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Final do Barezão 2026 opõe Amazonas e Nacional com estreia de técnico e clima de revanche

Cristian de Souza assume a Onça-pintada em decisão única no Carlos Zamith, enquanto Nacional busca encerrar jejum de 11 anos sem título estadual

Publicado em 21/03/2026 às 14h53
Final do Barezão 2026 opõe Amazonas e Nacional com estreia de técnico e clima de revanche
Fotos: Jeiza Russo (Amazonas FC) e João Normando (Nacional FC)

A grande final do Barezão 2026, que acontece neste sábado, às 15h30, no estádio Carlos Zamith, terá um ingrediente especial: a estreia de Cristian de Souza no comando técnico do Amazonas. Contratado após a saída de Márcio Fernandes, o treinador gaúcho assume o clube em momento decisivo e busca o título logo em sua primeira partida à frente da equipe aurinegra.

A trajetória de Cristian no futebol amazonense não é nova. Em 2023, ele comandou o Manauara e levou a equipe até a final do Barezão — justamente contra o Amazonas. Perguntado pela reportagem sobre o retorno ao futebol amazonense, para comandar o seu algoz três anos atrás, o técnico relembrou o desempenho sob o comando do Robô, com nove vitórias, três empates e duas derrotas.

“Situações completamente diferentes. Aquele trabalho do Manauara foi um trabalho de pré-temporada, mais longo, fizemos até a final 14 jogos e acabamos perdendo apenas o último jogo da final. O Rafael Lacerda estava à frente do Amazonas também com continuidade, vinha de um acesso na Série D, então são situações completamente distintas”, relembra o técnico, que fez vários elogios ao povo amazonense durante a coletiva.

“O que é igual é a forma como vocês recebem a gente aqui, com educação, com acolhimento legal, bacana, tratam bem as pessoas que vêm do Sul, que vêm de fora, e essa é uma das razões que me fez aceitar de pronto o convite, porque eu sei que aqui se respira futebol, povo acolhedor, educado, e é dessa forma que eu chego: para dar minha contribuição, procurar marcar história no Amazonas. Sei do momento do clube, da grandeza do clube, que em seis, sete anos, chega à Série B do Campeonato Brasileiro”, inicia o técnico, que prossegue.

“A gente tem que valorizar e saber que aqui tem potencial, tem boa gestão, e é dessa forma que eu chego, respeitando à todos, tentando oportunizar todos também, pois o elenco é bastante grande e a gente espera já, neste sábado, demonstrar uma mudança de atitude, de astral, de energia, e que isso se reflita dentro do campo e, acima de tudo, acho que o torcedor que for a campo, que ele tenha uma final à altura do Campeonato Amazonense, que hoje é sim muito valorizado no Brasil todo”, afirma.

O Amazonas chega à decisão após uma temporada de altos e baixos. Campeão do primeiro turno, o clube sofreu uma reviravolta no segundo, quando foi goleado pelo Nacional por 3 a 0 no playoff — sua primeira derrota na competição, após dez jogos invictos. Para Cristian, a explicação para o tropeço está no desequilíbrio emocional gerado pela conquista antecipada.

“A sequência mostra que o time se desequilibrou, essa questão do primeiro turno definir um finalista inconscientemente gera, no segundo turno, um certo relaxamento. Eu tenho certeza que o Márcio com a comissão dele trabalharam isso logo após a conquista do primeiro turno, que não podia baixar a guarda, que tinha que seguir melhorando, evoluindo, mas isso dentro de um grupo não é fácil trabalhar, então houve esse relaxamento e os resultados negativos”, acredita o novo técnico da Onça-pintada, ressaltando que isso é uma prática comum no futebol brasileiro.

“Por isso teve a troca, essa é a realidade do nosso futebol. Então eu chego, novo ânimo, uma nova oportunidade para jogadores que estavam sendo menos aproveitados, e eu tenho que usar esses dias que tive aqui no comando para fazer um time equilibrado, o máximo possível, para fazer um jogo único, emocional, de final, para que a gente faça por merecer ser campeão”, almeja.

Reencontro de técnicos

O adversário deste sábado é o Nacional, que também trocou de técnico durante a temporada. Thiago Gomes assumiu após a demissão de Gerson Gusmão e chega invicto à final, com três vitórias e um empate no Barezão. Cristian conhece bem o trabalho do colega — os dois já se enfrentaram em decisão pela Copa Gaúcha 2023. Sobre o duelo, ele prevê um jogo tático equilibrado.

