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‘Titanic’ volta às telonas no mês de fevereiro

Nova geração se prepara para assistir ao filme pela primeira vez nos cinemas

Publicado em 16/01/2023 às 19h16
‘Titanic’ volta às telonas no mês de fevereiro
Foto: Reprodução/Internet

“Titanic” chegou aos cinemas em 1997. Vinte e cinco anos após sua estreia, o clássico retorna às telonas em versão 4K e 3D, no dia 9 de fevereiro. O relançamento da obra vem sendo muito aguardado, não só por aqueles que já tiveram a oportunidade de assistir ao filme numa sala de cinema no passado, como também por aqueles que vão poder viver essa experiência pela primeira vez. 

O professor e crítico de cinema do site CineSet, Lucas Lopes-Aflitos relembra que “o filme teve, merecidamente, a alcunha de ser a maior bilheteria do cinema por longos doze anos, quebrados por ‘Avatar’ em 2009 pelo mesmo visionário diretor, James Cameron”. Para Lucas, a magia acerca de ‘Titanic’, ainda hoje, está para além da tragédia que ceifou tantas vidas naquela noite fria de 1912; ou além da eterna discussão se Jack cabia ou não na porta. 

“Entre a tragédia, ação, humor e um romance irresistível orquestrado por maestria por Cameron, há também o confronto da luta de classes, da deslocação da pessoa naquele mundo de riqueza e pessoas supérfluas, os novos ricos tentando se enquadrar nas convenções sociais e comportamentais e exclusão dos menos abastados e marginalizados (cenas como quem deve ou não entrar no bote salva vidas enquanto o navio afunda, por exemplo, é um retrato fiel dos dias de hoje do poder da hierarquia e do dinheiro)”, comenta o crítico. 

Mercado cinematográfico

Para a jornalista e crítica de cinema Rebeca Almeida, o interessante do relançamento é a oportunidade de poder assistir ao filme pela primeira vez nas telonas. É o caso dela. “Apesar de muitas pessoas conhecerem ‘Titanic’, talvez muitos não tenham ido assistir no cinema. Já houve relançamentos no cinema; eu, por exemplo, nunca vi”.

A jovem também chama atenção para a parte mercadológica. “O mercado vê uma oportunidade, ele vê um público certo que vai assistir esse filme no cinema. Uma coisa parecida aconteceu recentemente com ‘Crepúsculo’. Em dezembro fez dez anos da finalização da saga e eles relançaram todos os filmes no cinema. Eu fui assistir o primeiro e a sala tava bem cheia”, recorda.

“Então, é uma prática que as pessoas estão voltando agora depois da pandemia, Estao voltando para os cinemas e nada melhor do que voltar para assistir novidades, mas também para assistir filmes que trazem nostalgia, filmes que a gente nunca teve a oportunidade de assistir no cinema, por exemplo, como eu com ‘Titanic’. Porque quando lançou eu era criança, tava nascendo (risos). Então essa também é uma forma de aproveitar aí, pra reestruturar o cinema, aproveitar pra trazer as pessoas também, chamar atenção com grandes títulos”, completa a jornalista. 

Nova geração

Nascida em 1998, a jornalista Alice Pereira, 24, é só um ano mais nova que o filme. A primeira vez que ela assistiu “Titanic” foi em casa. A jovem conta que gosta da história de amor da Rose e do Jack e de como a protagonista não se importou deles não serem da mesma classe social. 

“Inclusive acho que isso foi o que mais inflamou a relação deles, porque eu percebo que ela já tava bem de saco cheio dessa vibe de riqueza, tudo muito certinho, etiqueta, etc., e [gosto de] como ela [Rose] lembra de tudo mesmo depois de anos. Eu tô bem ansiosa pra ver o filme, pra assistir e ter a experiência de cinema, né? Telona, poltrona… E em 3D deve ser muito ‘daora’, principalmente nas cenas do navio afundando”, comenta Alice. 

Dois anos mais nova que Alice, a turismóloga Ana Vitoria Cordovil, 22, nasceu nos anos 2000 e nunca assistiu “Titanic”. “Eu nasci em 2000, então demorei um pouco pra ter conhecimento sobre o filme. Acho que por ser uma produção mais antiga, eu também não tive muito interesse e, com o passar do tempo, nunca parei pra pensar que não tinha assistido mesmo. Eu já vi algumas cenas isoladas, sei mais ou menos a história do filme, mas nunca assisti por completo”, revela Ana, que vai ver a obra pela primeira vez nas telonas. “Aliás, esse foi o primeiro filme que meus pais assistiram no cinema e eu nunca vi. Minha primeira vez vai ser no cinema também”. 

Lucas Lopes comenta ainda que a volta de “Titanic” reforça o seu impacto no mundo cinematográfico. “São poucos que ainda conseguem voltar aos cinemas cercado de expectativas e festejos e uma oportunidade de ver um grande filme – e aí estou falando da questão técnica –, grandiosa para época e que envelheceu bem. As cenas entre passado e futuro costuram um enredo que vale a pena revisitar. Para os saudosistas, é uma oportunidade de rever essa trama que embalou gerações ao som de Celine Dion. Resta saber se a geração imediatista Tiktoker terá estrutura para encarar quase quatro horas desse drama histórico carregado de simbolismo, romance e tensão”, conclui o crítico.