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Tatá Jatobá canta Tariri

No próximo dia 18, cantora e sambista grava releitura com as principais canções do grupo, que marcou os anos 70 da capital amazonense

Publicado em 15/02/2022 às 15h11 · Atualizado em 12/03/2022 às 13h15
Tatá Jatobá canta Tariri

“Experiência política em forma de música”. É assim que é descrita a banda de rock Tariri, que fez sucesso em Manaus nos anos 70 com sua mistura de sons e luta pelas causas sociais. Diante da ausência de registros audiovisuais do grupo, mesmo frente a sua importância em defesa da Amazônia, a cantora e sambista Tatá Jatobá resolveu dar início ao projeto “Com Tayra e Tariri”, que irá contar com uma releitura das principais canções do conjunto.

Contemplada pelo edital Prêmio Encontro das Artes 2020/ Lei Aldir Blanc, promovido pelo Governo do Amazonas (por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas) e pelo Governo Federal (por meio da Secretaria Especial da Cultura), a homenagem será gravada no próximo dia 18, na Pousada Cirandeira Bela, em Manacapuru.Filha de dois fundadores da banda – o flautista Alfredo Jatobá e a vocalista Jane Jatobá – Tatá detalha que a Tariri surgiu do encontro de estudantes de música, que faziam questão de discutir sobre o extermínio da fauna, flora e rios, bem como sobre a internacionalização da Amazônia e a saga pela preservação dos povos indígenas.

De acordo com ela, apesar de serem um marco de luta na história local, cantando temas ainda atuais com força e beleza, há poucos registros do trabalho musical do grupo. “Eu tive a sorte e o privilégio de nascer e crescer entre eles. Então hoje, depois de anos imaginando, planejando, pesquisando e ouvindo histórias, apresentarei o meu olhar sobre a obra dessa banda precursora, que até hoje emociona”, pontua.Além da cantora e sambista, o projeto “Com Tayra e Tariri” conta com a direção artística de Antônio Bahia, a direção musical de Arlen Barbosa, a produção de Otávio Oliveira e a cenografia e figurino de Sisi Rolim. Já a performance musical será feita em parceria com Romulo Augusto (violão), Mauro Lima (baixo), Arlen Barbosa (charango), Gabriel Lima (violino) e João Paulo (percussão).

Repertório engajado

O Grupo Tariri ficou conhecido por percorrer a capital amazonense fazendo shows gratuitos, sem apoio financeiro de entidades e empresas, que tinham como gancho discussões sobre o meio ambiente e causas indígenas. Além de Alfredo e Jane, a banda – que misturava o rock com a musicalidade e os temas da região – contou com outros membros ao longo de seus pouco mais de cinco anos de existência: Carlos Eugênio, Natacha Fink, Félix Fink, Nildete Amaral, Ronaldo Medina (Bob), Adalberto Holanda, Danilo Benarros, Pedrinho Dantas, Aloysio Neves, Regina Melo, Ronaldo Uchôa, Elson Jonhson, Elson Camarron, Cameron e Claudinha.No repertório, não podia faltar engajamento social, cravando a importância do grupo para o cenário musical do Amazonas e a necessidade de um registro.

De acordo com o produtor Otávio, a Tariri não deixou nenhum material de áudio oficial e muito menos visual, por isso, Tayra – mais conhecida como Tatá Jatobá – decidiu gravar as principais canções.Com o projeto “Com Tayra e Tariri”, as faixas musicais “Codajás, “Latinizada”, “Caminhos de rio”, “Caracóis”, “Se Você Soubesse”, “Biônico”, “Para Os Olhos de Quem Quiser”, “Sanhaçu”, “Tututu”, “Olho de Peixe”, “Pirarublues” e a icônica “América” – que tem como trecho “Manchas negras nos rios/ Sangra a terra de dor/ Todos eles mortos de passo lento/ Braços cansados sem terra e sem voz” – finalmente ficarão eternizadas na história da música amazonense.