Remix de produtor amazonense em exposição na França
Após viralizar nas redes sociais há cerca de 1 ano e meio, obra do produtor musical Viktor Judah está em exposição na Instituição de Belas Artes de Bensaçon
Poucos dias antes do pleito presidencial de 2018, um áudio de autoria desconhecida começou a circular na internet. Nele, uma jovem garota reclama sobre o fato de que seria privilegiada por trabalhar na empresa do pai. Aos berros, ela questiona: “Eu tive privilégios por que? Meu pai é sim empresário, trabalho sim com meu pai e se eu continuei trabalhando com ele foi por que eu mereci”.
Entre comentários irônicos e debates sobre o tema que tomou conta das redes sociais, o produtor musical amazonense Viktor Judah se deparou com o então novo meme e fez o que sabe fazer de melhor: o transformou em música. Mais precisamente um remix em versão de funk carioca. Foi o bastante para a brincadeira se disseminar de maneira tão avassaladora quanto sua versão original.
Hoje, pouco menos de um ano e meio depois, o remix do amazonense, batizado de “Privilégios”, ganhou status de obra de arte e atravessou o Atlântico até chegar ao velho continente, onde se tornou uma das peças da exposição “HERE WE ARE. HERE ARE WHAT WE ARE”, em temporada na Instituição de Belas Artes de Bensaçon, na França.
A exposição reúne o trabalho de artistas de diferentes segmentos das artes para estimular uma reflexão política, voltando seu olhar especialmente para questões como luta de classes, jornada de trabalho, meritocracia e capitalismo. Segundo Judah, o convite veio no fim do ano passado por meio da curadora brasileira Erica Storer.
“Pelo o que eu entendi ela se deparou com esse remix na Internet e veio conversar comigo, pediu autorização e me explicou como seria. O tema tem muito a ver com isso. Mesmo que seja informal, é uma manifestação cultural de alguma forma”, diz.
O remix fica exposto para o público em um aparelho celular colocado sob uma cadeira em um dos salões da galeria (Foto: Divulgação)
Produzindo um viral
Segundo o produtor, a ideia de criar o remix surgiu graças a uma brincadeira de uma amiga. “Alguem falou no Twitter que deveriam fazer um funk disso e uma amiga me marcou. Fui lá e fiz rapidinho. Em questão de dois dias viralizou ao ponto de eu perder o controle disso totalmente. Fizeram até videoclipe e coreografia”, explica.
Até o fechamento desta edição, o remix produzido por Judah conta com 245 mil plays na plataforma de streaming Soundcloud. O número é expressivo levando em consideração a falta de qualquer pretensão que pudesse alavancar o novo hit da internet. Questionado sobre o sentimento de ver seu trabalho se transformar de viral para obra de arte, ele revela ainda não saber lidar.
“É uma parada um pouco difícil e já tinha sido difícil na época lidar com toda a exposição, o trabalho foi muito longe. Eu joguei esse remix pro limbo por que eu não sei o que eu posso dizer que ele é. Não é uma música que eu considere (minha), mas acho que foi uma boa maneira de mostrar um outro lado meu”, conclui.