Governo do Peru suspende jogo do Flamengo pela Libertadores
Governo peruano citou que não pode garantir a segurança das delegações dos clubes, mesmo com portões fechados. Partida entre Sporting Cristal e o clube carioca aconteceria às 20h30, no Estádio Nacional
No que depender do governo do Peru, a partida de estreia do Flamengo na Libertadores da América não irá acontecer. Em comunicado divulgado no fim da tarde desta terça-feira (5), o governo peruano anunciou a suspensão da partida. A decisão acontece em meio a crescentes manifestações populares que acontecem no país devido a alta inflação e aumento dos preços de combustíveis e fertilizantes.
A delegação flamenguista está no Estádio Nacional e, segundo a jornalista Raíssa Simplício, deve ser orientada a retornar ao Brasil. Nem o clube carioca, nem a Conmebol, organizadora da competição, se pronunciaram oficialmente sobre a suspensão do jogo.
Até a decisão oficial do governo peruano, a partida para hoje já havia sido confirmada no Estádio Nacional com portões fechados. No entanto, após a imposição de um toque de recolher na capital Lima, assinada pelo presidente Pedro Castillo, manifestantes saíram às ruas. O governo peruano entendeu então que não conseguiria garantir a segurança dos clubes.
“O gabinete concordou em declarar a proibição da mobilidade dos cidadãos das 2h às 23h59 de terça-feira, 5 de abril, para proteger os direitos fundamentais de todas as pessoas”, disse Castillo em um discurso transmitido em todo o país na noite de segunda-feira (4).
A turbulência eclodiu na semana passada quando fazendeiros e caminhoneiros bloquearam algumas das principais rodovias para Lima, levando a um aumento repentino nos preços dos alimentos.
O governo respondeu no fim de semana com uma proposta de renunciar à maioria dos impostos sobre os combustíveis na tentativa de reduzir os preços, além de aumentar o salário mínimo em cerca de 10%.
O Peru também emitiu uma declaração de emergência para seu setor agrícola devido ao aumento dos preços dos fertilizantes desencadeado pelas sanções ocidentais à Rússia, um grande exportador de potássio, amônia, uréia e outros nutrientes do solo.
Como muitos países, o Peru já lutava contra a alta inflação antes da guerra. Em março, a inflação atingiu a máxima de 26 anos, em grande parte impulsionada pelo aumento dos preços dos combustíveis e dos alimentos.