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A Crítica
Esportes

Amazonense é pioneira nos ringues da WWE

Rita de Cássia sob o ‘ring name’ de Valentina Feroz, trilha o caminho do estrelato no NXT 2.0, categoria de desenvolvimento para jovens talentos da WWE

Publicado em 10/09/2022 às 19h12
Amazonense é pioneira nos ringues da WWE
Foto: Divulgação/WWE

O World Wrestling Entertainment (WWE), é a maior companhia de Pro Wrestling do mundo. Com mais de 70 anos de existência, é conhecida mundialmente não somente por seus majestosos eventos de luta-livre que arrastam multidões, mas também por suas atividades desportivas que excedem o campo dos ringues e chegam às plataformas de streaming e às telonas do cinema.Na multifuncional empresa, nomes como, John Cena, Dwayne Johnson ‘The Rock’, as irmãs Brie e Nikki Bella além de Ronda Rousey forjaram suas carreiras mundo afora na indústria do entretenimento, filmes músicas e os holofotes de terem sido ‘Superstars’ e ‘Divas’ -alcunhas pelo qual ficaram conhecidos os lutadores- do Pro Wrestling.

No caminho do estrelato, uma amazonense é pioneira na WWE, Rita de Cássia, mas pode chamá-la de Valentina Feroz, seu ‘ring name’ no NXT 2.0, categoria de desenvolvimento para jovens talentos da WWE. Mas a história remete às terras barés. 

Figura conhecida nos jogos escolares onde despontou com um dos grandes nomes do judô amazonense, Rita alçou voos mais altos, foi medalhista de bronze no mundial de judô em Abu Dhabi e em 2017, lutando jiu-jitsu, novamente subiu ao pódio nos Emirados Árabes. Contudo, era pouco para a jovem atleta, que faria história ao ser a primeira amazonense na maior companhia de entretenimento esportivo do mundo, a WWE. Hoje, sob a alcunha de Valentina Feroz, ela conta como chegou ao Pro Wrestling norte-americano e o que representa ser uma mulher brasileira da região norte nos ringues da WWE.

“A minha chegada na WWE começou em um ‘try out’ (teste de recrutamento que avalia habilidade dos atletas) no Chile, isso foi em 2018 e, em 2019 eu fui contratada. Sou a primeira amazonense a ser contratada pela WWE, foi e é um sonho para mim”, disse Valentina, que prosseguiu:

“A minha personagem é a representação de uma índia. Eu quis trazer muito da minha cultura para cá, expressar tudo isso, que tanto me orgulho. Inclusive minha frase é “welcome to my jungle” que traduzindo significa, ‘bem-vindo a minha selva’. Índia Guerreira é a minha personagem, pois explica a minha essência e a minha jornada, de onde eu vim, da minha terra e da minha história com as artes marciais, na qual muito me orgulho”.

Despojada de seu nome artístico, Rita falou sobre a transição das lutas esportivas de categoria olímpica para o Pro Wrestling de entretenimento. Ela cita que judô e jiu-jitsu são apenas parte de seu hobby e que a ajudam a manter a forma física como atleta.

“Eu não treino mais jiu jitsu e judô como antes pra ser sincera, pois hoje eles estão na minha vida mais como um hobby e uma paixão, então eu treino às vezes no final de semana para relaxar, e manter a performance, claro. Mas como hoje minha carreira é o Pro Wrestling e é algo que exige dedicação e treino eu foco bastante em evoluir, meu objetivo é me dedicar a minha carreira e eu faço isso com muito comprometimento, pois o Pro Wrestling não é apenas lutar, é muito mais do que isso. O Pro Wrestling é uma atuação também, preciso trabalhar meu lado atriz, o inglês, a performance, é todo um conjunto além do atletismo. Então hoje minha dedicação é muito mais no Pro Wrestling por ser minha carreira, mas meu amor pelo jiu jitsu e pelo judô permanecem, só é um novo momento na minha vida”, disse a lutadora em tom bem humorado.

 Historicamente a WWE não abrigou muitos lutadores brasileiros. Pelo contrário, até 2021 apenas seis nomes faziam parte da companhia. Buscando o seu espaço hall de grandes estrelas, Rita falou sobre o que representa em sua carreira como atleta, chegar onde tão poucos nomes chegaram. 

“Para os brasileiros acaba sendo um pouco mais difícil alcançar a WWE, pois acaba não sendo tão divulgado como em outros países. A visibilidade nos Estados Unidos e na Europa é muito grande. Eu mesma não sabia o que era pro wrestling até eu chegar aqui, mas quando eu entrei na WWE eu me encantei e me apaixonei por esse mundo. Sou muito feliz e muito grata pela minha trajetória e minha carreira dentro da WWE, essa empresa que abriu as portas para mim e posso ser canal para apresentar um pouco desse universo maravilhoso para o nosso Brasil”, disse a lutadora amazonense que sonha em fazer história.

“Meu foco maior é ser campeã na empresa primeiro, conquistar o cinturão feminino, nunca teve nenhuma brasileira, nenhuma latina conquistando, mas eu gosto de desafios. Eu estou lutando para conquistar cada vez mais meu espaço e minha visibilidade, treino pesado, estudando bastante para melhorar cada vez mais meu inglês e minha atuação”.

No entanto, os sonhos não param por aí. Com a exposição em uma empresa que atua em vários nichos da mídia, Rita espera explorar novos horizontes fora dos ringues.

“Eu acredito muito que um dia fora do ringue eu ainda possa fazer um filme, uma série. Estou dentro de uma das maiores empresas de entretenimento do mundo e isso só me motiva a sonhar e acreditar nos meus sonhos. Eles têm parcerias com diversas gigantes do mercado do entretenimento, inclusive vários atletas já atuaram em filmes, então com toda certeza as portas estão abertas e se a oportunidade chegar será um imenso prazer pra mim me desafiar e me jogar nessa” finalizou.