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Remake da novela ‘Vale Tudo’ estreia no dia 31 de março

Apesar dos novos atores e contextos, a versão atualizada da clássica história mantém a essência da trama original

Publicado em 01/03/2025 às 13h34
Remake da novela ‘Vale Tudo’ estreia no dia 31 de março
Foto: Divulgação

A primeira chamada do remake de “Vale Tudo”, baseado na novela original de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Basserès e adaptado por Manuela Dias, com direção de Paulo Silvestrini, gerou grande expectativa entre os fãs da clássica novela da TV Globo. Com estreia em 31 de março, a trama promete reviver emoções e surpreender com novidades. O que mudou em relação à versão de 1988? Quais personagens icônicos serão reinterpretados por novos atores? Em coletiva de imprensa virtual, foram revelados detalhes sobre a nova ‘Vale Tudo’.

Paulo Silvestrini é o responsável por trazer uma visão atualizada da clássica história, mantendo a essência da trama original, mas com uma abordagem mais contemporânea. O diretor já dirigiu outras produções de sucesso, como “Avenida Brasil”, e agora se dedica a recriar essa icônica novela para uma nova geração de espectadores. 

Ele garante que a essência da obra está preservada. “Os personagens estão ali, a trama está ali. A gente brinda o público sempre com pequenas homenagens aqui e ali, seja por recursos estéticos, seja por uma linguagem narrativa”, disse ele, que busca, sempre que pode homenagear os diretores, referências tão importantes para ele durante sua trajetória. 

O reencontro

De acordo com Manuela Dias, a expectativa, segundo estudos, é que 40% do público tenha contato com a obra original. “Mas a novela é feita para todos”, afirma a consagrada autora e escritora. “Quem não viu, é uma chance incrível, atualizada com esse ‘cheiro’ vintage que a gente foi compondo nos diversos departamentos, com todos os novos co-autores, figurino, cenário, com todos os atores, enfim”. 

“Acho que para quem viu é um pouco como encontrar um amigo que você não via há muito tempo. Então, é o seu amigo, mas o tempo fez o seu trabalho, há novos conselhos, novas formas de ver. Acho que o mundo mudou muito – ainda bem, para muitos fatores, e não tão bem pra outros. Por exemplo, no ponto de vista da sustentabilidade. Mas, enfim… Eu acho que vai ser incrível, estou muito feliz. Eu vi a novela, né? E de alguma forma ninguém ‘viu’ essa novela. De alguma forma todos estão no segundo grupo, e quem está no primeiro grupo, de ter visto, tem esse charme assim do reencontro”, acrescentou Manuela. 

Elenco

A nova versão de “Vale Tudo” segue a história de Raquel, uma guia de turismo que se muda para o Rio de Janeiro com sua filha Maria de Fátima. Lá, ela se envolve em uma teia de intrigas e ambições, enfrentando desafios e conquistando seus objetivos.

O novo elenco é estrelado, entre outros atores, por Taís Araújo como Raquel Accioli Corrêa, personagem originalmente interpretada por Regina Duarte. Cauã Reymond como César Ribeiro, originalmente interpretado por Carlos Alberto Riccelli. Bella Campos como Mária de Fátima Accioli Corrêa, originalmente interpretada por Glória Pires. Débora Bloch como Odete Roitman, a icônica vilã originalmente interpretada por Beatriz Segall.

Durante a coletiva, Taís Araújo revelou que queria interpretar uma vilã em seu próximo trabalho. Mas, foi surpreendida com a personagem Raquel. “Eu pedi uma coisa pro Zé Luiz [diretor de dramaturgia da Globo], e ele me veio com a Raquel. Eu não entendi nada! Eu peço uma vilã e ele me entrega a maior heroína de todos os tempos (risos)”, recordou. 

“E quando eu fui rever o primeiro capítulo – porque eu vi a primeira versão – pensei: nossa, eu não posso perder essa oportunidade! Personagens boas, são personagens que têm conflitos, e a Raquel só tem conflito, né? (risos). Enfim, é uma personagem muito bem escrita. Eu poderia dizer assim, que é quase a personagem perfeita”, complementou a atriz. 

Representatividade 

A escolha de Taís Araújo para interpretar Raquel na nova versão de “Vale Tudo” é um exemplo de como a representação de personagens negros pode ser mais inclusiva e diversa. A autora destacou a importância da representatividade em produções culturais, como novelas, para promover a transformação social. Manuela acredita que a dramaturgia deve ser uma ferramenta para questionar e mudar a sociedade, abordando questões estruturais como machismo, racismo e classismo. 

“Para mim, a questão da representatividade é central, não só em ‘Vale Tudo’, mas desde ‘Justiça’ (exceto ligações por questões de adaptação e tudo mais). E por quê? Porque eu acho que a função da dramaturgia é servir de ferramenta de transformação social. Isso é uma questão central na contação de histórias, né? A gente conta histórias para se divertir, mas a gente conta histórias para estruturar essa teia de valores que sustenta a nossa sociedade. Então quando a gente tem representatividade, isso é uma atitude central, política, enfim”, destacou a autora. 

Ela também refletiu sobre o progresso alcançado desde 1988 em reconhecer e nomear essas questões, especialmente em relação à representação de atores negros em novelas. A autora destaca que é fundamental ter representatividade para promover uma sociedade mais justa e igualitária. 

“Eu acho que de 1988 pra cá, a gente passou por um processo de letramento com relação a coisas que são estruturais, estruturantes: o machismo, o racismo, o classimo. E conseguimos ver hoje que naquela época só tinha dois atores pretos na novela. Naquele momento, até o nosso olhar era tão deformado também pelo racismo estrutural, que era difícil até ver. Então, eu acho que hoje em dia a gente consegue ver, nomear; existe um avanço incrível”, concluiu.

Com uma trama envolvente e personagens fortes, o remake da novela “Vale Tudo” promete emocionar o público. A equipe talentosa por trás da produção da nova versão do clássico está pronta para conquistar o coração dos telespectadores.