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A Crítica
Esportes

Exemplo de resistência negra, Paratleta do AM é voz contra preconceito

Em entrevista exclusiva ao CRAQUE o parahalterofilista Lucas Manoel, de 17 anos, revelou que nunca sofreu injúria racial, mas não foge da luta quando se fala no assunto

Publicado em 20/11/2019 às 01h02 · Atualizado em 10/03/2022 às 21h49
Exemplo de resistência negra, Paratleta do AM é voz contra preconceito
Foto: Acervo Pessoal

Acostumado a levantar mais de 120 kg na prova do supino no Parahalterofilismo, o paratleta amazonense Lucas Manoel, 17, nunca precisou suportar o peso da injúria racial por ser negro, mas não abandona os que precisam lidar com essa carga. O garoto prodígio do esporte olímpico baré é mais uma das vozes nesse Dia da Consciência Negra, e ressaltou que a superação de atletas por serem negros e pessoas com deficiência física (PCDs) têm valor especial a cada conquista.

“Eu nunca recebi injúria racial, ou ninguém nunca foi racista comigo, não me atingiram verbalmente. E claro que deve ter paratletas que já receberam injúria racial, e a superação deles por serem paratletas e por serem negros é muito maior”, destacou Lucas Manoel.

De visão ampla do tema racismo, o parahalterofilista amazonense argumentou a melhor maneira de lidar com o ato criminoso, de acordo com o artigo 140, do Código Penal Brasileiro, que diz: ‘Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional’.

“A pessoa com deficiência física já sofre preconceito, e sendo negra sofre mais preconceito ainda. E pra evitar isso tem que ser trabalhado desde cedo, só que alguns pais de classe média alta, alguns não sei, nos humilham. E então isso tem que ser trabalhado e só vai melhor a questão de aceitação futuramente sendo trabalhado a educação para as crianças”, ponderou o paratleta.

Competições em 2020

Bicampeão do Mundo e medalhista de bronze nos Jogos Parapan-Americanos de Lima – Peru em 2019, Lucas Manoel já tem devidamente agendadao no calendário as próximas competições de levantamento de peso a disputar no próximo ano, na categoria até 49 kg.

“Em março, vai ter um regional Norte-Nordeste no Recife (Pernambuco), que vai ser minha primeira competição do ano. E eu estou pretendendo ir, e eu quero quebrar o recorde brasileiro júnior, que é meu de 127 kg”, revelou o desejo da nova conquista o paratleta baré.