“Eu acho que é um jogo, obviamente, decisivo, até mesmo por ser uma final única. Acho que o histórico recente de enfrentamento dá ao Nacional uma certa predominância, de buscar o resultado, mas é um clássico estadual com um equilíbrio bastante grande, eu vejo assim e, como todo clássico e toda final, ele vai ser resolvido nos detalhes. Estou chegando e tendo essa semana para poder conhecer rapidamente os jogadores, alguns que eu ainda não conhecia. Obviamente não vou causar nenhuma transformação que saia fora de uma lógica, a nível de ideia, de trabalho, mas algumas coisas (vão mudar)”, começa Cristian, que na decisão da Copa Gaúcha, levou a melhor pelo São Luiz, vencendo o São José comandado por Thiago Gomes.

“O Thiago já me conhece e eu o conheço também, ele sabe de algumas coisas, alguns detalhes que eu vou levar para campo, assim como também conheço bastante o trabalho dele. Já fizemos final um contra o outro, e eu espero um jogo estratégico, um jogo decisivo e decidido no detalhe. Eu vinha acompanhando o Campeonato Amazonense. Quando a gente passa num lugar, acabamos criando vínculo, e quando eu tinha oportunidade eu olhava os jogos. O Nacional é um time que, tecnicamente, tem uma qualidade de meio-campo bastante grande, os números demonstram que eles vem numa crescente nos últimos quatro jogos, de invencibilidade, com a chegada do Thiago também. Então são dois treinadores que estão praticamente chegando agora e já tem uma decisão para duelar”, pontua.

Por fim, Cristian destaca que o confronto contra o Nacional será decidido no detalhe. Em 2023, quando esteve no Manauara, as finais eram disputadas em jogos de ida e volta, mas agora, a decisão é em jogo único, o que aumenta a necessidade de atenção total durante os mais de 90 minutos.

“Eu vejo qualidades no time do Nacional, mas vejo que a gente também pode equilibrar, ser forte emocionalmente e fazer um jogo equilibrado. Acho que uma decisão de um jogo só, de jogo único, quem tiver mais equilíbrio durante o jogo vai ter a vantagem do resultado”, finaliza.

A venda de ingressos  para a final geral do Campeonato Amazonense Sicredi 2026 entre Nacional e Amazonas acontece de forma on-line e física. Para quem quiser comprar pela internet, a venda ocorre pelo site Ingresso de Vantagens no valor de R$ 15 (meia) e R$ 30 (inteira) até o início da partida.

A venda presencial na bilheteria do estádio Carlos Zamith começa a partir das 12h do sábado no valor de R$ 20 (meia) e R$ 40 (inteira). Criança até 12 anos não paga ingresso e idoso acima de 60 anos paga meia.

Nacional

“Mais querido sempre amado, pela sua tradição de campeão”. O verso do hino ecoa como promessa, e também como saudade, na memória do torcedor do Nacional Futebol Clube. Há 11 anos, o grito de “é campeão” não atravessa a garganta azulina no Campeonato Amazonense, um silêncio incomum para quem construiu sua história justamente erguendo taças.

Maior vencedor do estado, com 43 conquistas, o Leão da Vila Municipal carrega nas costas o peso da própria grandeza enquanto tenta encerrar o maior jejum de sua trajetória. E como toda boa crônica pede um capítulo decisivo, ele está marcado: sábado, no Carlos Zamith, diante do Amazonas FC.

Caminhada no Barezão

Entre tropeços e respostas, o Leão escreveu sua trajetória neste Barezão como uma verdadeira crônica de reconstrução, daquelas em que cada jogo vira capítulo. No primeiro turno, o Naça mostrou força logo na largada. Abriu a fase de grupos com um 3 a 0 sobre o Itacoatiara, depois empatou em 1 a 1 com o Amazonas, repetiu o placar diante do Manauara e fechou com vitória por 1 a 0 sobre o RPE Parintins. A campanha consistente colocou o time na liderança da chave B e direto na semifinal. Ali, venceu o Princesa do Solimões por 1 a 0 e carimbou a vaga na decisão. Mas, no capítulo final, veio o freio: empate sem gols com o Amazonas e derrota nos pênaltis (5 a 4), adiando mais uma vez o grito de campeão.

Só que o futebol deu ao Nacional a chance de reescrever a própria história, e ele não desperdiçou. O segundo turno começou com vitória convincente: 3 a 0 sobre o São Raimundo. Depois, um tropeço por 1 a 0 diante do Manaus e um empate em 2 a 2 com o Princesa do Solimões fecharam a fase de grupos, desta vez com classificação em segundo lugar. Diferente do primeiro turno, o caminho seria mais longo, e mais desafiador.

Veio então a sequência que mudou tudo. No playoff, o Nacional não tomou conhecimento do Amazonas: 3 a 0. Na semifinal, vitória segura por 1 a 0 sobre o Manauara. E, na final do returno, a confirmação da virada de chave: 2 a 0 sobre o RPE Parintins, garantindo o título do turno e Taça Rio Negro.

No balanço geral, são 12 jogos, seis vitórias, cinco empates e apenas uma derrota. Um time que marcou 18 gols, o melhor ataque, e sofreu só cinco, também dono da defesa mais sólida.

