Manaus qui, 5 nov
A Crítica
Esportes

Amazonenses ficam no topo do ranking do wrestling nacional

Atletas amazonenses iniciam o ano de 2022 ocupando lugares de destaque no ranking nacional do wrestling e esperam chegar ainda mais longe

Publicado em 08/01/2022 às 21h50 · Atualizado em 08/03/2022 às 19h11
Amazonenses ficam no topo do ranking do wrestling nacional
Foto: (Foto: Arquivo Pessoal e Gilson Mello)

Começar o ano novo com o pé direito significa que a virada trouxe coisas boas. E foi este o caso para amazonenses do wrestling que começam o ano de 2022 no topo de suas categorias após a atualização do ranking brasileiro feito pela Confederação Brasileira de Wrestling (CBW).

Na categoria Sênior (adulto), por exemplo, três categorias são lideradas por amazonenses com Sabrina Gama, no estilo livre feminino até 53 kg, Tasso Alves, no estilo livre masculino até 79 kg e Kenedy Pedrosa na luta greco-romana até 72kg. A ponta da categoria, além de coroar o trabalho duro em um ano de pandemia e calendário de competições apertado, também é uma esperança para o ciclo olímpico Paris-2024 que começa neste ano.

“Estar entre as melhores do Brasil no estilo livre feminino me faz pensar que posso chegar muito além, que posso conquistar cada vez mais, apesar de ser um ano difícil. Só tenho a agradecer a todos que me acompanharam e acreditaram no meu trabalho e no esporte. Um deles foi o meu incentivador, o deputado Felipe Souza, que foi quem fez com que eu pudesse ir para as competições Nacionais”, declarou Sabrina Tapajós, líder do ranking na categoria até 53 kg. Para 2022, a atleta diz que já mira resultados melhores para se manter no topo e ficar mais perto das Olimpíadas de 2024.

“Ser a primeira do ranking me mostra que começamos com o pé direito em 2022 e vou buscar mais. Vou buscar a preparação e evolução para que eu possa me classificar para as Olimpíadas de Paris 2024. Os trabalhos não param. Não tirei férias de fim de ano com um propósito bem claro em mente: obter a maior quantidade de títulos em 2022, representando o Amazonas e o Brasil”, completou.

Além de fechar em primeiro no ranking nacional, Sabrina ainda figurou entre as dez melhores lutadoras do mundo na categoria até 53kg. A amazonense ficou na oitava colocação no ranking da United World Wrestling – entidade internacional responsável pela modalidade – que foi atualizado em junho. Esta é a primeira vez que uma atleta do estado figura entre as melhores do mundo.

Outro líder de categoria, Tasso Alves começou o ano tendo dificuldades após um tempo parado por conta de lesão. O ponto de virada foi o segundo semestre, quando ele se motivou para vencer as competições e terminar no topo dos 79 kg e conseguiu graças a vitórias importantes nos campeonatos regionais e na Copa Brasil, que fechou o calendário de 2021.

“Fiquei muito feliz com a primeira colocação. Isso mostra que ainda tenho muita lenha para queimar. Eu fiz agora 33 anos então e muita gente fala: ah, tá velho pro esporte, mas lutando contra jovens de 18, 20 anos, provei que eu sou número 1 do Brasil”, explicou.

Mas Tasso diz que o primeiro lugar não significa zona de conforto, pelo contrário. De olho em Paris, o atleta deve mudar de categoria já que a de 79kg não é olímpica. O amazonense explicou que ainda nesta semana, quando inicia os treinos para a temporada, deverá escolher se subirá para 86 kg ou descerá para 74 kg. Com experiência na modalidade, ele está confiante já que passou pelas duas ao longo da carreira – ele foi campeão Brasileiro na de 74 kg, em 2016, e vice na de 86kg, em 2018 –

“Como começa um novo ciclo olímpico para 2024, eu tenho que escolher uma categoria olímpica: ou desço para 74kg ou subo para 86kg e estou acostumado nas duas, então não teria problema nenhum. Devo decidir nesta semana porque começo os treinos e são treinos diferentes para cada uma. Então tem muita coisa para fazer em 2022, temos os Jogos Pan da modalidade e o Sul-Americano e as expectativas são as melhores. Eu não tinha mais isso de disputar o ciclo olímpico em mente, mas com os resultados do ano passado e lutando em alto nível, isso despertou um olhar em mim e nos técnicos, então não custa nada tentar e vou com coragem de campeão para tentar chegar em Paris”.

Categoria Junior

No Junior (de 18 a 20 anos), após fazer história em 2021 ao ser a primeira mulher amazonense a disputar um Jogos Pan-Americanos em competições individuais ao ficar em quinto lugar no Pan-Americano de Wrestling, Polyanna Araújo fechou o ano como líder da categoria até 50kg.

