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A Crítica
Esportes

Após quase 16 anos de hiato, Amazonas e Manaus reacende rivalidade amazonense na Série C

Uma nova safra de torcedores locais terá a oportunidade de assistir um duelo de times do estado na Terceirona

Publicado em 10/06/2023 às 14h56 · Atualizado em 11/06/2023 às 11h59
Após quase 16 anos de hiato, Amazonas e Manaus reacende rivalidade amazonense na Série C
Foto: Divulgação

Superando os percalços do tempo, o futebol amazonense terá neste domingo (11) às 15h, no estádio Carlos Zamith, o retorno de um confronto local na Série C do Campeonato Brasileiro, algo que não acontecia há quase 16 anos ou, mais precisamente, 5803 dias depois de Nacional e São Raimundo empatarem em 1 a 1 no saudoso estádio Vivaldo Lima. 

Após este duelo de centenários, quase duas décadas depois, a partida entre Amazonas e Manaus é uma oportunidade para que uma nova geração comece a acompanhar de perto o futebol amazonense. O torcedor do Gavião, Cleber Serrão, disse que se tornou uma rotina nos finais de semana levar os filhos: Annalyce (14), Lucas Vinicius (9) e Gabriel (3), em partidas do Manaus. 

A paixão pelo clube começou em 2018, ano em que o Manaus jogou suas primeiras competições nacionais e bateu na trave pelo acesso à Série C.

“Toda vez que tem jogo do Manaus a gente se organiza para não perder a partida e ir para a Arena da Amazônia. Quando não, em jogos em que o Manaus joga fora, a gente vai no Eldorado, ali onde a torcida costuma se reunir e torce com a mesma intensidade’, afirmou o representante comercial de 39 anos. 

A rotina nos estádios resultou em paixão ao Gavião, pelo menos é o que garante Cleber, que contou como faz para que a família saiba quando tem jogo do Manaus.

“Quando eu coloco a camisa do Manaus eles já sabem que a gente tem que ir para a Arena, todo mundo fica feliz, os meninos ainda são novos, gostam de ver o jogo, gostam de brincar, mas pode ter certeza de que todos se tornaram novos torcedores do clube, como em qualquer família existe uma influência, aqui a gente também fez”, concluiu. 


Atuante nas partidas do Manaus desde 2018, a família de Cleber se apaixonou pelo futebol amazonense através dos jogos do Gavião do Norte, fazendo com que os finais de semana no estádio se tornasse rotina (Arquivo Pessoal)

Oposto

Do lado aurinegro da história, Augusto Dias, mais conhecido no meio dos torcedores do Amazonas como ‘Arroz’, costuma levar em todos os jogos da Onça na capital os filhos mais velhos: Juan (22) e Bruna (23), além da caçula Julieh, que tem quatro anos. Morador do bairro Armando Mendes, zona Leste da capital, local onde o Amazonas manda os seus jogos, Augusto ainda conta uma curiosidade a respeito da sua filha mais Julieh e o Amazonas.

“Nós temos uma paixão muito grande pelo Amazonas e certas coisas ainda acontecem com uma coincidência dentro das nossas vidas. A minha filha Juju hoje a gente considera a mascote da Onça e, ainda por cima, os dois quase nasceram no mesmo dia, mas minha filha é mais velha do que o clube apenas seis dias”, conta Augusto, que também é presidente da torcida Amigos da Onça. 

Ao lado dos outros filhos, Augusto conta que começou a levar a pequena Julieh ainda com meses de vida aos jogos do Amazonas. “Os dois nasceram praticamente juntos e desde então a gente leva a pequena e os outros para os jogos do Amazonas e hoje a gente sente que a família é apaixonada por esse clube”. 


A conexão da família de Augusto com o Amazonas vai além da paixão pelo clube. Julieh, a filha mais nova, nasceu seis dias antes do próprio clube ser trago ao mundo do futebol amazonense (Arquivo Pessoal)

Estreias

Além de ser o primeiro confronto entre as duas equipes em um confronto nacional, esta será a primeira vez que Amazonas e Manaus se enfrentam no estádio Carlos Zamith. Em quatro jogos entre as duas equipes na história – sem contar os confrontos do cancelado Barezão de 2020 – o Gavião tem duas vitórias, a Onça venceu uma vez e tivemos um empate, com todos os jogos acontecendo na Arena da Amazônia.

Na edição de 2023 do Barezão, em que o Amazonas terminou com o título e o Manaus acabou eliminado nas quartas de final, a Onça venceu o Gavião por 1 a 0, ainda na primeira fase, com gol de Bruno Nunes, um dos raros jogadores do plantel que esteve naquela partida, mas que hoje não faz mais parte do elenco do técnico Rafael Lacerda. 

Desgaste preocupa

Na última quinta-feira, o Manaus acabou derrotado para o CSA, em partida que tomou uma virada após abrir o placar no segundo tempo. Além da derrota, o técnico Higo Magalhães destacou o processo de recuperação que a equipe terá que passar por conta do curto espaço de tempo entre viagem e o jogo contra o Amazonas. 

“É uma situação que preocupa, pois o nosso intervalo de um jogo para o outro é menor, incluindo o desgaste da viagem, mas não temos o que fazer, precisamos entrar em campo no domingo e recuperar esses atletas para jogarem forte. Sabemos a importância de fazer um jogo sólido e ganhar um clássico, respeitamos o nosso adversário, sabemos que eles vivem um melhor momento que o nosso, mas temos a consciência de que, mesmo com toda a dificuldade do desgaste, a gente pode ter a lucidez para competir em pé de igualdade”, afirmou Higo. 

No empate contra o Botafogo (PB) no meio de semana, Rafael Lacerda garante que as diversas mudanças não foram feitas pensando no duelo contra o Manaus neste domingo. 

“Minhas trocas no jogo contra o Botafogo não foi pensando no Manaus, tanto é, um exemplo bom de que eu não pensei no clássico foi que eu coloquei dois jogadores pendurados, poderia ter tirado o Spice, que é um jogador de combate, poderia tirar o PH, que hoje é fundamental na nossa equipe e acumula dois cartões amarelos e tiraria o Sassá, que é o artilheiro da competição com sete gols, podendo ter um risco de lesão”, disse o comandante do Amazonas.