Kenedy Pedrosa migra do wrestling para o ADCC
Com carreira no wrestling, atleta amazonense, Kenedy Pedrosa, agora foca no grappling
Um ano após se aposentar do wrestling, o lutador Kenedy Pedrosa se prepara para investir em uma nova modalidade. O amazonense de 31 anos se lançou no ADCC (Abu Dhabi Combat Club) e o objetivo agora é conseguir competir em Dubai, no Campeonato Mundial de Grappling.
A ideia de partir para um novo estilo de luta surgiu após se recuperar de uma cirurgia. “Após a cirurgia, tive uma recuperação muito boa e comecei a treinar. Estou me sentindo muito bem para competir e vi que dá para ter uma boa carreira no NO GI (luta sem kimono) e por isso estou nela”, explicou.
Mas o grappling não é novidade para Kenedy. Antes de começar no wrestling, ele começou na luta livre quando ainda morava em Manaus, com o professor Anderson Alves, uma das referências no esporte, que já treinou nomes como Mica Galvão e Diogo Reis, que já foram campeões do ADCC.
“O mundo do No Gi, o wrestling domina bastante e eu tenho facilidade de lutar. Além disso, eu também sou faixa preta de luta livre. Comecei na luta livre com 15 anos e aí eu treinei com o Anderson, com o professor Fernando, então eu tenho uma boa base de chão também tenho conseguido me destacar”, explicou.
Em setembro, Kenedy disputou o ADCC Latin America, que aconteceu em Teresópolis-RJ, no dia 20 de setembro. Lutando na categoria até 83kg, ele chegou à final, mas ficou com a prata, um começo animador para quem mira o Mundial. “Meu principal foco é em março, quando terá uma seletiva para lutar o Mundial, que é fora”. Além disso, ele foi campeão Sul-Americano de No Gi, no dia 15 de setembro.

Em setembro, Kenedy foi campeão do Sul-Americano Open de Jiu-Jitsu (Divulgação)
Um pé no wrestling
Mesmo com foco no grappling, o atleta amazonense não deixou a modalidade que o fez ganhar projeção. Técnico há dois anos, ele divide o tempo entre os atletas de alto rendimento com um projeto social em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro. O Clube Niterói Wrestling atende crianças e adultos de baixa renda. No projeto, Kenedy trabalha de segunda à sábado dando aulas durante o dia e passando a experiência de um atleta de seleção brasileira.
“Eu faço aquilo que eu fazia quando trabalhava como atleta e tento aplicar também como treinador. Tento fazer com que eles pratiquem o esporte o máximo possível e gere uma qualidade mesmo sendo um projeto social e para fazer com que, um dia, eles cheguem a ser atletas de alto rendimento”, disse o técnico que trabalha com cerca de 30 pessoas.
E trabalhando tão perto dos tapetes, Kenedy acabou competindo no Sul-Americano de Wrestling, que aconteceu no Rio de Janeiro há uma semana. Ele acabou ficando na terceira colocação na categoria grego-romana até 77kg.

Kenedy Pedrosa ficou em terceiro na luta greco-romana no Sul-Americano de wrestling (Divulgação)
“Lutei o Sul-Americano e mesmo depois de um ano parado e o segundo após cirurgia, estava me sentindo bem, com o meu corpo melhorando cada vez mais e a confiança voltando para estar competindo. O wrestling é difícil e muito competitivo. Minha categoria reunia a galera da seleção, uns amigos meus e o início do Sul Americano foi difícil, mas tive um bom resultado. Fiz três ou quatro lutas duras e, mesmo assim, consegui ficar em terceiro lugar”, explicou.
Com o resultado, ele repete o feito do Sul-Americano de 2024, quando ficou com a medalha de bronze ao vencer o chileno Felipe Vergara Zelaya.
Kenedy Pedrosa teve uma carreira com muitos triunfos na modalidade, lutando o estilo Greco-Romano. Ele já foi 15 vezes campeão brasileiro de Wrestling, 10 vezes campeão estadual, conquistou cinco títulos de campeão da liga de Wrestling e muito mais. Além disso, ele também tem quatro pratas no Pan-Americano e uma no Ranking Séries da Tunísia.