Final do Barezão Feminino é suspensa novamente, após TJD-AM acatar embargos do 3B da Amazônia
Representantes dos times envolvidos no imbróglio repercutiram ao A Crítica sobre a decisão que ocasionou em um novo adiamento da decisão
E a ‘novela’ envolvendo a final do Campeonato Amazonense Feminino ganhou mais um capítulo nesta segunda-feira (21). O Tribunal de Justiça Desportiva do Amazonas (TJD-AM), através do auditor Jayme Pereira Junior, aceitou os embargos de declaração do 3B da Amazônia. Desta forma, a final entre Recanto e JC, que estava marcada para esta terça-feira (22), às 15h, na Arena da Amazônia, está mais uma vez suspensa.
No documento assinado pelo relator do processo, ele determina que a Federação Amazonense de Futebol (FAF) se abstenha de realizar a final do campeonato até que se esgotem todas as instâncias, a fim de evitar prejuízo e insegurança jurídica.
Ao A CRÍTICA, o presidente do 3B da Amazônia, Bosco Brasil Bindá, havia dito antes do julgamento em segunda instância, realizado no último dia 17 de dezembro, no TJD-AM – que acabou em condenação de 5 pontos e perda da vaga na final do seu time -, que não iria recorrer caso o seu clube fosse condenado e deixasse de fazer a decisão do Amazonense. Mas após conversar com sua comissão técnica e ouvir orientações, o mandatário das Feras mudou de ideia e promete ir “até as últimas consequências” para recolocar o 3B na decisão do certame.
“Realmente eu não iria recorrer, aí estive falando com a minha comissão técnica, inclusive o meu filho, que é presidente, que me deu o conselho para procurar nossos direitos. Então, agora, nós vamos até as últimas consequências”, explicou.
Bosco também lembra que o 3B foi vencedor de forma unânime na decisão da Segunda Comissão Disciplinar e, que na ocasião, a FAF não havia marcado a final. Em forma de contestação, o dirigente disse: “Ganhei em primeira instância de forma unânime e a federação não marcou a decisão, mas quando saiu à segunda decisão do pleno, ainda com o trânsito em julgado, sem que se tivesse usado todas as instâncias, a federação marcou a decisão. Eles poderiam, pelo menos, esperar até terça-feira (22), data que terminaria o prazo para que a gente entrasse com recurso”, concluiu o presidente do atual campeão do Barezão Feminino, que já entrou com recurso no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
Recanto na bronca
O presidente do Recanto da Criança, José Neto, disse em entrevista ao A Crítica que, quando aconteceu a primeira reunião para se definir a data da final, o diretor de competições da FAF ainda era Ivan da Silva Guimarães e ficou definido que a data da decisão seria no dia 18 de novembro. Com a chegada de Roberto Peggy ao cargo, a tabela apareceu com a previsão da final para o dia 22 de novembro.
“Eu acho triste que a federação age muito rápido quando é pra parar, eu não entendo isso. Mas tudo bem, a gente fica aqui aguardando, só que, quando foi para realizar o jogo (final do campeonato), que era pra ter sido no dia 18, não realizaram porque o time do 3B tinha acabado de chegar de viagem e não poderiam jogar”, afirmou.
No dia 14 de novembro, o 3B havia jogado em Ariquemes (RO), pela Série A2, e no dia 16 contra o Rio Negro, pelo Barezão.
Sobre a nova data da final, após todos os imbróglios envolvendo a primeira e a segunda instância, José Neto disse que a federação lhe prometeu que a final do Barezão feminino aconteceria no dia 20 de dezembro – três dias após o julgamento -. O cartola também disse que o novo diretor de competições da FAF, Roberto Peggy, lhe disse que tinha certeza que a final seria 3B e Recanto, pois confiava que o documento emitido pelo tribunal, mostrando que a atleta Giselinha poderia jogar, provaria a inocência do clube.
