Prédios de Manaus viram palco para as artes visuais
Pintores irão criar obras de artes nas paredes laterais das construções, a convite do Circuito Urbano de Arte (CURA)
A arte pública nos recorda constantemente que a criatividade é parte intrínseca da identidade de uma comunidade, e é nos detalhes das pinturas, esculturas e murais que as histórias do passado e as aspirações para o futuro se encontram. Os edifícios, como testemunhas silenciosas da temporalidade, tornam-se portadores de memórias e símbolos que contam a história de uma cidade em evolução.
Com os olhos voltados para o céu, os habitantes da cidade de Manaus poderão testemunhar a transformação dos prédios Rio Madeira e Cidade de Manaus, localizados na região central da capital amazonense, em verdadeiras obras de arte.
A primeira construção se situa na Rua Costa Azevedo e a segunda na Avenida Eduardo Ribeiro. Contudo, o andamento do exercício artístico, que inicia na próxima quarta-feira (2) poderá ser observado cotidianamente, a partir do mirante posicionado na lateral do Teatro Amazonas, no Largo São Sebastião.
Artistas
O talento do artista indígena Denilson Baniwa, enraizado nas tradições amazônicas, e a arte kené de Olinda Silvano, representando a riqueza cultural do povo Shipibo e o saber ancestral da comunidade de Cantagallo, em Lima, no Peru, fundem-se para criar uma sinfonia visual e celebrar a essência da região.
Natural de Barcelos, Baniwa descreve o trabalho estético que irá desenvolver como ‘Piracema’ – isto é, um conjunto de peixes pintados na parede do prédio, que visa resgatar a memória alimentar indígena amazônica, além de destacar a importância dos recursos hídricos para as populações amazônicas.
“A obra é uma tentativa de notarmos o quão importante são os rios e os seres que habitam neles, que estão constantemente em perigo por conta do avanço de projetos que acabam por prejudicar o fluxo normal dos rios, como o garimpo, por exemplo. Esse tipo de atividade não apenas causa destruição e assoreamento dos rios, mas também contamina os peixes, alimentos para as populações amazônicas. Portanto, este trabalho serve como uma lembrança do que somos o que comemos, mas também reforça que deveríamos ser defensores da vida saudável dos rios amazônicos”, diz.
O retrato ‘Piracema’ será exposto na empena do Rio Madeira, enquanto a muralista, tecelã e artista plástica peruana Olinda Silvano trabalhará mediante à fachada do Cidade de Manaus, que abrange 48 metros de altura por 8 metros de largura.
Além do notório talento de ambos os artistas, suas obras já percorreram importantes espaços artísticos no Brasil, como o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), a Pinacoteca de São Paulo, o Centro Cultural São Paulo (CCSP), o Centro de Artes Hélio Oiticica, o Museu Afro Brasil e o Museu de Arte de São Paulo (MASP), além de terem sido exibidas em países como França, Canadá e Estados Unidos, conquistando reconhecimento internacional.
Circuito Urbano de Arte
A iniciativa é proveniente do Circuito Urbano de Arte (CURA) e tem a proposta de trazer sua vibrante paleta de cores e formas para Manaus, através do CURA AMAZÔNIA, que, pela primeira vez, estabelece-se no Norte do País e se baseia em uma realização da Agência Urbana de Arte (AGUA), com patrocínio da 3M, apoio da Tintas Coral, Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC), Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Centro Cultural Casarão de Ideias (CCCI) e Centro de Atenção à Saúde e Segurança no Trabalho (CASST), além da produção local do coletivo Graffiti Queens e incentivo da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
O CURA corresponde a um dos maiores festivais de arte pública do Brasil e, em 2017, presenteou Belo Horizonte com seu primeiro circuito de pintura em empenas, criando o primeiro mirante de arte urbana do mundo.