engravida após um tratamento em uma clínica de fertilidade. O parto, no entanto, rompe a expectativa de plenitude que costuma cercar esse momento. O bebê é retirado de seus braços logo após o nascimento. Quando a criança retorna, algo parece deslocado. A partir daí, instala-se uma dúvida persistente que estrutura o suspense do filme.

Segundo Moder, a inspiração para a história surgiu a partir de uma experiência íntima.

“O nascimento do meu primeiro filho foi decisivo para essa história. Minha principal preocupação era descrever um estado que eu nunca havia experimentado antes. A completa dissolução de tudo o que eu conhecia até então sobre parto e maternidade”, afirmou.


O thriller se concentra no desconforto do pós-parto de Júlia que precisou passar por tratamento de fertilidade para dar a luz. (Foto: Divulgação/Autoral Filmes)

A diretora explica que o filme nasceu da tentativa de traduzir um momento de ruptura pessoal.

“Eu senti como se meu mundo tivesse sido virado de cabeça para baixo. Precisei me reconstruir completamente”, disse.


Johanna Moder, cineasta austríaca e diretora de ‘Mother’s Baby’ (Foto: Divulgação/Lukas Moder)

Embora o longa dialogue com o suspense psicológico, Moder afirma que sua abordagem partiu mais de uma orientação emocional do que de uma decisão formal de gênero.

“Eu apenas segui uma linha emocional e não pensei muito em gênero. Para mim, é uma história de horror, mas não um filme de horror”, explicou.

Outro aspecto central do filme é a forma como ele aborda o período pós-parto. Para a diretora, temas ligados ao nascimento e à maternidade ainda permanecem cercados por silêncio e representações simplificadas.

“Minha sensação é de que os temas em torno do parto são ainda mais tabu do que eu imaginava. Isso acaba gerando muitos clichês. E quando existem muitos clichês, fica mais fácil evitá-los, porque a realidade costuma ser muito mais brutal”, comentou.

Moder já trabalha em um novo projeto, novamente ao lado do roteirista Arne Kohlweyer. A diretora adiantou apenas que pretende continuar explorando temas delicados.

“Estou mais uma vez lidando com um tema tabu e tentando apresentá-lo de uma forma acessível. É um desafio complexo, e acredito que ainda vai levar algum tempo até termos um novo roteiro.”

Sinopse

Julia, uma maestra de quarenta anos, engravida após um tratamento em uma clínica de fertilidade. Após um parto traumático, o bebê é retirado de seus braços e devolvido horas depois. A partir desse momento, uma dúvida inquietante começa a crescer: e se aquela criança não for realmente seu filho?

Direção: Johanna Moder
Roteiro: Johanna Moder e Arne Kohlweyer
Elenco: Marie Leuenberger, Hans Löw, Claes Bang
País: Áustria / Alemanha / Suíça
Gênero: Thriller psicológico
Estreia: 2026
Festivais: Berlinale (competição oficial), Sitges