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A Crítica
Esportes

Em Manaus, time troca nomes de camisetas em protesto contra transfobia

Time de vôlei Casa Miga resolveu trocar os próprios nomes nos uniformes pelos de vítimas de preconceito. Jogadores participam da 9º Copa Solidária Pedro Pantoja

Publicado em 11/11/2021 às 00h05 · Atualizado em 08/03/2022 às 21h40
Em Manaus, time troca nomes de camisetas em protesto contra transfobia
Foto: Divulgação

Mais de 22,3 mil crimes contra a população LGBTQIA+ foram registrados no Estado, entre março de 2020 e o mesmo mês deste ano, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). O trágico cenário de homotransfobia comoveu o time de vôlei Casa Miga, que resolveu trocar os próprios nomes nos uniformes pelos de vítimas de preconceito, como uma forma de dar visibilidade ao problema.

A equipe é uma das 16 que participam da 9º Copa Solidária Pedro Pantoja, um evento de voleibol realizado anualmente em Manaus para arrecadar alimentos não perecíveis para instituições de apoio a pessoas em vulnerabilidade social, tanto na capital como em alguns municípios do interior.

No evento esportivo, a equipe Casa Miga representa a entidade homônima (@casamigalgbt no Instagram), de apoio a pessoas LGBTQIA+ carentes, inclusive refugiadas de outros países. “É a primeira casa deste tipo na região Norte e tem sede em Manaus”, explica Rayfran de Oliveira, um dos atletas do time e supervisor comercial da rede de farmácias Santo Remédio, que patrocina os uniformes da equipe.

Durante todos os jogos, a Copa irá receber doações dos membros das equipes participantes e da população que for prestigiar o evento. Ao final, os mantimentos arrecadados serão entregues aos três times que vencerem em primeiro, segundo e terceiro lugar. Até o momento, o torneio já arrecadou cerca de 700 quilos de alimentos, mas o número deverá ser ainda maior até o encerramento, em dezembro.

O objetivo do time Casa Miga é vencer e entregar os mantimentos à instituição de mesmo nome. A presidente do abrigo, Karen Arruda, diz ter ficado muito feliz com a parceria. “Recebemos essa iniciativa com muita alegria e esperamos arrecadar uma quantia expressiva não só para os assistidos pela Casa Miga, mas também para outras pessoas que a instituição apoia”, comenta.

O uniforme

A equipe do time Casa Miga é formada por sete membros, sendo seis homens e uma mulher. Os uniformes doados pela Santo Remédio são de cores branca e azul, e trazem os nomes de pessoas LGBTQIA+ assassinadas ou que sofreram preconceito por motivos homotransfóbicos no Brasil e no mundo.

“É a primeira vez que a empresa patrocina um time na Copa e esse apoio foi essencial para que nós conseguíssemos cumprir nosso objetivo de representar a Casa Miga e toda a comunidade LGBTQIA+”, afirma Rayfran.

Conforme o departamento de marketing do Grupo Tapajós, detentor da rede de drogarias, a iniciativa se encaixa perfeitamente nos valores da empresa, cujo slogan é “gente cuidando de gente”. Isso ultrapassa as fronteiras da saúde, indo além do bem-estar físico e envolvendo também o lado social e emocional do ser humano.

Copa Solidária Pedro Pantoja

A 9ª Copa Solidária Pedro Pantoja iniciou em outubro e seguirá até dezembro, com jogos sempre aos domingos de manhã (8h45) e à tarde (14h). O campeonato ocorre na quadra da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), na avenida Mário Ypiranga, em frente ao Park Mirage. A entrada é solidária, sendo pedida a doação de um quilo de alimento não perecível.

O torneio teve a primeira edição em 2012 e um dos participantes, Pedro Pantoja, deu a ideia de arrecadar doações. Ele faleceu em 2014, vítima de câncer, mas os amigos continuaram o projeto em sua homenagem.