Orquestra Ouro Preto traz ‘Auto da Compadecida, a Ópera’ para a capital amazonense
A obra será apresentada pela primeira vez em Manaus, no Teatro Amazonas, nos dias 24 e 25 de junho
O espetáculo “Auto da Compadecida, a Ópera”, da Orquestra Ouro Preto, será apresentado pela primeira vez em Manaus, no Teatro Amazonas, nos dias 24 e 25 de junho. Após passagens por Belém (PA) e Belo Horizonte (MG), a turnê passa pela capital amazonense e finaliza as apresentações no Rio de Janeiro. Baseada na obra de Ariano Suassuna, a ópera-bufa (um tipo de ópera levemente cômica e satírica) conta com música original de Tim Rescala, que assina o libreto com o maestro Rodrigo Toffolo.
De acordo com Rodrigo, a Orquestra Ouro Preto buscou ser fiel ao texto e as interações do autor em “O Auto da Compadecida”.
“Quando vislumbrei a possibilidade de realizar uma ópera-bufa brasileira, encontrei no texto teatral de Ariano as respostas para desenhar uma ópera com a cara do nosso País, em português, e que diminuísse o conceito pré-concebido de que uma ópera precisa necessariamente ser de difícil entendimento, trágica, européia. Assim que conseguimos os direitos para realizar a montagem, diretamente com a família Suassuna, convidei um grande parceiro, Tim Rescala, para compor a música original e, juntos, escrevemos o libreto”, diz ele.
Algumas adaptações foram realizadas para fazer todos os encaixes musicais. “Um exemplo disso é que, na obra original, Severino de Aracajú tem um cangaceiro, homem, como comparsa. Em nossa montagem, ele virou uma cangaceira mulher, para que, em palco, as vozes se completassem: tenor, barítono, contralto e ela, soprano”, explica o maestro.
Atos
Toffolo revela que em “Auto da Compadecida, a Ópera”, a história de Chicó e João Grilo ganha uma versão sem precedentes e reúne no palco uma verdadeira constelação para apresentar ‘uma ópera-bufa brasileira em dois atos’. Após o primeiro ato haverá um intervalo de 20 minutos.
Elenco e figurino
Em cena, Marília Vargas, Fernando Portari, Carla Rizzi, Jabez Lima, Marcelo Coutinho, Rafael Siano, Glicério do Rosário, Cláudio Dias e Maurício Tizumba dão voz ao clássico da literatura brasileira. A direção musical é do maestro Rodrigo Toffolo, regente titular e diretor artístico da Orquestra. A direção de cena é assinada por Chico Pelúcio.
Os figurinos foram desenhados por Manuel Dantas Suassuna, filho do escritor, e pintados à mão em Taperoá. “São lindos, são artesanais, e fazem referência às ideias originais do pai e seus desenhos que se tornariam peças teatrais no início da história desse grande clássico”, destaca Rodrigo.
Cenografia
A direção de cenografia é de Luiz Abreu, que também é diretor de marca da Orquestra, com a parceria de Camila Buzelin.
“Buscamos no cordel e na simplicidade de Taperoá um cenário dinâmico que abraça os personagens. No primeiro ato, um coreto, típico de cidades do interior, é o centro do palco, ladeado por casas que se assemelham à clichês xilográficos. Na passagem para o segundo ato, o coreto se torna um altar, e as onças caetanas, tão presentes no movimento armorial simbolizando a morte, vigiam todo o julgamento”, revela Toffolo.
Projetos
Em 2022, a ópera foi apresentada em três cidades: São Paulo, Rio e Belo Horizonte. “Em 2023 continuamos a jornada passando por Belém, Manaus, BH novamente e Rio, desta vez com um marco: uma ópera apresentada nas areias da Praia de Copacabana. Outra novidade é que estamos em estúdio e, em breve, lançaremos o álbum da ópera em todas as plataformas”, revela o maestro.