Árbitro auxiliar, Uesclei dos Santos já foi alvo de injúria racial no futebol baré
Levantando a bandeira de 'luta', Uesclei superou as dificuldades e hoje faz parte do quadro de árbitros da CBF
‘Está marcando errado, seu macaco!’ e ‘Esse macaco tinha que estar na senzala!’: algumas das frases que o bandeirinha Uesclei dos Santos já precisou escutar enquanto realizava a atividade da sua profissão, à beira do gramado, sendo árbitro auxiliar em partidas do Campeonato Amazonense de Futebol.
E não se trata de algo isolado. Por ter o tom de pele escuro, Uesclei já foi alvo de injúrias raciais em duas oportunidades enquanto bandeirava.
Em 2018, quando acontecia um Fast Clube e Penarol pelo Barezão do mesmo ano, o bandeirinha foi xingado por um torcedor do Rolo Compressor ao assinalar que um jogador do Tricolo estava em impedimento.
“Pude ouvir alguns torcedores me tratando com injúria racial, dizendo: ‘tinha que ser preto mesmo, preto macaco. Esse macaco tinha que estar na senzala’. Tentando identificar, vi que eram torcedores do Fast Clube”, relatou o bandeirinha.
Já neste ano, Uesclei voltou a ser alvo de ofensas em uma partida entre Nacional e Princesa do Solimões, na Arena da Amazônia. Após o jogo, o árbitro assistente registrou boletim de ocorrência contra o indivíduo.
Bandeirinha resiliente
Forte para superar as adversidades, Uesclei segue em atividade e faz parte do quadro de árbitros da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), entidade máxima da modalidade no Brasil.
“Não me abalo fácil com esse tipo de atitude. Venho de uma família que também é negra, e meu pai nos ensinou o certo e o errado. Desde cedo aprendi que poderia conviver com isso, afinal, estou em um mundo preconceituoso”, afirmou Uesclei, que aponta para a ausência de amor como a principal responsável para a existência do racismo em território brasileiro.
“Falta informação e conhecimento para que isso não aconteça. É triste a gente ainda hoje, no século em que vivemos, passar por episódios lamentáveis como esse”, ressaltou o bandeirinha.
“Fico feliz que no dia de hoje os nossos atencessores que lutaram pela melhoria da raça sejam homenageados”, concluiu Uesclei dos Santos.