Diego Lopes conta que já lutou de graça e explica relação com o público mexicano
Amazonense do Mutirão estará no card principal do UFC Nashville deste sábado (5) contra o canadense Gavin Tucker
O amazonense Diego Lopes está prestes a fazer a segunda luta no maior evento de MMA do planeta contra o canadense Gavin Tucker, pelo peso-pena (até 65,7kg), no card principal do UFC Nashville.
Lopes é cria do conjunto Amazonino Mendes, conhecido como Mutirão, na zona Norte de Manaus e tentará a primeira vitória dentro da organização após a derrota na estreia para o russo invicto Movsar Evloev, top 10 da categoria.
Neste sábado (5), as lutas preliminares começam a partir das 18h (de Manaus), com transmissão ao vivo do UFC Fight Pass.
Carreira
Integrante da academia Brazilian Warriors/Lobo Gym, Diego chegou no México em 2015 para dar aulas de jiu-jitsu. Desde então, Lopes consagrou-se ao conquistar o cinturão peso-pena do Lux Fight League em 2019, título que ele defendeu com sucesso outras duas vezes.
O amazonense conta que o sucesso no país e o tempo de casa fez com que o seu público nas redes sociais fosse majoritariamente mexicano e que esse panorama só veio mudar após sua primeira luta no Ultimate.
“Antes da minha luta no UFC, acredito que 90% das pessoas que me seguiam eram do México, então eu tenho um carinho enorme por eles, sou muito feliz e orgulhoso de poder estar ganhando o público brasileiro também e vou representar os dois países com todas as minhas forças sempre que me apresentar no octógono”, disse Diego.
Próximo de completar oito anos no México, a primeira ‘escala’ dentro desta jornada que terminou com Lopes cruzando de um continente para o outro aconteceu ainda em Manaus. Nas raízes do Clube Freitas, Diego afiou o jiu-jitsu até ter a primeira oportunidade de lutar MMA, aos 17 anos. O amazonense fala que esta chance surgiu de uma indicação do seu irmão, Thiago Freitas.
“Teve um dia em que ele chegou e disse que tinha uma luta para mim, falou que eu tinha um mês e meio de preparação, eu disse que nunca havia feito MMA e ele respondeu que era para eu usar o meu jiu-jitsu, levar para o chão e finalizar. Desde aí eu comecei, eu só tinha 17 anos, fiz mais algumas lutas e até que chegou o momento em que eu falei para a minha família que eu iria tentar algo fora do estado”, explicou Diego.
Longe do ambiente familiar, Diego chega em São Paulo em 2014. Ele conta que precisou alinhar sua vida no mundo das lutas com alguns ‘bicos’ para ajudar nas contas do final do mês. Em um desses serviços, o amazonense diz que já foi segurança de boate e que já aceitou luta sem remuneração por conta da visibilidade que o evento trazia.
“Tive um professor de muay thai que me indicou para ser segurança de uma boate, foram poucas coisas que eu fazia, mas que me ajudavam bem, pois o objetivo principal sempre foi me manter financeiramente com a lutar. Eu cheguei a lutar de graça em São Paulo. Teve um evento que passava na televisão, ao vivo para todo o Brasil e uma pessoa chegou comigo dizendo que tinha uma luta, mas que não teria pagamento”, frisou Diego.
Primeira chance
Com um cartel atual de 21 vitórias e seis derrotas, Diego Lopes teve sua primeira oportunidade de assinar com o UFC em agosto de 2021, quando participou do Dana White’s Contender Series.
O convite chegou com apenas duas semanas de antecedência e o amazonense perdeu para o compatriota Joanderson Tubarão. Após esse revés, Diego voltou a lutar pelo Lux Fight League e pelo Fury, conquistando vitórias que o colocaram novamente no radar do UFC.
Segunda chance
Em março de 2023, para o UFC 288, Diego recebeu o convite de substituir o americano Bryce Mitchell e enfrentar Movsar Evloev com apenas cinco dias de antecedência. Mesmo com mais um desafio aceito sem tempo hábil para preparação, o amazonense foi o grande destaque da noite, levando o invicto russo até as últimas consequências para espremer o resultado em uma vitória por decisão dos juízes.
Mesmo com a derrota em sua estreia no UFC, Diego chamou a atenção de Dana White que prontamente lhe deu uma chance de retornar ao octógono do Ultimate, mas desta vez com um camp completo para mostrar todo o seu potencial na organização.
“Agora sim eu tive uma boa preparação, tive um camp de 10 semanas, que é um tempo ideal para um lutador se preparar, treinamos bem a parte física, jiu-jitsu, boxe, mental, que é muito importante para um lutador, então estou muito feliz de estar aqui, receber o carinho do pessoal, me sinto pronto, preparado e não vejo a hora de entrar no octógono mais uma vez”, disse Diego.
Sobre o adversário
O veterano de 37 anos, Gavin Tucker tem um cartel de 13 vitórias e duas derrotas no MMA. A sua última apresentação no UFC foi em 2021, quando foi nocauteado por Dan Ige no primeiro round. Antes desta derrota, o canadense acumulava uma sequência de três vitórias seguidas. Uma série de cirurgias no ombro fez com que o lutador ficasse tanto tempo afastado dos combates.
“A gente sabe que ele é um lutador bastante perigoso, que gosta de terminar as lutas de forma rápida, que vai para frente, busca sempre a luta e tem uma boa taxa de finalização e, eu acho que com a taxa de finalização que ele tem e a minha, eu acredito que essa luta não vai para a decisão, o nosso plano de luta está bem mapeado e estamos prontos para chegar lá e fazer a nossa parte e sair com a vitória”, concluiu Diego.