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A Crítica
Esportes

Do Amazonas para o Paraná: dupla amazonense brilha no Tricolor

João Victor e Pedro Campos, conheça as duas joias do futebol amazonense de 10 e 11 anos de idade que estão brilhando na divisão de base do Paraná Clube

Publicado em 20/01/2020 às 19h45 · Atualizado em 10/03/2022 às 20h38
Do Amazonas para o Paraná: dupla amazonense brilha no Tricolor
Foto: João Victor (à esquerda) é volante-artilheiro. Pedro Campos, o Pedrinho Manaus é lateral direito (Fotos: Leanderson Lima)

“Quem nunca sonhou em ser um jogador de futebol?” O verso da música “É uma partida de futebol”, da banda mineira Skank revela muito sobre a “pátria de chuteiras” e o amor incondicional que os brasileiros têm pelo esporte. De Norte a Sul do País, milhares de meninos sonham com uma carreira no futebol, mas, para Pedro Campos e João Victor, este sonho já começou a se tornar realidade.

Jogadores do Paraná Clube, a dupla se prepara para a segunda temporada no Tricolor da Vila Capanema, em Curitiba, no Paraná. Mas antes, de passagem por Manaus, eles concederam uma entrevista exclusiva com o portal acritica.com para contar como está sendo esta grande aventura no sul do Brasil.

As feras

Pedro tem 10 anos e João Victor 11 anos. Um é lateral direito o outro é volante. Revelados pelo Real Manaus, eles começaram a mostrar desde cedo que eram diferenciados, como explica o técnico do Real, Romário, 32.

“Quando eu os vi dando primeiros toques na bola eu disse para mim mesmo: ‘são diferenciados’. Comecei a trabalhar os fundamentos táticos e eles conseguiram responder dentro da demanda. São dois garotos brilhantes, com raciocínio rápido dentro de campo. São dois grandes talentos”, atesta o professor.

“Eles têm um nível de compreensão do jogo acima da média para a idade deles”, ressalta o professor Victor Alonso, o Totti, do Real Manaus, que fez a ponte para que os meninos fossem testados no Paraná Clube.

Aprovados de “cara” nos testes no clube, foi a vez dos pais de Pedrinho e João tomarem a decisão mais difícil: deixar a vida em Manaus para ajudar os filhos a realizarem este grande sonho.

Vida em Curitiba

O diagramador Edivan Viana, de 42 anos, pai de Pedrinho, fala sobre a difícil adaptação na capital paranaense.

“Foi uma decisão muito difícil para a gente tomar. A gente foi para lá na cara e na coragem. Demoramos a se adaptar um pouquinho pelo clima. Chegamos a pegar menos dois graus”, conta Edivan, que sentiu o impacto de sair do clima amazônico na casa dos 40 graus para encarar o frio curitibano.

Maior que o frio, só mesmo a dificuldade para conseguir colocação no mercado de trabalho. “Eu fui atrás de trabalho, entreguei currículo pra tudo que é lugar, lanchonete, restaurante, pizzaria, posto de gasolina, tudo, mas não consegui nada lá”, lamenta.

Edivan revela que conseguiu passar a primeira temporada em Curitiba graças aos recursos que tinha e do seguro desemprego. Agora, em Manaus, ele tenta conseguir um emprego para poder manter Pedrinho e a esposa morando em Curitiba.

Na direção

Quem também largou emprego e família em Manaus para acompanhar o filho em Curitiba, foi Fabiano Menezes, de 40 anos, o pai do volante João Victor.

“Eu já vinha esperando esse momento de Deus abrir uma porta para o meu filho. É muito difícil ficar longe dos amigos, dos familiares, da mãe dele que mora aqui (em Manaus)”, explica.

Para conseguir “segurar as pontas” na capital paranaense, Fabiano começou a trabalhar como motorista de aplicativo.

“A única renda que eu tenho é essa. Aqui (em Manaus) eu trabalhava como comissionado. Mas graças a Deus está dando certo. Lá é a porta para o João seguir a carreira dele”, pontua.

Fabiano diz que nunca imaginou ter um filho jogador de futebol, até porque ele, com a bola no pé, não tinha lá esse talento todo. “Eu só jogava bola na rua e nem era aquele fã todo de futebol. Quem joga bola são os meus dois irmãos. Da minha parte eu sou péssimo”, entrega.

Os primeiros frutos

O ano de 2019 marcou a primeira temporada de Pedro e João no Paraná, e eles já ostentam as primeiras medalhas conquistadas.

No Sub-10, Pedrinho – que no Paraná é chamado de Pedrinho Manaus – ficou em terceiro lugar na Copa CWB; levou medalha de prata na Supercopa Metropolitana de futsal, e conquistou a medalha de ouro na Taça Curitiba de futebol de campo. Pedro inclusive será premiado em março como destaque do torneio.

Para o garoto, a grande dificuldade da primeira temporada nem foi tanto o frio. “Não senti muito (o frio). A grande diferença é no preparo físico que lá é diferente. Às vezes eu cansava mais quando o jogo era muito pegado”, explica Pedro, que ressalta ainda a importância de todo apoio que recebe da família nesta jornada. “Tenho certeza que um dia chego lá, com o apoio de todo mundo, dos meus colegas e da minha família”, diz o lateral direito.

Que fria!

Diferente de Pedrinho, João Victor conta que sentiu muito o frio curitibano, mas que a sensação de poder estar realizando o sonho de jogar em um grande clube faz tudo valer a pena.

“Nem toda criança tem essa oportunidade que eu e o Pedro estamos tendo. Eu agradeço a Deus, agradeço ao clube por acreditar no meu potencial. Tem que trabalhar muito para poder estar lá, e o frio sem dúvida foi a maior dificuldade que eu tive quando cheguei lá”.

Atuando pelo Sub-11 em sua primeira temporada, João Victor já conquistou duas medalhas de prata no Campeonato Paranaense de futebol campo e no Campeonato Paranaense de futsal, e levou ouro na Taça CWB.

O time completo, da esquerda para a direita: Edivan Viana e o filho Pedrinho; João Victor e o pai Fabiano. Ao fundo, o técnico Romário e o professor Victor Alonso, o Totti