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Nova exposição de Sebastião Salgado chega ao Rio de Janeiro

Após passagens por Paris, Londres, Roma e São Paulo, mostra ‘Amazônia’ estreia no Museu do Amanhã, no dia 19 de julho

Publicado em 07/07/2022 às 16h33
Nova exposição de Sebastião Salgado chega ao Rio de Janeiro

Após expressivas passagens por vários lugares no mundo como Paris, Londres, Roma, chegou a vez de a cidade maravilhosa receber a exposição “Amazônia”, do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado. No Brasil, já foi inaugurada em São Paulo (Sesc Pompeia), e no dia 19 de julho, chega ao Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro – e vai até o dia 29 de janeiro. As 194 fotografias irão compor a mostra imersiva, que é idealizada por Lélia Wanick Salgado, também responsável pela curadoria. 

Há a grandiosa, deslumbrante, às vezes esmagadora visão da floresta,dos rios, de nuvens e montanhas. Há a beleza e a força dos povos indígenas no seu cotidiano e nas festas, com artefatos, espaços de convivência, expressões de uma miríade de civilizações integradas ao meio. E há o recorte de árvores, animais, margens, várzeas, clareiras. Na imensidão e no detalhe, no poderoso encadeamento da vida mineral, vegetal e animal, ressoa a frase de Sebastião Salgado: “Não são paisagens. É o bioma”. É o todo.

Imersão
A mostra “Amazônia” é o resultado da imersão, por sete anos, de Sebastião e Lélia Wanick Salgado, na região que cobre o Norte do Brasil e se estende a mais oito países sul-americanos, ocupando um terço do continente; e 60% da Amazônia estão no Brasil. A maior floresta tropical do planeta, traduzida pelas lentes e pela cenografia dos Salgado, transforma-se aqui em convite à informação, à reflexão e à ação em defesa do ecossistema imprescindível à vida no planeta.

“Ao projetar ‘Amazônia’, quis criar um ambiente em que o visitante se sentisse dentro da floresta, se integrasse com sua exuberante vegetação e com o cotidiano das populações locais”, comenta Lélia.

Tomadas por ar, por terra e água, as imagens – praticamente todas inéditas – que estão distribuídas em núcleos temáticos, revelam o refinamento e a engenhosidade dos povos da região, alguns pouquíssimo contactados: em 1500 eram 5 milhões indivíduos e hoje estão reduzidos a menos de 400 mil. “Na Amazônia inteira, a sofisticação cultural [dos povos] é colossal”, diz Salgado, que registrou 12 etnias (das quase 200 remanescentes) para essa mostra.

A voz das comunidades ameríndias, aliás, pode ser efetivamente ouvida em sete vídeos que apresentam testemunhos de lideranças indígenas, sem intermediários. São relatos impactantes sobre a importância da terra, dos rios, da floresta amazônica e dos graves problemas que ameaçam, inclusive, a sobrevivência de indivíduos e de etnias. 

“Esta exposição tem o objetivo de alimentar o debate sobre o futuro da floresta amazônica. É algo que deve ser feito com a participação de todos no planeta, junto com as organizações indígenas”, defende Sebastião Salgado.

Espaços
No espaço expositivo, o ambiente sonoro embala a visão das fotografias com a trilha sonora original do francês Jean-Michel Jarre, elaborada a pedido dos Salgado a partir dos sons da floresta. A exposição apresenta ainda dois espaços com projeções de fotografias. Uma delas mostra paisagens florestais acompanhadas pelo poema sinfônico Erosão – Origem do Rio Amazonas, de Heitor Villa-Lobos (1887-1959); a outra traz uma sequência de retratos de índios, sonorizada por uma peça de Rodolfo Stroeter especialmente composta.

Ricardo Piquet, Diretor-Presidente do Museu do Amanhã, ressalta que a instituição está em sintonia com o tema: “Em 2022, o Museu do Amanhã dá protagonismo à Amazônia por meio de programações diversificadas que vão de exposições a debates. Nós temos o propósito de contribuir para a conscientização da importância da conservação do bioma e do patrimônio imaterial da região. É uma honra poder levar ao nosso público essa mostra imperdível de Sebastião Salgado, que abriu uma caminhada global de proteção aos povos indígenas da Amazônia. É impressionante poder conferir o olhar dele, que nos traz uma visão riquíssima e pouco conhecida da floresta e dos seus povos”.

Saiba mais
 >> Instituto Terra
Ao final da exposição, o visitante conhece o Instituto Terra no espaço dedicado ao espetacular trabalho de Lélia e Sebastião Salgado, iniciado em 1998 e que empreendeu o reflorestamento de cerca de 600 hectares de Mata Atlântica em Aimorés (MG), plantando milhões de mudas de árvores em extinção.