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Rosa Malagueta leva peça sobre violência contra a mulher às escolas

Criada a partir de experiências pessoais da atriz, montagem que existe há quase 20 anos ganha nova versão e chega a estudantes da EJA em Manaus

Publicado em 29/09/2026 às 13h46
Rosa Malagueta leva peça sobre violência contra a mulher às escolas
Foto: Divulgação

Falar sobre violência contra a mulher nem sempre precisa começar pela dor. Em “Cuidado com o Lalau”, a atriz amazonense Rosa Malagueta escolhe o humor como caminho para abordar feridas que atravessam a vida de muitas mulheres. O espetáculo solo, que existe há quase 20 anos e já passou por estados como Rio de Janeiro, Bahia e Ceará, ganha uma nova versão e será levado a escolas públicas de Manaus.

As primeiras apresentações acontecem nesta terça-feira (29) e quinta-feira (1º), na Escola Antísthenes Pinto, no bairro Cidade de Deus. No dia 6 de outubro, o espetáculo chega à Escola Dom Milton Corrêa Pereira, no Monte das Oliveiras. As sessões fazem parte do projeto “Maria Não É Penha, Mas Lalau É Réu” e serão seguidas por rodas de conversa sobre violência doméstica, denúncia, acolhimento e políticas públicas voltadas às mulheres.

A história do espetáculo começou a partir de conversas entre Rosa e Rogelio Casado, responsável pela dramaturgia. A ideia era transformar em linguagem artística dores que atravessavam a atriz como mulher, mãe e esposa, mas sem transformar a montagem em um drama.

“Nessas nossas conversas, chegamos à conclusão de que precisávamos fazer algo que fosse leve e descontraído, sem necessariamente deixar de tocar nas minhas feridas, que acabam sendo as mesmas feridas de muitas mulheres contemporâneas”, conta.

Maria conduz a trama

No palco, Rosa interpreta Maria, figura já conhecida do público por outros trabalhos da atriz, principalmente na televisão. “Trazer a Maria para esse trabalho foi a forma que encontramos de aproximar essa mulher de outras mulheres que podem estar passando pelas mesmas situações narradas no espetáculo. Como a Maria é uma personagem mais popular, acreditamos que as mulheres consigam se identificar já de cara com ela, podendo, assim, refletir sobre as próprias situações pelas quais passam enquanto mulheres”, explica.

“Cuidado com o Lalau” existe há quase duas décadas e já foi apresentado em diferentes estados brasileiros. Nesse período, Rosa retomou e modificou o trabalho conforme novas experiências e questões sociais surgiram. Para a atual versão, a encenação foi refeita a partir de situações vividas pela atriz e de contextos sociais considerados importantes para o momento atual.

“É um trabalho que, de tempos em tempos, retomo, revisito, repenso e reestruturo, pois é uma temática que, infelizmente, está sempre atual. Para essa versão, conto com a produção da Rafaela Guimarães, direção artística de Wallace Abreu e suporte operacional e técnico de Roger Martins”.

“A encenação foi refeita a partir de novas situações vividas por mim e também para aproveitar contextos sociais da atualidade que são importantes de serem inseridos. Mas o mais importante é que não o tratamos como um drama. É um espetáculo cômico, ao mesmo tempo em que se propõe a ser reflexivo e, de certa forma, acolhedor”, complementa.

A escolha das escolas para esta etapa do projeto também tem um recorte territorial. Segundo Rosa, a programação foi pensada para alcançar regiões de Manaus com altos índices de violência e crimes contra as mulheres.

Rodas de conversa e oficina

Depois das apresentações, os estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) participam de rodas de conversa sobre o enfrentamento à violência doméstica. A proposta é ampliar a discussão iniciada no palco e apresentar informações sobre caminhos de denúncia, acolhimento e políticas públicas.

“Muitas vezes, as vítimas de violência têm vergonha de falar sobre o que estão passando e medo de denunciar seus agressores. Então, acreditamos nesse trabalho como uma ferramenta que pode estimular aquelas que, porventura, possam estar sendo oprimidas, seja no ambiente familiar ou de trabalho”, afirma.

O projeto “Maria Não É Penha, Mas Lalau É Réu” é fomentado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com patrocínio do Banco da Amazônia e realização do Ministério da Cultura.

Saiba +

Sobre o projeto

Além das atividades nas escolas, o projeto prevê ainda uma oficina artística voltada a jovens meninas vítimas de violência e em situação de vulnerabilidade social atendidas pela Casa Mamãe Margarida. A atividade será realizada em uma etapa posterior da programação.