Corinthians e Santos decidem hoje quem continuará na Libertadores 2012
Timão entre em campo com um gol de vantagem e se conseguir segurar o empate se garante pela primeira vez, na final da competição
Nesta quarta-feira, às 20h50 (Manaus), no Pacaembu, um, dos dois últimos gigantes do futebol brasileiro, remanescente na Copa Libertadores da América, dirá adeus a competição. O ditado “morrer na praia” não cabe nem para Santos, nem para Corinthians, pois o segundo e decisivo duelo acontece na capital paulista, muito longe do litoral, onde os desbravadores do maior Estado do Brasil, iniciaram, no século 16, a arriscada jornada com destino ao interior do País.
Antes de seguir sertão a dentro, os Bandeirantes (como eram chamados) tinham que atravessar a Muralha que separa o litoral santista de São Paulo. Hoje, a Serra de Santos não é um obstáculo quase intransponível como foi retratado na obra literária de Diná Silveira de Queirós, que virou minissérie de sucesso cinco séculos depois. Nem por isso os viajantes que percorrerão o trajeto deixarão de enfrentar uma Muralha – esta sim, impenetrável: o goleiro corintiano, Cássio.
Desde que assumiu a condição de titular, o camisa 24 do Timão disputou cinco partidas e ainda não sabe o que é ser vazado na Libertadores. São 450 minutos de invencibilidade.
“É o trabalho de todo time, do Julio (Cesar, reserva, barrado por Cássio), do Danilo (Fernandes, terceiro goleiro). Todo mundo se dedica e faz o que o professor pede. Estou feliz, mas não podemos relaxar. Teremos de jogar muito para superar o Santos”, alertou com humildade o “Paredão” do Parque São Jorge, lembrando que os desbravadores que subiram a serra não são aventureiros de primeira viagem. São os atuais campeões da competição que o Corinthians jamais venceu em sua gloriosa história.
“Penso na próxima bola! Já me concentro. Fico feliz por evitar o gol, mas tento manter a concentração e o foco até o final. Aí sim, depois que acaba, é hora de comemorar”, alerta o goleiro que só levou dois gols nas 11 partidas que disputou como titular do Timão.
O Corinthians também contará com o recuperado Chicão, Leandro Castán, Ralf e Paulinho, peças importantes para a melhor defesa da história da Libertadores, com apenas dois gols sofridos pelo questionado goleiro Júlio César.
Se o “bombardeio” prometido pelos desbravadores santistas pararem mais uma vez nas mãos de Cássio, o Corinthians chegará a sua primeira decisão de Libertadores. Pelo bom resultado conquistado na primeira partida, o goleiro pode até se dar o luxo de ser vazado, desde que o time também marque o mesmo número de gols ou apenas um a menos. A repetição do placar, de 1 a 0, a favor do Santos, leva a decisão da vaga para o pênaltis. E ninguém do Timão quer imitar os colonizadores de cinco séculos atrás, onde o tiro livre direto era a única certeza de quem se aventurava a ir a diante na caminhada épica.
Ordem é atacar o Timão Atacar sem medo, mas sem deixar a retarguarda exposta. Essa é a estratégia santista – qualquer semelhança, com a tática utilizada pelos desbravadores bandeirantes do século 16, não é mera coincidência -, é necessidade mesmo.
Para reverter as vantagem imposta pelo Corinthians, o técnico Muricy Ramalho utilizará munições de todo calibre no Pacaembu. O quarteto formado por Paulo Henrique Ganso, Alan Kardec, Neymar e Borges é a prova disso.
Este ataque já teve média de gols superior a dois gols por partida no início do ano, mesmo sem superar o goleiro Cássio, Muricy Ramalho gostou do que viu e torce para que o artilheiro Borges volte a ter o aproveitamento apresentado no Brasileirão do ano passado, quando fez 24 gols em 33 jogos.
O atacante Neymar, a principal estrela santista, resumiu desta forma a apetite do time. “Vamos para o pau”.
A torcida do Peixe se dará por satisfeita se o histórico de insucessos do rival na Libertadores permaneça, prevalencendo o ditado popular de que “pau que nasce torto, nunca se endireita”.
Corinthians x Santos
Corinthians Cássio; Alessandro, Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Alex e Danilo; Willian e Jorge Henrique. Técnico: Tite.
Santos Rafael; Henrique, Edu Dracena, Durval e Juan; Adriano, Arouca, Paulo Henrique Ganso e Alan Kardec; Neymar e Borges.
Estádio: Pacaembu, em São Paulo (SP)
Horário: 20h50 (Manaus)
Árbitro: Leandro Pedro Vuaden (Fifa/RS)
Assistentes: Altemir Hausmann e Alessandro Rocha.