Manaus seg, 19 out
A Crítica
Entretenimento

O despertar da Terra: Uýra apresenta performance em Washington D.C.

'Ponto Final, Ponto Seguido' aborda as diferentes naturezas que nos cercam, das ancestrais às criadas pela modernização

Publicado em 25/05/2024 às 14h56
O despertar da Terra: Uýra apresenta performance em Washington D.C.
Foto: Matheus José Maria

“Ponto Final, Ponto Seguido” é a performance que a artista visual indígena contemporânea, Uýra, 33 anos, apresenta neste sábado (25) em Washington D.C. a convite do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), como parte da exposição de artes “Amazônia: Um Hub de BioCriatividade” que ocorre desde janeiro deste ano nos Estados Unidos das Américas (EUA). O trabalho de Uýra é sobre as diferentes naturezas que nos cercam, das ancestrais às estranhas criadas pela colonização e modernização dos mundos.

A performance possui dois atos: para lembrar, para curar. Existe a participação e interatividade com o público. “Em ‘Ponto Final, Ponto Seguido’, ativo a Terra coberta pelos asfaltos e monumentos urbanos – uma terra que não morreu, está adormecida. Venho circulado nos últimos três anos com esse trabalho, em dezenas de eventos em mais de cinco países, sempre plantando e acordando a Terra sobre seus monumentos coloniais”, detalha Uýra. Além do Brasil, a apresentação já foi vista em países como Áustria, Kosovo, Itália e Portugal.

“Naturalmente, abordo as potências e belezas da vida, bem como suas violações e desaparecimentos. Há algum tempo me questiono sobre ‘como a vida volta?’, no lugar onde ela foi extinta. Como ocorre a regeneração de uma floresta queimada? Como ocorre a autoafirmação identitária de uma população que foi forçada a esquecer de si? Como as águas, cobertas pelos concretos urbanos, retornam à superfície e ao seu movimento? Essas perguntas compõem a minha atual pesquisa: Ressurgências”, complementa Uýra.
 
Uýra performa na Freedom Plaza, no noroeste da capital americana. Ela falou sobre participar do evento. “Viajar pelos mundos, significa partilhar de nossas visões e geopolíticas amazônicas, que são únicas e decisivas na forma de pensar planetária. Sem dúvida alguma, estes são espaços a serem ocupados por mais artistas das Amazônias. O que nos falta, em nossa região, é apoio verdadeiro e constante dos governos, nas dimensões financeira, estrutural e simbólica”, disse a artista.

Localização

Freedom Plaza é uma praça aberta próxima ao Capitólio, parlamento americano, e ao lado da Casa Branca, residência oficial e principal lugar de trabalho do presidente dos EUA, Joe Biden (Democrata), 81 anos. Os norte-americanos que assistirem a performance de Uýra se deparam com uma interpretação artística visual que “pensa e ativa ressurgimentos de vida coberta pelas materialidades e imaginários coloniais – as terras, memórias, águas e florestas que dormem debaixo dos asfaltos”.  

Além de artista visual, Uýra é mestre em Ecologia da Amazônia e arte educadora de comunidades tradicionais. Para ela, amazônidas ocuparem espaços nacionais, assim como internacionais, é acima de tudo uma construção de autoestima e autonomia. “Hoje me movimento em Arte, Educação e Política com colaborações externas ao Amazonas. Meu desejo é poder viver e ver nossos artistas sendo de fato reconhecidos e apoiados. É sobre construção de autoestima e autonomia, sobretudo”, complementou a artista. 

Do ponto de vista de Uýra, é urgente que lideranças mundiais adotem uma postura não negacionista. “Nesse momento no Brasil, vivemos desastres socioambientais graves, como as enchentes no Maranhão e Rio Grande do Sul. Seguidos da seca histórica nas amazônias. É urgente que os governos lidem, de forma não negacionista e efetiva com a crise climática. Isto engloba trazer ao debate público e a políticas reais questões como o racismo ambiental e a demarcação de terras indígenas – que protegem florestas e evitam desastres como os que vemos”, finalizou.