Outra amazonense que liderou o ranking, mas no sub-15 até 58 kg foi Laysla Barbosa.

“A sensação de ficar em primeiro no ranking é sensacional. Não imaginava conquistar tudo isso em 2021, mas sei que posso melhorar muito mais. Para chegar no top1 do ranking não foi fácil. Foram vários meses de treinamento tenso e suportando várias coisas e espero que em 2022 possa ganhar todas as competições e liderar a minha categoria”, comemorou.

Visibilidade

De acordo com Anderson Alves, presidente da Federação Amazonense de Luta Livre Esportiva (Falle), a boa posição de vários atletas amazonenses no ranking brasileiro traz benefícios como presença de atletas e técnicos nas seleções, o que aumenta as chances de participar de competições internacionais.

“O benefício é o destaque. O técnico ser convocado e ter mais atletas convocados para a seleção brasileira. O foco é sempre se manter na Seleção, estar sempre tendo os técnicos convocados também, então é muito importante para o estado porque dá uma visibilidade maior e agora tem os Jogos Pan, tem seletiva pro Sul-Americano sub-15, então essa é a importância”, comentou.

Falta de recursos comprometeu o topo

Apesar de não fechar o ano em primeiro lugar na categoria, alguns atletas se destacaram ao aparecer entre os melhores do ranking em classes diferentes. Um desses atletas é Eduardo Trovão, que fechou o ano em 2º categoria até 80kg (cadete) e ficou em 7º na categoria até 86kg (Junior).

“É uma sensação boa, mas, ao mesmo tempo, ruim. Eu fiquei em segundo no ranking, porém eu já havia ganhado do atleta que ficou em primeiro [João Victor Oliveira-RJ] em outras competições, mas por não ter ido para algumas competições e ele sim, acabou ficando na minha frente. Das competições que eu participei, não perdi nenhuma e isso mostra que eu poderia ter ficado em primeiro”, disse Trovão que, no ano passado chegou a fazer vaquinha e rifas para custear despesas de viagens para competições como a que fez antes do Campeonato Brasileiro Interclubes.

Mas a sensação de que poderia ter sido melhor também é um fator a mais para chegar motivado para as competições de 2022. “Isso mostra que, mesmo com o pouco que a gente tem, conseguimos transformar em muito. As expectativas para 2022 são grandes com campeonatos de grande importância estão previstos para esse ano, um deles é o mundial escolar e isso só depende de mim, ainda mais neste ano que troco de categoria, então as dificuldades virão em dobro”, completou Trovão que já em fevereiro disputa a seletiva para o Mundial.

Bryan Lucas Pereira também se destacou em duas categorias: ficou em terceiro na 61kg (Junior) e 57kg (senior). Vencendo Brasileiros, participando de Pan-Americanos e até tendo período de treinos fora do Brasil, Bryan dominava a categoria, mas esbarrou na falta de apoio para disputar as competições nacionais no fim do ano e acabou ultrapassado.

“A minha colocação não foi a melhor. Cheguei a ser primeiro em duas categorias, mas por causa dos custos não consegui ir em todas as viagens e passaram de mim por alguns pontos. Espero que esse ano seja bem melhor em relação às viagens e eu possa subir de posição”, comentou Bryan.

Viviane Bentes, 2º lugar na categoria até 57 kg Junior também chegou a ficar em primeiro no ranking, mas foi ultrapassada por não ter condições de viajar para algumas competições. “Não tive condições de ir para as competições que tiveram em dezembro e a menina que estava em segundo conseguiu me passar. Mas chegar em segundo mostra que o nosso trabalho é recompensado porque a gente treina diariamente e quando consegue resultados bons,vê que está no caminho certo mesmo que o nosso trabalho muitas vezes não tenha incentivo”.

Anderson Alves explicou que os amazonenses vêm dominando a modalidade no país e tendo bons resultados, mas o entrave principal continua sendo a falta de patrocínios para viagens – que são mais caras em relação aos custos de quem mora nas regiões Sudeste e Sul – e tudo isso foi agravado pela proximidade das competições no fim do ano.

“A gente vem fazendo esse trabalho do wrestling no Amazonas desde 2007 e em 2012 começamos a ter resultados que vieram de um trabalho lá atrás com as categorias de base. Hoje temos o máximo de atletas dominantes no país, mas com a pandemia as competições ficaram próximas e perdemos alguns primeiros lugares por não poder competir. Enquanto atletas de Minas, Rio, São Paulo viajam de ônibus, a gente só sai de avião e sai muito caro para a gente. Para ter uma ideia, a competição mais próxima foi no Rio Grande do Norte e acabou que isso atrapalhou”, lamentou.