Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Esportes

Conheça a história de Leide Laura, uma mulher que transforma desafios em conquistas

Assistente do quadro da Faf, Leide Laura participou de um curso da CBF, o Arbitragem sem Fronteiras e divide rotina com trabalho no Distrito Industrial

Publicado em 27/07/2025 às 20h37
Conheça a história de Leide Laura, uma mulher que transforma desafios em conquistas
Foto: Laiza Balieiro

No barulho dos maquinários da fábrica onde trabalha, Leide Laura Rocha Carneiro carrega mais do que ferramentas e metas de produção. Ela carrega sonhos. E nas horas em que troca o uniforme da indústria pela bandeira de árbitra assistente, sua história ganha outro tom — o do amor pelo futebol que atravessou os anos, os medos e as adversidades.

Natural de Benevides, no Pará, mas atualmente morando em Manaus, Leide descobriu o universo da arbitragem ainda jovem, aos 17 anos. O convite surgiu enquanto trabalhava na Secretaria de Esportes de Rio Preto da Eva. A princípio, recusou. Mas o destino, como costuma fazer com quem tem paixão verdadeira, insistiu. Aceitou aprender, e logo se apaixonou pela função.

Desde criança, o futebol já era parte da sua vida: chorava para ganhar uma bola do padrinho, brincava com os irmãos, e até sonhava em ser jogadora profissional. Começou como atacante, mas virou goleira por necessidade do time. O campo, de um jeito ou de outro, sempre foi sua casa.

“Eu queria ser jogadora e até mandava bem. Era atacante, mas acabei virando goleira, porque a jogadora titular do time faltava muito”, declarou a assistente.


Leide Laura atua como árbitra assistente e participou do projeto Arbitragem sem Fronteiras (Laiza Baileiro)

 

Na arbitragem

Aos 37 anos, Leide integra o quadro da Federação Amazonense de Futebol (FAF) desde 2024, atuando como árbitra assistente. Mas sua dedicação ao esporte vai além dos jogos. Ela divide seu tempo entre a arbitragem e o trabalho na produção de uma empresa do Polo Industrial de Manaus. É na correria da vida, literal e figurada, que ela mostra sua força.

E foi correndo, no dia 10 de junho, durante o teste físico da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que Leide viveu um dos momentos mais marcantes da sua trajetória. A viagem ao Rio de Janeiro só foi possível graças ao apoio do projeto “Arbitragem Sem Fronteiras”.

“O projeto é idealizado para promover inclusão e oferecer oportunidades a árbitros de diferentes regiões, com apoio da Comissão Nacional de Arbitragem, do presidente Rodrigo Cintra, do deputado e presidente da FAF, Ednailson Rozenha, e da Comissão Estadual”, explicou.

No dia do teste, enquanto corria, ela reviveu mentalmente cada treino, cada obstáculo superado, os dias exaustivos, os “nãos” recebidos, mas também a fé inabalável e a vontade de mostrar que era capaz. No momento mais difícil, quando as forças pareciam faltar, foi uma colega quem estendeu a mão e correu ao seu lado até o fim. Ao completar a prova, as lágrimas não vieram só do cansaço, mas da certeza: todo o sacrifício vale a pena.

“Foi um dos momentos mais desafiadores e emocionantes da minha vida. Enquanto eu corria, passava um filme na minha cabeça: todo o esforço nos treinos, as dificuldades superadas, as noites de cansaço, os ‘nãos’ que ouvi pelo caminho. Mas também a vontade imensa de vencer, de mostrar que eu era capaz. Cada passada era uma mistura de nervosismo e fé. Eu só pedia a Deus que me ajudasse a finalizar as voltas, e foi quando Ele me respondeu, colocando uma colega para correr comigo e me ajudar a concluir. Quando terminei, a emoção tomou conta. Foi a prova de que todo sacrifício vale a pena”, relembrou.


Com uma rotina puxada, Leide Laura divide seu tempo entre a arbitragem e o trabalho na produção de uma empresa do Polo Industrial de Manaus (Arquivo pessoal)

 

Mensagem de coragem

A trajetória de Leide é feita de coragem, fé e persistência. E é com essa força que ela deixa um recado para outras mulheres que sonham com a arbitragem.

“Não deixem que digam que esse lugar não é pra vocês. Sei que não é fácil, mas cada passo, cada treino, cada jogo vale a pena. Acreditem em si mesmas, mesmo quando o mundo duvidar. A arbitragem é feita de paixão, coragem e força, tudo que uma mulher carrega no coração. O apito e a bandeira também podem, e devem, estar nas mãos de uma mulher”, explicou.

No campo ou na fábrica, Leide segue firme, provando que o lugar de uma mulher é onde ela quiser. E que o amor pelo futebol pode pulsar forte até mesmo entre engrenagens e sirenes.