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Unidos do Alvorada: empoderamento feminino na Avenida do Samba

Mensagem da agremiação é direta e clara: o lugar da mulher é onde ela quiser

Publicado em 01/03/2025 às 14h40 · Atualizado em 01/03/2025 às 20h44
Unidos do Alvorada: empoderamento feminino na Avenida do Samba
Foto: Paulo Bindá

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos (Gresu) do Alvorada, representante da zona Centro-Oeste de Manaus, mostra na Avenida do Samba a força do empoderamento feminino, por meio de várias mulheres fortes que surgiram ao longo da história. 

Com o enredo “Divina Mulher! A força, a beleza e a criação”,  a azul e branco é a terceira escola a descer, a partir de 22h40, deste sábado (1º).  A mensagem da agremiação é direta e clara: o lugar da mulher é onde ela quiser. 

Divisão dos setores

A agremiação divide o desfile em três setores. O primeiro apresenta “Divina Criação – bendito é o ser”. A comissão de frente representa “Kavinas – A busca pela liberdade”, junto do módulo alegórico “A ordem cósmica e a perfeição divina” que representa o templo dessas mulheres guerreiras. 

Nesse primeiro momento, a escola apresenta o surgimento da mulher no mundo. As baianas “Lucy – a grande Yá da humanidade”, faz referência ao fóssil atribuído ao gênero feminino descoberto em 1974 que reescreveu a história da humanidade.

“No Éden a mais bela criação” é o carro abre-alas da agremiação que traz Eva – personificada na modelo Anne Santana -, a mulher de Adão, que segundo o catolicismo, foi criada a partir da costela do homem. 

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Felipe Silva, 25 anos, e Silvia Marques, 41 anos, representam o poder da criação e a luz que a mulher representa para a humanidade.

No segundo setor “por justiça e liberdade”, a primeira ala “Dandara dos Palmares – a resistência negra” faz referência à Dandara, guerreira negra do período colonial do Brasil no Quilombo de Palmares. 

As alas seguintes “Maria Quitéria de Jesus – Heroína da Pátria” e “Nísia Floresta – A primeira feminista do Brasil”, fazem referência à heroína da independência do Brasil e à pioneira na defesa dos direitos e na luta pela emancipação das mulheres, respectivamente.

Comandada por mestre Luciano, a bateria Sensação se veste de Kamayurás e Yawnawá. A rainha de bateria, Leidy Keron se torna Raimunda Putani, a primeira mulher indígena a ser aceita, no ano de 2005, como pajé da tribo Yawnawá. 

O segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira são Maria Bonita e Lampião, figuras emblemáticas do cangaço. As alas que compõe o segundo setor representam importantes avanços na luta das mulheres, como a Lei Maria da Penha, o movimento 8 de Março e Chiquinha Gonzaga, pianista, compositora e regente brasileira. A segunda alegoria se chama “Heroínas da Liberdade”.

O terceiro setor da escolha provoca o público com uma pergunta: “Em todos os cantos: sexo frágil?”. Mais dez alas compõe o final do desfile da agremiação e mostram os espaços ocupados pelo gênero feminino como a ciência, esporte, arte e educação. A ala das crianças representa a Emília, do Sítio do Pica Pau Amarelo. A agremiação fecha o desfile em homenagem aos 30 anos de fundação com a terceira alegoria “O mundo ideal: lugar de mulher é onde ela quiser! Viva os 30 anos da Unidos do Alvorada”.

“Seguimos em uma grande marcha pela busca de respeito ao gênero feminino, ‘mulheres unidas jamais serão vencidas’ e decretamos uma revolução, um grito de Liberdade. Relatamos legados de lutas e fortes emoções através de várias mulheres (…) uma pluralidade de grandes mulheres, que lutam no dia a dia e não desanimam pelo reconhecimento de seus ideais, assim, derrubando às muralhas do preconceito social, a violência doméstica, aos assédios, e intolerância racial e sexual”, assina a agremiação. 

Samba de enredo

“Divina Mulher! A Força, a beleza e a criação”

Compositores:  Ketlen Mayara, Milene Martins, Naian Nascimento, Carliomar Brandão, André Oliveira e Luciano Canavarro

Canta minha Alvorada, ando um banho de axé

Chegou mulher; chegou mulher!

De manto azul, com a força do lugar

A nossa voz ninguém vai calar! (2x)

Do criador, suave aroma e pureza,

Tanto amor, tanta beleza;

Se fez assim, do teu falar!

Guerreira de vida e fé;

Tua filha “oh mâe rainha”;

Teus braços pra aquecer, “mainha”!

Das mãos recriam, a voz acalma em 

Tua prece, a paz exala;

Esteja onde estiver, lugar de mulher

E onde ela quiser!

Entre becos e vielas, o amor que nos conduz

O sorriso dela é a estrela que reluz

Iluminado farol, mesmo na escuridão

Tu és minha “sensação” (2x)

Tão doce, tua forma de olhar

O teu caminhar, faz resplandecer!

Leva o perdão, onde há desamor

Essa é a força e o teu poder, amar…

Como se não houvesse o amanhã sonhar

Em cada esquina; um novo alvorecer

Abram alas eu vou desfilar esse

É o futuro que eu quero ter

“Salve elas, salve elas, sim senhor;

Alessandras e Dandaras contra

O grito do opressor

“Salve elas, salve elas, sim senhor;

Yaras e Marias nosso caso de amor.

Ficha técnica

Nome:  Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos do Alvorada
Fundação:  15 de maio de 1995
Cores:   Azul e Branco
Presidente:   Mário Jorge 
Carnavalesco:  Marcos Dorgam
Número de ritmistas:   198 (Bateria Sensação)
Coordenação:  Mestre Luciano Oliveira
Rainha de Bateria:  Leidy Keron
Número de alas:   18
Número de carros alegóricos:   Três e dois tripés