Documento comprova que havia sêmen de Cuca em corpo de criança vítima de estupro
O ex-técnico do Corinthians foi condenado por um caso de violência sexual contra uma criança de 13 anos ocorrido em 1987. Advogados do treinador negam
A diretora do arquivo de Berna, Barbara Studer, divulgou nesta sexta-feira (28) uma página do processo judicial onde confirma que havia sêmen de Cuca, destituído do cargo de técnico do Corinthians na quinta-feira (27), no corpo da criança de 13 anos, vitima de crime sexual ocorrido em 1987. A entrevista exclusiva foi publicada no site GE, e concedida aos jornalistas Guilherme Pereira, Marina Wentzel e Martín Fernandez.
O documento com 1.023 mil páginas está guardado nos Arquivos do Estado do Cantão de Berna, capital da Suíça. Segundo o GE, o caso está sob segredo de Justiça por um período de 110 anos. Mas aceitou mostrar uma página do documento, a de número 915, na qual começa a sentença do caso, proferida pelo Tribunal Criminal de Berna em 15 de agosto de 1989.
Na página do processo à qual o site GE teve acesso, o documento, em alemão, mostra os nomes dos quatro réus: Alexi Stival (Cuca), Henrique Etges, Eduardo Hamester e Fernando Castoldi. Na época todos jogadores do Grêmio, além dos crimes pelos quais eles foram julgados e condenados: ato sexual com menor e coação. O nome da vítima foi preservado, assim como os de cinco testemunhas.

(Fonte: GE)
Em agosto de 1989, o jornal suíço Der Bund, que cobriu o julgamento, publicou reportagem da publicação cita expressamente que havia sêmen de Cuca no corpo da vítima. E menciona que ela tentou suicídio depois do crime. Barbara Studer confirmou as duas informações, sobre o sêmen e a tentativa de suicídio. “Posso dizer que o que está no artigo (do jornal) está correto. Realmente o que está provado é que houve uma situação sexual com uma menor de idade, de treze anos”, disse Barbara Studer.
Condenação
Os quatro jogadores foram presos no dia 30 de julho de 1987, horas depois do crime. Eles permaneceram em presídios diferentes durante a investigação do caso. Após um mês presos, os quatro atletas pagaram fiança de 15 mil francos suíços e voltaram ao Brasil. Eles não estiveram presencialmente no julgamento do caso, realizado dois anos depois, em 14 e 15 de agosto de 1989. As informações são do site GE.
Cuca, Henrique e Eduardo foram condenados a 15 meses de prisão, pelos crimes de coação e fornicação com menor. Fernando foi condenado apenas por coação, a uma pena de três meses de prisão.
Os quatro receberam uma pena condicional que faz parte da legislação da Suíça, quando o condenado não tem de ir para a prisão, a não ser que cometa algum outro delito durante um prazo determinado pelo juiz. O período prescreveu.
Berna
O caso teve início em 1987, quando o Grêmio fazia excursão pela Europa. Cuca e outros três atletas foram detidos com a alegação de terem tido relações sexuais com a garota sem consentimento.
Segundo a investigação da polícia local, a jovem se dirigiu com amigos ao quarto dos jogadores do Grêmio. Os atletas, então, a puxaram para dentro e a abusaram. Os quatro ficaram cerca de um mês presos antes de voltarem ao Brasil. O julgamento aconteceu só dois anos depois.
Em entrevista ao “Esporte Espetacular” em janeiro de 2021, o então vice jurídico do Grêmio, Luiz Carlos Martins, o Cacalo, afirmou que apenas um dos jogadores teve relação sexual com a jovem, de maneira consentida. Porém, a lei previa que a relação seria estupro presumido, pela idade da menina.
Advogados negam
Os advogados Daniel Bialski e Ana Beatriz Saguas, que defendem o técnico, enviaram a seguinte nota ao GE. “A defesa de Cuca reputa ser lamentável o irresponsável linchamento por situações ocorridas há 34 anos e contrária à realidade dos fatos. Reafirme-se que Cuca não manteve qualquer relação ou contato físico com a vítima, que, aliás, não o reconheceu, conforme confirmado por diversas reportagens daquela época”, declararam.
A nota continua. “Distorções e especulações serão responsabilizadas cível e penalmente, ainda mais por se tratar de processo sigiloso, evidenciando a precariedade e inconsistência de qualquer pretensa informação fornecida por terceiros”, finaliza o comunicado.