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A Crítica
Esportes

Instituto Valois de Jiu-Jítsu doará 26 toneladas de mantimentos para reserva Sateré Mawé

O grupo, que desenvolve trabalho social junto aos indígenas, iniciará a doação na quinta-feira (11)

Publicado em 09/06/2020 às 00h17 · Atualizado em 10/03/2022 às 09h01
Instituto Valois de Jiu-Jítsu doará 26 toneladas de mantimentos para reserva Sateré Mawé
Foto: Acervo Pessoal

Em meio à dificuldade de logística causada pela pandemia, diversas comunidades indígenas sofrem com o esquecimento do restante da sociedade. O Instituto Valois de Jiu-Jítsu trabalha diretamente para apoiar famílias Sateré Mawé em Maués, município distante 268 quilômetros de Manaus. Unindo esporte e solidariedade, a academia fundada pelo juiz Luiz Carlos Valois realizará ação para doar cerca de 26 toneladas de material – entre alimentos e itens de higiene -, aos habitantes da reserva indígena.

“Usamos o jiu-jítsu como instrumento social. Foi criada uma barreira sanitária, devido ao coronavírus entre as aldeias e o restante de Maués. Esse isolamento trouxe o problema de abastecimento de materiais no geral. Formalizamos um compromisso com a Fundação Banco do Brasil para compra de mantimentos. A partir desta quinta-feira (11), estaremos realizando a entrega”, destacou Bruno Negreiros, responsável pelo Instituto.

De acordo com o faixa-preta que ensina a arte suave aos Sateré Mawé desde 2018 – de maneira voluntária -, a ação é de extrema importância, visto que não há ajuda por parte do poder público diante do tema. “É um problema real, não conseguimos apoio através de nenhum outro órgão. O jiu-jítsu contribui para o combate contra diversos problemas como o alcoolismo e seus danos sociais. Temos cerca de 116 alunos no município de Maués e 30 dentro da própria reserva. Serão três dias distribuindo cestas básicas com as doações”, comentou, sobre o ‘adversário’ invisível que demandará bastante tempo de ‘luta’.

O Instituto Valois é uma das poucas academias de jiu-jítsu no mundo, que atua dentro de área indígena. São três professores que moram em Maués e realizam o árduo trabalho de passar seu conhecimento da arte de origem oriental, para os jovens das aldeias, sem desrespeitar e esquecer do ‘sangue’ Sateré Mawé.

“Trabalho com o professor Anderson Brelais e o professor Saulo Gabriel. Todos temos outras profissões, mas seguimos acreditando no jiu-jítsu como agente social na vida dessas pessoas. Em Maués, nós ficamos de seis a sete horas de distância (via barco), da reserva. Dentro desse contexto, nós tivemos que inclusive ter aulas do idioma para estar ministrando alguns comandos nas aulas para não ferir a cultura deles”, concluiu sobre a ação feita com muita responsabilidade e respeito.