Gregory Rodrigues assina com UFC e afirma: ‘Pronto para este momento’
Após conquistar o cinturão do LFA, lutador criado no Amazonas substituirá o lesionado Maki Pitolo e enfrentará o sérvio Dusko Todorovic, no UFC Vegas 28
‘Se me perguntassem se eu me imaginava vivendo tudo isso, eu ia dizer que não’. Essas foram as palavras do peso-médio Gregory Rodrigues que, no último dia 21 de maio, levantou o cinturão da categoria até 84kg do Legacy Fighting Alliance (LFA), ao nocautear o americano Josh Fremd no primeiro round. Porém, o destino reservava outros planos para o lutador criado no Amazonas, pois um dia depois da conquista, ele recebeu o convite para substituir o havaiano Maki Pitolo no UFC Vegas 28, no próximo dia 5 de junho, para enfrentar o sérvio Dusko Todorovic.
Antes de assinar com o Ultimate ou mesmo conquistar o cinturão do LFA, Gregory conseguiu sua primeira chance de entrar no UFC ao participar do Contender Séries – evento em que Dana White analisa lutadores para levar ao UFC -, mas ele acabou sendo nocauteado por Jordan Williams, no último dia 15 de setembro e não conquistou o contrato. Em conversa ao A Crítica, Robocop falou sobre como foi lidar com essa derrota.
“Depois da derrota em setembro, foi um momento bem difícil, em que eu pensei em parar, desistir de tudo, mas eu tive pessoas do meu lado que me fizeram enxergar algo muito maior do que a derrota e aprender com este momento. Eu acho que foi o período em que eu mais cresci como pessoa e amadureci. Na vida a gente tem que aprender a passar por frustrações. Eu acredito que os momentos difíceis nas nossas vidas não necessariamente chegam para testar se a gente é bom ou ruim, pelo contrario, eles servem para preparar a gente e deixar mais forte”, afirmou Gregory.
Caminho até o topo
Após a derrota no Contender, Gregory voltou para a academia e recomeçou sua caminhada em busca de seu objetivo em chegar ao UFC. Treinando na Sanford MMA, tutelado pelos profissionais Henri Hooft e Greg Jones, além de contar com lutadores famosos como o brasileiro Gilbert Durinho, Robocop voltou ao caminho das vitórias ao nocautear Al Matavao, no dia 19 de março, pelo LFA 102. Dois meses depois de vencer, ele lutou pelo cinturão vago da categoria até 84kg e nocauteou Josh Fremd.
Contando as duas lutas, os adversários de Gregory não conseguiram suportar nem um round inteiro contra ele no octógono. Inclusive, essa vantagem de não ter se lesionado em suas últimas lutas trabalhará como fator positivo para sua estreia no UFC, se por um lado, a questão ‘tempo de treinamento’ fará o efeito inverso.
‘Nem fui campeão por muito tempo, na sexta conquistei o título e no sábado recebi a notícia que estava no UFC, algo incrível, estava com a minha esposa, minha igreja, comemorando o cinturão e, de repente, estava comemorando a entrada no UFC. Eu me sinto muito feliz por este momento, agora é focar, colocar a cabeça no lugar e me preparar para esta nova etapa, creio que Deus está me colocando no UFC hoje por eu estar pronto pra este momento’, frisou o atleta.
Background
Mesmo com o seu background na luta agarrada, Gregory é um daqueles casos que tomou gosto pela luta em pé, alinhado a uma mão pesada, capaz de nocautear com golpes singulares. O lutador explica a importância de se aperfeiçoar em todas as áreas.
“Eu vim do jiu-jitsu, treinei minha vida inteira no jiu-jitsu, foi à arte suave que me consagrou como atleta. Tenho um background muito forte no chão, agradeço muito o apoio do meu sensei Henrique Machado, da Gracie Barra Amazonas. No MMA não adianta você ser bom em apenas uma coisa, você precisa ser bom em todas as áreas, então como eu sempre tive meu chão muito forte, tive que melhorar minhas partes que tinham mais fragilidades”, disse o lutador.
Importância da Sanford
“Na Sanford eu encontrei um lugar completamente fora da curva, com profissionais incríveis, Henri Hooft, Greg Jones, tantos outros, só na minha categoria são sete pesos-médios no UFC dentro da Sanford, então você aprende muito com todo mundo”, revelou.
Henri Hooft
“O Henri foi muito importante nessa parte, de trazer essa confiança não só na parte técnica, mas em tudo que vem me aconselhando. Por exemplo: nas minhas lutas eu tenho sido muito mais tranquilo, trabalhando todas as minhas habilidades, minha parte em pé, botando para baixo quando necessário, sendo mais inteligente no meu jogo. Mesmo assim, eu ainda estou nessa transição, tenho muito a melhorar, mas graças a esses treinadores, tenho certeza que posso evoluir cada vez mais”, disse.
Agradecimentos
“Quero deixar um agradecimento a todos esses profissionais que me apoiaram, treinaram, deram o máximo para chegar onde eu estou hoje. Um agradecimento especial ao Henri Hooft e Greg Jones. Tem outro cara que tem sido fundamental na minha parte estratégica, que é o Daniel Mendes, foi o treinador que fez o Erick Silva, que eu já conheço há muito tempo. Sempre admirei o trabalho dele, agora estou tendo a oportunidade de trabalhar junto dele. Na minha estreia no UFC ele estará no meu corner, assim como já esteve nas duas últimas lutas, ele é um cara que tem me ajudando muito e agora é aproveitar para crescer cada vez mais”, concluiu.
Parada dura
Sobre seu adversário, Gregory não terá vida fácil em sua primeira experiência no UFC. Com 10 vitórias e uma derrota no cartel, o sérvio Dusko Todorovic venceu seis das suas lutas via nocaute. Dentro da organização, Todorovic está 1-1, pois nocauteou Dequan Townsend em outubro, mas perdeu sua invencibilidade no MMA ao ser nocauteado pelo invicto americano Punahele Soriano, em janeiro deste ano.
Já o brasileiro fará sua terceira luta em um espaço de três meses. Com nove vitórias e três derrotas, Gregory tem quatro triunfos via nocaute, quatro por finalização e uma por decisão dos juízes.