Titular e consistente

Se a campanha do Nacional pode ser contada em capítulos, o nome de Caio Alan aparece como um daqueles personagens que sustentam a história nos momentos mais delicados. Titular absoluto, ele esteve em campo em todos os jogos da temporada: foram 12 partidas no Amazonense e mais uma pela Copa do Brasil, sempre como peça fixa de um time que aprendeu a se equilibrar.

Não por acaso, o Naça chega à final com uma das defesas menos vazadas da competição. Para o goleiro, porém, o destaque individual é apenas reflexo de um esforço coletivo.

“Acredito que o mérito seja de toda a equipe. A partir do momento que todos se entregam para ajudar na parte defensiva, o número de chances criadas pelo adversário diminui, facilitando assim o trabalho da defesa. E acredito que a boa fase é fruto de muito trabalho no dia a dia e, principalmente, de Deus abençoando”, afirmou.

Ciente do peso da camisa que veste, Caio Alan também falou sobre a responsabilidade de defender o maior campeão do estado em uma decisão que pode encerrar um longo jejum. “Viemos para o Nacional com o intuito de sermos campeões desde o início dos trabalhos, pois sabemos do tamanho do clube e da responsabilidade que é vestir essa camisa. Temos feito uma grande competição e nossa expectativa é coroar esse trabalho com o título”, destacou.

Em uma final sem vantagem, onde qualquer igualdade leva a decisão para os pênaltis, o goleiro sabe que cada detalhe pode ser decisivo, e se prepara para isso. “Jogos como esses são decididos nos detalhes, então devemos estar muito atentos a eles e buscar aproveitar cada oportunidade que tivermos. Sabemos que será um jogo difícil, contra uma grande equipe, mas estamos preparados para fazer um grande jogo. Busco trabalhar muito forte todos os dias para corresponder nos jogos e ajudar o Nacional, seja nos pênaltis ou em qualquer outro momento”, completou.

Missão do gaúcho

Na final entre Leão e Onça, o duelo vai além das quatro linhas: passa também pela beira do gramado, onde dois técnicos com raízes no Sul do país.

De um lado, Thiago Gomes, natural de Porto Alegre, que assumiu o Nacional no meio da competição e agora tem a missão de conduzir o Leão à revanche. Do outro, Cristian de Souza, também sulista, recém-chegado ao comando do Amazonas, adicionando ainda mais mistério a um confronto já carregado de tensão.

A decisão traz um ingrediente especial: é a reedição da final da última temporada, quando o Amazonas levou a melhor ao vencer por 2 a 1, na Arena da Amazônia, ficando com o título. Agora, o Nacional entra em campo com o desejo claro de mudar esse roteiro. Thiago Gomes reconhece o cenário de incerteza e o peso do momento, mas aposta na evolução da equipe ao longo do campeonato.

“Faz poucos dias da última vitória contra o Amazonas, mas houve troca de treinador, o que aumenta a preocupação pela falta de informações. Nossa equipe chega confiante após a vitória sobre o Manauara e o título do segundo turno, evoluindo nos conceitos de jogo. Sabemos que precisamos melhorar na bola parada. Será um jogo diferente, especial por ser decisão, com duas equipes motivadas e foçadas”, disse.

“Nos encoraja para a luta, com ardor e união”. O outro verso do hino do Leão resume o espírito de um clube que carrega 113 anos de história e entra no Zamith movido por algo maior que o jogo: a chance de voltar a ser campeão.

Para o técnico Thiago Gomes, o momento exige mais do que estratégia, pede consciência do peso da camisa e da história que está em disputa.

“Nosso grupo está muito consciente do que significa esse título para o Nacional. Para cada um de nós. Sabemos da necessidade de quebrar esse tabu de 11 anos sem conquistas e da importância disso para a carreira de todos e para a história do clube. É uma responsabilidade muito grande. Do outro lado, temos um adversário forte, que recentemente esteve na Série B e hoje disputa a Série C, com um elenco qualificado e um treinador novo. Tudo isso aumenta ainda mais a nossa motivação e o nosso foco. E fica também a convocação para o nosso torcedor: que ele seja o 12º jogador, para que a gente possa sair dessa decisão com o título”, finalizou.

O árbitro principal da final será  Antônio Carlos Pequeno Frutuoso, que já comandou quatro finais do estadual. Em 2014, ele apitou o segundo jogo da histórica final entre Princesa e Nacional, vencida pelo Leão por 5 a 1.

Anne Kesy Gomes de Sá e Uesclei Regison Pereira dos Santos serão os e Elenildo Batista Rodrigues Júnior será o quarto árbitro.

O VAR será comandado por Ivan da Silva Guimarães Júnior, Dimmi Yuri será assistente e Celso Mota Rezende como observador.