Parintins recebe exposição fotográfica sobre a pandemia com registros de Pitter Freitas
Com 20 imagens impactantes, mostra itinerante retrata os efeitos da Covid-19 no município e homenageia vítimas e profissionais da linha de frente
Transformando o luto e tristeza em arte, o repórter fotográfico parintinense Pitter Freitas, de 32 anos, anunciou na manhã desta sexta-feira (11) a exposição itinerante “Imagens que marcam: a pandemia a partir das lentes de Pitter Freitas”, que será exibida em diferentes pontos da cidade de Parintins (a 369 quilômetros de Manaus).
A exposição reúne registros fotográficos produzidos durante a pandemia da Covid-19 no município, revelando os impactos e as marcas deixadas na vida da população. Freitas explica que a ideia surgiu a partir da experiência na linha de frente, quando documentou a crise sanitária em Parintins.
“Eu estava na linha de frente e acompanhei tudo. Desde o primeiro caso, as ruas vazias, as pessoas de máscaras, a chegada de oxigênio e a ida de doentes para outros estados em busca de esperança, com a dúvida de que voltariam ou não. A partir disso surgiu a ideia de transformar esses fatos em uma exposição fotográfica”, contou o repórter fotográfico.
A exposição contará com 20 fotografias do acervo pessoal do repórter fotográfico e será exposta em diversos locais da cidade, rememorando os momentos de dor e tristeza vividos no município. Na época, enquanto fotógrafo da Secretaria Municipal de Saúde, Freitas precisou de coragem para exercer sua função.
“Atuava como fotógrafo da Secretaria de Saúde de Parintins, e não havia como fugir do ofício. Era preciso encará-lo com coragem. Minha intenção é provocar. A arte é isso! Durante a pandemia, nós sequer sabíamos como lidar com uma vida que, de repente, nos trancou dentro de casa”, destacou Freitas.
Em entrevista a reportagem de A CRÍTICA, Pitter relembrou dos vários momentos que presenciou durante a pandemia, e destacou o momento mais marcante que vivenciou na crise sanitária.
“O momento que eu nunca irei esquecer foi quando tudo colapsou e nossos “irmãos” só tinham uma chance de sobrevivência, que era fora daqui. Recebemos aviões do Exército e da Força Aérea Brasileira (FAB) que vieram buscá-los para levá-los a outras cidades. Infelizmente, alguns não voltaram. É triste demais”, relembrou o fotógrafo.
Em sua exposição fotográfica, Pitter apresentará aborda a pandemia a partir de uma linguagem fotojornalística para tocar o emocional do espectador. Distribuída por diversos locais de Parintins, ele busca alcançar o maior número de pessoas.
“A fotografia traz lembranças que mexem com o emocional. Faz com que a gente compreenda que, mesmo sem nos conhecermos, somos solidários. É sobre isso: solidariedade. […] A fotografia tem esse papel de tocar os sentimentos e emoções, mesmo quando são de dor, como durante a pandemia”, frisou Freitas.
Embora a pandemia da COVID-19 tenha sido superada, ela deixou marcas não somente nas famílias que perderam seus familiares, mas em todos aqueles que estiveram nas linhas de frente. É com essa experiência que Freitas tem esperanças que um dia a memória dos que partiram seja lembrada e respeitada.
“Esperança! Esperança de que um dia o Estado brasileiro peça desculpas a essas famílias por ter falhado gravemente no combate à Covid-19”, terminou Pitter Freitas.
Sobre a exposição
A exposição fotográfica itinerante “Imagens que marcam: a pandemia a partir das lentes de Pitter Freitas” é contemplada pela Lei Adir Blanc – Nível Estadual, e reúne fotografias do acervo pessoal do repórter fotográfico Pitter Freitas, nos anos de 2020 e 2021.
A mostra é composta por 20 fotografias que registram desde famílias enlutadas a transferência de pacientes para outros estados, e será apresentada em diversos pontos da cidade de Parintins, a partir de agosto deste ano.