“Eles tinham quase a certeza que o 3B ganharia, mas todas as atletas do 3B tinham sido dispensadas, então elas teriam que retornar à Manaus para poder fazer o jogo. Eu não entendo isso. Eu fico revirando meus miolos para saber que negócio é esse. Eu mesmo liguei para a federação, falei com o Peggy. Ele disse pra mim que iria para o julgamento, conversaria com as duas instituições envolvidas e que, o clube que perdesse, ele iria aconselhar para que o mesmo não recorresse da decisão. Ele também disse que tinha certeza que o 3B iria ganhar, pois o clube tinha um documento, emitido pelo tribunal, mostrando que a atleta do 3B poderia jogar”, apontou o dirigente do Recanto.
O cartola do único finalista assegurado na final ainda reforça que garantiu sua vaga dentro de campo e que tomou todas as devidas providências para conferir se suas atletas estavam aptas para atuar.
“Eu até disse para ele (Roberto Peggy) que não tinha nada a ver com isso. O Recanto adquiriu esse direito no campo, jogando. Eu fiz como manda o figurino, conferi toda a documentação das atletas antes de contratá-las, peguei certidão de todas, então eu tinha consciência que todo meu time estava apto a participar da competição”, concluiu.
JC ‘desrespeitado’
O gerente de futebol do JC de Itacoatiara e membro da comissão técnica da equipe feminina, Fernando Lage, disse que quando saiu à decisão do TJD-AM em suspender a final, faltavam poucas horas para sua equipe viajar para Manaus.
“Bom, tirando que faltavam duas horas para viajar, tivemos que anular o ônibus, hotel e toda a nossa logística. Vamos ter de rever todos os contratos, estamos enviando atletas para casa e que depois retornarão. Os testes de Covid – realizados no sábado (19) – possivelmente terão que ser realizados novamente. Nós pagamos a um laboratório que viesse ao nosso centro de treinamento, bem como mantivemos as atletas até aqui. Todas recebem ajuda de custo, que irá se estender até uma definição”, afirmou.
Sobre o que ele acha do 3B tentar recorrer no STJD da decisão do pleno do TJD-AM, Laje afirmou que isso é um direito do clube, respeita a história das Feras, mas diz que se sentiu desrespeitado com ‘argumentações infelizes’, que segundo ele, sem citar nomes, surgiram por parte de profissionais da imprensa.
“As pessoas pensavam que por ser o 3B, nada poderia acontecer com eles, mas as leis são para todos e não se pode agir de acordo com nosso querer, e sim com o que está regulamentado. Ninguém aqui fala mal do 3B, que pela sua história, merece o respeito de todos, só que num campeonato, o respeito tem de ser mútuo e nós nos sentimos desrespeitados com algumas argumentações infelizes que surgiram nas redes sociais, por parte da imprensa, que distorce os fatos em prol de amizade”, disparou.
Entenda o caso
Em fevereiro de 2020, Giselinha foi julgada pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Amazonas (TJD-AM) por um expulsão que aconteceu na final do Barezão de 2019, quando ainda atuava pelo Iranduba da Amazônia. De acordo com a súmula, a jogadora foi punida por ‘reclamar e protestar de forma ostensiva’ contra a decisão da arbitragem. No julgamento, a atleta foi punida por três jogos de suspensão com base no artigo 258 do código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).
Acontece que a atleta acabou entrando em duas partidas na atual edição do Barezão, sem cumprir as três partidas de gancho. O JC entrou com recurso, a final que aconteceria no dia 25 de novembro foi suspensa e o julgamento da Segunda Comissão Disciplinar deu causa favorável ao 3B da Amazônia – de forma unânime -, por apresentar uma certidão de ‘nada consta’ da atleta Giselinha.
Novamente o JC recorreu e, no julgamento que aconteceu no dia 17 de dezembro, pelo pleno do TJD-AM, o tribunal puniu o 3B em 5 pontos e com isso retirou a equipe da decisão contra o Recanto.
A reportagem do A Crítica tentou entrar em contato com o diretor de competições da Federação Amazonense de Futebol, Roberto Peggy, mas até o fechamento desta edição, não obteve retorno.