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A Crítica
Esportes

‘Caçadores de Estádios’ visitam a Colina e a Arena da Amazônia

Casal percorreu 172 estádios, em 23 países, em 'tour' de acessibilidade que vão de competições de Copa do Mundo a Brasileirão Série D

Publicado em 15/06/2024 às 12h15
‘Caçadores de Estádios’ visitam a Colina e a Arena da Amazônia
Foto: Divulgação

O casal Cláudio e Karla Bazoli é conhecido no meio digital como Caçadores de Estádios. Desde 2013, eles viajam pelo Brasil conhecendo as praças esportivas e registrando a acessibilidade dos locais de jogos, já que Cláudio é cadeirante. Todas as experiências são relatadas na página do Instagram e vão desde a locomoção até a participação social que as pessoas em cadeira de rodas enfrentam ao assistir uma partida. 

Em Manaus, o casal assistiu a dois jogos: um na Arena da Amazônia e outro Ismael Benigno, a Colina. 

“Em Manaus, a estadia foi bem curta na cidade, chegamos na sexta-feira e na segunda-feira pegamos voo de volta. Também gostamos muito de fazer tour, porém é nos jogos que a experiência é real, na ótica de quem avalia se as coisas funcionam ou não”, contou.

A Colina

A primeira experiência em solo amazonense iniciou no estádio Ismael Benigno, a Colina, no bairro São Raimundo, zona Oeste de Manaus. Cláudio e Karla foram assistir o jogo entre Manauara e Princesa do Solimões pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro Série D, no dia 18 de maio. 

Na avaliação de Cláudio, o local, que foi totalmente reformado para ser um Centro de Treinamento para a Copa do Mundo de 2014, atende todas as normas de acessibilidade quanto à circulação mínima, rampas de acesso às arquibancadas, banheiros dimensionados e equipados para uso de Portadores de Necessidades Especiais, barras de apoio e cuidado na escolha dos acabamentos do piso.


Em Manaus, Cláudio e Karla Bazoli foram assistir o jogo entre Manauara e Princesa do Solimões pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro Série D (Foto: Divulgação)

 

Para Cláudio, a locomoção foi tranquila, o que de negativo transpareceu foi a falta de cobertura do local.

“No Ismael Benigno há bastante presença de rampas por todo o estádio. Conseguimos chegar de boa à arquibancada, lembrando que uma rampa de acessibilidade além de facilitar a vida de um cadeirante, também beneficia idosos, obesos, grávidas, pessoas com dificuldades de locomoção. O que falta é uma área coberta, pois em caso de chuva ou muito sol algumas cadeiras de rodas movidas a bateria podem se danificar, mas de uma forma geral, a nossa experiência foi bastante satisfatória”, relatou. 

Arena da Amazônia

Para conhecer a imponente, os cariocas precisaram sair após o fim do primeiro tempo entre Manauara e Princesa do Solimões e se deslocaram para a partida do Amazonas e Paysandu, pela Série B do Brasileirão, que aconteceu no mesmo dia. 

“Na Arena da Amazônia acho que deveria ter uma maior fiscalização do staff do estádio impedindo que as pessoas que não tem deficiência fiquem em pé no espaço para cadeirantes. Esse problema é corriqueiro na maioria das grandes Arenas do país, disputamos espaço com pessoas que não tem conscientização ou que falta empatia”.

Para chegar até o estádio, os torcedores precisavam enfrentar uma caminhada na avenida Flaviano Limongi, uma vez que a diretoria do Amazonas fechou a rua. Outro contratempo surgiu durante o jogo, com torcedores sem limitação de movimentos assistindo à partida no espaço destinado aos cadeirantes e prejudicando a visão do campo para Cláudio.


Dificuldade enfrentada pelo casal na Arena da Amazônia foi a ocupação de área destinada a pessoas com deficiência por pessoas sem deficiência, atrapalhando a visibilidade do jogo. (Foto: Divulgação)

 

“A experiência seria melhor se as pessoas respeitassem o espaço acessível e deixo como sugestão ou a elevação do espaço do cadeirante ou a retirada de cadeiras, apenas da última fileira, pois quando as pessoas se levantam obstruem a visão”.

Ponto positivo

De positivo, os Caçadores elogiaram a retirada dos ingressos, pois os clubes permitem a busca dos bilhetes no dia da partida, facilitando a ida aos estádios. 

“Em ambos, a gratuidade do cadeirante é retirada na hora. É uma coisa meio óbvia, mas no Maracanã, por exemplo, a gratuidade só é oferecida até o dia anterior ao evento. Isso afasta os beneficiários do direito à gratuidade, pois terão que se deslocar duas vezes ao estádio para a retirada e para assistir ao evento”, comentou. 

O Amazonas foi o vigésimo estado do Brasil visitado pelo casal. A primeira “caça” foi na Argentina, onde depararam com dificuldades básicas de locomoção, como a falta de rampa que dá acesso à arquibancada. Desde então, eles dão visibilidade a problemas estruturais com o projeto pelas redes sociais através da página Caçadores de Estádios de Futebol, no Instagram. 

O casal carioca já frequentou 172 estádios, em 23 países. No currículo eles têm competições importantes, como a Copa do Mundo do Catar, em 2022. Das 12 Arenas da Copa do Mundo de 2014, que ocorreu no Brasil, a Arena da Amazônia era a única que faltava conhecer.