Amazonas consolida força paralímpica com foco no pódio mundial
Unindo a precisão do tênis de mesa à explosão do atletismo, a Associação Amazonas Paralímpico (AAP) renova fôlego, amplia base de jovens talentos e projeta paratletas no topo do ranking internacional
No coração da Amazônia, o esporte não é apenas uma disputa por medalhas; é um manifesto de resistência e autonomia. O que começou em 2022 como um projeto focado no tênis de mesa, hoje floresce como um celeiro de esperança para dezenas de jovens que encontraram na Associação Amazonas Paralímpico (AAP) o passaporte para o mundo. A meta é ambiciosa, mas fundamentada em números: competições nacionais e Paralimpíadas de Los Angeles 2028.
A AAP vive um momento de “robustez”, termo utilizado pelos seus idealizadores para descrever a recente integração de mais de 20 atletas do atletismo. São jovens que, parte deles estouraram a idade escolar e que, sem a associação, poderiam ficar à margem das pistas. Agora, eles têm um clube para chamar de seu e um ranking nacional e internacional para escalar.
União que Gera Força

(Foto: Divulgação)
O nascimento da AAP carrega a marca da vivência. Goutier Rodrigues, presidente em exercício e paratleta com passagem pela Seleção Brasileira de Tênis de Mesa, fundou a instituição ao lado de James Cardoso pela necessidade de uma representatividade que os clubes convencionais, muitas vezes focados apenas no esporte olímpico, não ofereciam.
“A gente jogava em clubes com ideologia somente olímpica. Sentimos que precisávamos do nosso clube para correr atrás dos nossos objetivos, inicialmente no tênis de mesa. Mas o esporte nos transformou como cidadãos e a união com o atletismo veio para fortalecer”, afirma Goutier.
Essa sinergia ganhou corpo com a chegada de figuras icônicas do paradesporto local, como os professores Joniferson Vieira e Joaquim Filho. Para Joniferson, diretor técnico da AAP, a migração dos atletas para a associação foi um passo estratégico para competir de igual para igual com os grandes centros do Sul e Sudeste.
“Nós precisávamos de representatividade para entrar no Circuito Loterias Caixa, ganhar bolsas melhores e pontuar no ranking. Hoje, temos uma mescla de atletas sub-17, sub-20 e veteranos que são referência”, explica Joniferson.
Os Gigantes do Ranking

(Foto: Divulgação)
O Amazonas já não é mais apenas uma promessa; é uma realidade estatística. A AAP orgulha-se de ter mais de dez atletas no “Top 10” do Brasil. O maior expoente atual é Rivander Santos, de 31 anos. Ele ocupa a 9ª posição no ranking mundial de Arremesso de Peso e lidera o ranking nacional com a marca de 12,73m.
Mas o futuro também atende pelo nome de Cleonor Camarão. Prestes a completar 18 anos, ela é a segunda melhor do Brasil nos 800 metros (categoria adulta). “Estamos na fase de aperfeiçoamento, mas o potencial dela é imenso”, projeta o diretor técnico. No quadro de honra da associação, ainda brilham nomes como:
- Adriano Moura: 6º no Salto em Distância (5,99m).
- Kauã Barbosa: 6º nos 100m em cadeira de rodas.
- Manassés Cruz: 7º no Arremesso de Peso.
Garimpando sonhos nas escolas
A manutenção desse ecossistema de vitórias depende da base. Por isso, o professor Joaquim Filho realiza um trabalho quase pastoral: visita escolas públicas para detectar novos talentos. “Ele treina de manhã e à tarde e, nos intervalos, vai às escolas garimpar quem tem o perfil para o desporto paralímpico”, revela Joniferson.
O apoio da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolart e a parceria com o Centro de Referência Paralímpico da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), sob a coordenação do professor Keegan Ponce, formam a rede de proteção que permite a esses jovens sonhar. Mais do que títulos, a AAP busca a democratização do esporte.
Para quem observa de fora, 2028 pode parecer longe. Para os atletas da Associação Amazonas Paralímpico, o cronômetro já está rodando. O “impossível” ali é apenas uma palavra que ainda não aprendeu a correr ou a segurar uma raquete.